<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820</id><updated>2012-02-08T18:16:05.439-03:00</updated><category term='Crônicas'/><category term='conto'/><category term='Fotos'/><category term='cuento'/><category term='poema'/><category term='Comentários'/><category term='crônica'/><category term='Claricianas'/><category term='Lançamento de livro'/><category term='Crónicas'/><title type='text'>Lucilene Machado</title><subtitle type='html'>Contos, crônicas, leituras, conversas, impressões de viagens, emoções... enfim, escrever é um exercício de defesa. Entendam da melhor maneira.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>66</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-2462136200417209944</id><published>2011-12-17T16:51:00.001-03:00</published><updated>2011-12-20T16:08:10.656-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>O amor, o belo e outras magias</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-O9rUmHMkRnI/TuzydI2HxqI/AAAAAAAAAJ4/J2EQppBW4BE/s1600/pareja%252520cama.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://1.bp.blogspot.com/-O9rUmHMkRnI/TuzydI2HxqI/AAAAAAAAAJ4/J2EQppBW4BE/s400/pareja%252520cama.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: center; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;O amor, o belo e outras magias&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Há noites em que ele quer falar. Falar com a voz, com os olhos, com as mãos... Falar mansamente, com gestos que me parecem escolhidos. E eu escuto calada para não arranhar seu romantismo com minha aspereza. Hoje, entre outras coisas, sinto a cota de aspereza altíssima e estou consciente de que só poderia falar do óbvio. Diria frases terrivelmente exatas, apesar do meu existencialismo inato, da minha náusea sartriana, da minha vocação para as sombras interiores... Às vezes a vida suga toda minha sutileza, sem nenhuma clemência, de forma que eu me jogo na cama, com o meu corpo continente&amp;nbsp; esvaziado de palavras. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Tento experimentar verbos de ação para operar sobre a realidade pungente. Mas o único verbo que passa pela minha mente (ou pelo meu corpo) é o verbo amar. Amar na forma transitiva direta, do sujeito ao objeto. Ele não capta a mensagem e quer exprimir sentimentos, fazer galanteios, amar na forma mais abstrata da língua. É tão difícil exercitar a linguagem a dois. Sobretudo quando &amp;nbsp;envolve linguagem verbal e não-verbal. Como diz Adélia Prado “quem entender a linguagem entende Deus, cujo filho é verbo”. Isso me faz tremer. Eu e minhas verdades inventadas. Minha mania de mesclar sagrado e profano, de enrolar e esticar frases... Não ouso abrir a boca, minhas sensibilidades andam desgovernadas. Com meia dúzia de palavras sou capaz de erguer trincheiras de arame farpado. Mas me contenho. Sei que muito tempo vai passar sem que eu veja algo mais sensual do que essas mãos brancas executando coreografias no ar. Não são as mãos pelas mãos. É como se fios de eternidade se desprendessem de seus dedos e atassem o meu passado ao futuro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Parece grotesca a comparação, mas lembra minha mãe esticando um melado de açúcar que era transformado em balas. A alquimia encantava meus olhos de menina. Provavelmente, ainda hoje encantaria. Conforme minha mãe puxava o melado quente com as mãos, uma cortina de fios dourados se abriam e novamente eram torcidos&amp;nbsp; até se amalgamarem em uma corda dourada cortada rapidamente em formato de balas. As balas mais lindas que eu já vi. Meu prazer em presenciar a cena era maior que a degustação do doce. Por momentos, eu ficava hipnotizada. O que me faz pensar que nada é belo em si mesmo. Tudo tem uma história, um contexto, uma performance, uma sedução. O encantamento pode não estar no produto final. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Volto os olhos para o homem que por si mesmo não é bonito. Mas alguma sensibilidade, alguma simplicidade ou aspectos que não consigo mensurar entram na matéria dele e misteriosamente o reino Olimpo da beleza se posiciona à minha frente. Viver passa a ser tão mágico quanto fazer balas de açúcar. Uma segurança estranha adentra o meu ser. Sinto que posso abrir o coração sem nenhum perigo e ser a mulher que sou, sem nenhuma máscara. Existir passa a ser esse algo completamente fora do comum, e a &amp;nbsp;linguagem, posso dizer, foi apenas um pretexto para continuar a acreditar que o amor faz todas as coisas mais belas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-2462136200417209944?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/2462136200417209944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/12/o-amor-o-belo-e-outras-magias.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/2462136200417209944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/2462136200417209944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/12/o-amor-o-belo-e-outras-magias.html' title='O amor, o belo e outras magias'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-O9rUmHMkRnI/TuzydI2HxqI/AAAAAAAAAJ4/J2EQppBW4BE/s72-c/pareja%252520cama.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-7845758692435107052</id><published>2011-11-18T12:58:00.001-03:00</published><updated>2011-11-18T12:59:50.431-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Meu mar</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-3WJNo8QPL4A/TsaAY8l9ucI/AAAAAAAAAJw/MrWZ2ROSHPA/s1600/Viagem+ao+norte+da+Europa+%2528104%2529.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="239" src="http://2.bp.blogspot.com/-3WJNo8QPL4A/TsaAY8l9ucI/AAAAAAAAAJw/MrWZ2ROSHPA/s320/Viagem+ao+norte+da+Europa+%2528104%2529.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center" style="line-height: 150%; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-weight: normal;"&gt;À tarde, posso ver o horizonte aqui da sacada. Sua linha delineando céu e terra. Só não posso ver o mar. Penso que o mar é a minha grande ausência. Há dias em que eu gostaria de ver navios ancorando, ver pescadores lançando redes a partir das embarcações primitivas e a água batendo na areia impulsionada pelo coração do mar. Sinto falta dessa coisa fluída. Desse marulhar a envolver a minha alma... Sinto falta de uma bolha d’água a me abrigar. No entanto, apesar das inúmeras ausências, não me falta imaginação. Desde as encostas frias da minha parede de pedra, meu pensamento cego lança âncoras ao mar. Mergulha nas profundezas dos abismos líquidos e traz à tona os pequenos tesouros esquecidos no fundo do meu mar, do meu oceano interior, tão particularmente navegável. &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Há horas que navegar é preciso e viver não é preciso. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;O mundo é longe. Para, dorme, sonha. Recorda. A memória é a encenação azul do que se viveu, e a vida é água. Queria ter a simplicidade de adivinhar as coisas e intuir o destino do mar, o capricho das ondas espumantes... Mas fico aqui acumulando informações que são transformadas em saberes que não levam a nada e até me arrancam a ternura, não fosse a poesia de Manoel de Barros a me alertar diuturnamente, num tom meigo e aconchegante: "Quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar. Sábio é o que adivinha". Eu queria adivinhar o segredo da flor da violeta que ganhei nesse domingo, a razão&amp;nbsp; dela ter aceito viver num vaso de dez centímetros, tão espremida e tão florida. Por que as pessoas têm a mania de espremer o amor? O casal que passou a noite em uma cama de solteiro sabe o que é isso. O amor aceita qualquer espaço. Por menor que seja. E se ajeita, se adapta, se acomoda e ainda produz flores. E olha eu expondo a flor à luminosidade do sol para que não morra e continue a exprimir "eu-te-amos" e "eu-te-queros" num silêncio de planta quase artificial que esteve exposta numa prateleira de supermercado, longe, muito longe do mar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E olha eu perdida em meus naufrágios. Palavras sopradas sobre a superfície molhada dos meus lábios. O tempo adentrando ao passado, o infinito zunindo, perguntas &amp;nbsp;misturando-se com respostas e, apesar de todo sal na boca, ainda pulsa em mim uma insistente reserva de afeto. Uma insistente vontade de plantar árvores aladas que cresçam até a janela do meu quarto e me saúdem pela manhã com suas flores cor-de-rosa. As árvores são espectros de mim. Sou formada por muitas vidas. Uma delas é um vegetal que sangra raízes pelos veios tintos da terra até chegar ao mar. O próprio mar ausente que me traz à sacada para fumar um cigarro imaginário - porque também não fumo – mas, às vezes, sinto falta do vício que não&amp;nbsp; tive. Seria também uma ausência?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Ah, Deus, esses horizontes me espiando... Esta primavera pondo lírios nos meus braços. Essas borboletas cor de céu! Como é bela a vida tremulando na minha frente! O céu e a terra trançados por frases bucólicas.&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt; É certo que daqui não posso ver o mar, mas minha alma está quase escapulindo para rolar na areia sob a brisa suave do entardecer. E como diria Dostoiévski: "A vida exterior só serve para despertar-nos o que existe nas profundezas..." E minhas profundezas são oceanos refletidos nesse meu olhar de mar roubado, nessa minha lágrima com gosto de sal...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Lucilene Machado&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-7845758692435107052?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/7845758692435107052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/11/meu-mar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/7845758692435107052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/7845758692435107052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/11/meu-mar.html' title='Meu mar'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-3WJNo8QPL4A/TsaAY8l9ucI/AAAAAAAAAJw/MrWZ2ROSHPA/s72-c/Viagem+ao+norte+da+Europa+%2528104%2529.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-9202247997031077824</id><published>2011-11-13T00:13:00.001-03:00</published><updated>2011-11-13T00:14:50.602-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Meu professor de português</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-UlBD_5QTau0/Tr81nZZnJdI/AAAAAAAAAJo/0ANG6AMEh8A/s1600/imagesCA3A229Q.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-UlBD_5QTau0/Tr81nZZnJdI/AAAAAAAAAJo/0ANG6AMEh8A/s320/imagesCA3A229Q.jpg" width="269" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Meu Professor de Português&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Não&amp;nbsp; posso&amp;nbsp; descrever&amp;nbsp; com&amp;nbsp; fidelidade&amp;nbsp; o&amp;nbsp; seu&amp;nbsp; rosto.&amp;nbsp; Há&amp;nbsp; certas minúcias&amp;nbsp; e&amp;nbsp; detalhes&amp;nbsp; que&amp;nbsp; o&amp;nbsp; tempo&amp;nbsp; se&amp;nbsp; encarrega&amp;nbsp; de&amp;nbsp; apagar.&amp;nbsp; Não posso,&amp;nbsp; por&amp;nbsp; exemplo,&amp;nbsp; descrever&amp;nbsp; seu&amp;nbsp; nariz,&amp;nbsp; sua&amp;nbsp; boca,&amp;nbsp; mas,&amp;nbsp; em algum&amp;nbsp; canto&amp;nbsp; do&amp;nbsp; meu&amp;nbsp; cérebro&amp;nbsp; ficou&amp;nbsp; gravado&amp;nbsp; seu&amp;nbsp; olhar&amp;nbsp; míope, suas&amp;nbsp; sobrancelhas&amp;nbsp; cerradas&amp;nbsp; entrecortando-se&amp;nbsp; acima&amp;nbsp; dos&amp;nbsp; olhos. Era um olhar tão grave que eu não ousava desafiar. Ele foi meu professor&amp;nbsp; por&amp;nbsp; um&amp;nbsp; período&amp;nbsp; de&amp;nbsp; três&amp;nbsp; anos.&amp;nbsp; Durante&amp;nbsp; a&amp;nbsp; 5ª,&amp;nbsp; 6ª&amp;nbsp; e&amp;nbsp; 7ª séries,&amp;nbsp; consecutivamente.&amp;nbsp; Excluindo os&amp;nbsp; domingos,&amp;nbsp; eu&amp;nbsp; o encontrava todos os dias. Era mal-humorado, carrancudo e não fazia&amp;nbsp; a&amp;nbsp; mínima&amp;nbsp; questão&amp;nbsp; de&amp;nbsp; cumprimentar&amp;nbsp; os&amp;nbsp; transeuntes. Esboçar um sorriso? Só para as meninas do magistério. Quando elas&amp;nbsp; passavam&amp;nbsp; ele&amp;nbsp; estendia&amp;nbsp; um&amp;nbsp; olhar&amp;nbsp; benevolente,&amp;nbsp; como&amp;nbsp; se tivesse&amp;nbsp; alguma&amp;nbsp; carência&amp;nbsp; afetiva,&amp;nbsp; e&amp;nbsp; sempre&amp;nbsp; exclamava&amp;nbsp; a&amp;nbsp; mesma frase: “ah, se eu tivesse 20 anos...” &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Nessas horas eu chegava a ter&amp;nbsp; pena&amp;nbsp; dele.&amp;nbsp; O&amp;nbsp; silêncio&amp;nbsp; que&amp;nbsp; procedia&amp;nbsp; após&amp;nbsp; a&amp;nbsp; fala&amp;nbsp; parecia avolumar-se&amp;nbsp; dentro&amp;nbsp; do&amp;nbsp; peito,&amp;nbsp; sufocando&amp;nbsp; o&amp;nbsp; espaço&amp;nbsp; interior.&amp;nbsp; Com olhos faiscantes ele destilava sobre nós o veneno da frustração: “Você aí que parece a Belém-Brasília, leia sua redação”. Essa era eu.&amp;nbsp; Às&amp;nbsp; vezes,&amp;nbsp; também&amp;nbsp; me&amp;nbsp; chamava&amp;nbsp; de&amp;nbsp; magricela,&amp;nbsp; quando&amp;nbsp; não, dizia&amp;nbsp; apenas&amp;nbsp; “você&amp;nbsp; aí”.&amp;nbsp; Nunca&amp;nbsp; me&amp;nbsp; lembro&amp;nbsp; de&amp;nbsp; tê-lo&amp;nbsp; ouvido pronunciar o meu nome, nem os de minhas amigas. Será que ele temia&amp;nbsp; criar&amp;nbsp; algum&amp;nbsp; laço&amp;nbsp; mais&amp;nbsp; profundo? Se&amp;nbsp; essa&amp;nbsp; era&amp;nbsp; a&amp;nbsp; intenção,&amp;nbsp; ele conseguiu. Eu mesma cheguei a ter ódio dele. Ódio esse, que eu guardava em sigilo e disfarçava com um sorriso amarelo pra que ele&amp;nbsp; não&amp;nbsp; percebesse. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&amp;nbsp;Mas,&amp;nbsp; quando&amp;nbsp; o&amp;nbsp; rancor&amp;nbsp; silencioso&amp;nbsp; vai&amp;nbsp; se avolumando&amp;nbsp; e&amp;nbsp; transforma-se&amp;nbsp; numa&amp;nbsp; bola&amp;nbsp; enorme,&amp;nbsp; arremessada freneticamente&amp;nbsp; do&amp;nbsp; estômago&amp;nbsp; para&amp;nbsp; a&amp;nbsp; garganta,&amp;nbsp; num&amp;nbsp; ricto nervoso, a gente desrespeita a lei e vomita. Vomita tudo de uma só vez. Eu estava cansada de tanto escrever redação, narração, descrição,&amp;nbsp; dissertação...&amp;nbsp; e&amp;nbsp; todos&amp;nbsp; os&amp;nbsp; “ãos”&amp;nbsp; que&amp;nbsp; ele&amp;nbsp; usava&amp;nbsp; para discriminar&amp;nbsp; os&amp;nbsp; textos.&amp;nbsp; Pior&amp;nbsp; é&amp;nbsp; que&amp;nbsp; nos&amp;nbsp; mandava&amp;nbsp; ler&amp;nbsp; em&amp;nbsp; voz&amp;nbsp; alta. Líamos,&amp;nbsp; e&amp;nbsp; ele&amp;nbsp; criticava:&amp;nbsp; “Precisa&amp;nbsp; melhorar,&amp;nbsp; está&amp;nbsp; faltando&amp;nbsp; a essência”.&amp;nbsp; Quanto&amp;nbsp; tempo&amp;nbsp; vaguei&amp;nbsp; à&amp;nbsp; procura&amp;nbsp; da&amp;nbsp; tal&amp;nbsp; essência! Pensava&amp;nbsp; ser&amp;nbsp; ela&amp;nbsp; um&amp;nbsp; fluído&amp;nbsp; aéreo&amp;nbsp; que&amp;nbsp; eu&amp;nbsp; jamais&amp;nbsp; conseguiria captar.&amp;nbsp; Naqueles&amp;nbsp; três&amp;nbsp; anos,&amp;nbsp; tudo&amp;nbsp; o&amp;nbsp; que&amp;nbsp; aprendi&amp;nbsp; estava relacionado&amp;nbsp; com&amp;nbsp; a&amp;nbsp; produção&amp;nbsp; de&amp;nbsp; textos.&amp;nbsp; Na&amp;nbsp; época&amp;nbsp; eu&amp;nbsp; já&amp;nbsp; sabia&amp;nbsp; o que&amp;nbsp; era&amp;nbsp; cacófato,&amp;nbsp; pleonasmo,&amp;nbsp; ambigüidade,&amp;nbsp; metáfora... entretanto,&amp;nbsp; não&amp;nbsp; sabia&amp;nbsp; diferenciar&amp;nbsp; o&amp;nbsp; objeto&amp;nbsp; direto&amp;nbsp; do&amp;nbsp; indireto. Mas&amp;nbsp; como&amp;nbsp; eu&amp;nbsp; ia&amp;nbsp; dizendo,&amp;nbsp; chegou&amp;nbsp; o&amp;nbsp; dia&amp;nbsp; do&amp;nbsp; vômito.&amp;nbsp; Eu disse vômito? (Céus!&amp;nbsp; Se&amp;nbsp; ele&amp;nbsp; lesse&amp;nbsp; isso...)&amp;nbsp; Era&amp;nbsp; a&amp;nbsp; prova&amp;nbsp; do último bimestre da 7 ª série. Como de costume, ele nos mandou escrever uma redação. Tema livre.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Dissertei sobre o seguinte tema: “O professor que eu quero ter”. Fui fundo. Imersão total. Devolvi a&amp;nbsp; ele&amp;nbsp; a&amp;nbsp; palavra&amp;nbsp; cortante&amp;nbsp; que&amp;nbsp; havia&amp;nbsp; me&amp;nbsp; escalavrado.&amp;nbsp; Devolvi&amp;nbsp; na forma mais aguda das estruturas lingüística. Penso que doeu. Na entrega dos boletins, ele chamou-me à parte. Tremi. As pernas bambearam.&amp;nbsp; Os&amp;nbsp; joelhos&amp;nbsp; chegaram&amp;nbsp; a&amp;nbsp; bater&amp;nbsp; um&amp;nbsp; no&amp;nbsp; outro.&amp;nbsp; Fui capaz&amp;nbsp; de&amp;nbsp; imaginar&amp;nbsp; a&amp;nbsp; expressão&amp;nbsp; da&amp;nbsp; minha&amp;nbsp; mãe&amp;nbsp; observando&amp;nbsp; um zero&amp;nbsp; no&amp;nbsp; meu&amp;nbsp; boletim...&amp;nbsp; como&amp;nbsp; me&amp;nbsp; enganei!&amp;nbsp; Ele&amp;nbsp; havia&amp;nbsp; me&amp;nbsp; dado dez! Apertou minha mão e disse: “Vá em frente, você encontrou a essência.” Descobri, numa fração de segundo que a essência é o&amp;nbsp; conjunto&amp;nbsp; de&amp;nbsp; sentimentos&amp;nbsp; que&amp;nbsp; dá&amp;nbsp; vida&amp;nbsp; ao&amp;nbsp; texto,&amp;nbsp; é&amp;nbsp; a&amp;nbsp; natureza das&amp;nbsp; coisas&amp;nbsp; reveladas&amp;nbsp; na&amp;nbsp; sua&amp;nbsp; intimidade.&amp;nbsp; Essa&amp;nbsp; é&amp;nbsp; a&amp;nbsp; melhor imagem, dele, que guardei na retina da minha memória. Mesmo por linhas tortas, levou-me a tomar gosto pela escrita. E isso é suficiente para eu perdoar meu velho professor de português.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Lucilene Machado &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-9202247997031077824?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/9202247997031077824/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/11/meu-professor-de-portugues.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/9202247997031077824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/9202247997031077824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/11/meu-professor-de-portugues.html' title='Meu professor de português'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-UlBD_5QTau0/Tr81nZZnJdI/AAAAAAAAAJo/0ANG6AMEh8A/s72-c/imagesCA3A229Q.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-6591560049205139294</id><published>2011-10-03T15:23:00.002-04:00</published><updated>2011-10-03T16:07:46.194-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Não esquecer que por enquanto  é tempo de Morangos</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-fScQ4zHjWwo/TooLaK5qL0I/AAAAAAAAAJk/OMHS7LbMfFE/s1600/hora-da-estrela01.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-fScQ4zHjWwo/TooLaK5qL0I/AAAAAAAAAJk/OMHS7LbMfFE/s320/hora-da-estrela01.jpg" width="216" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Não esquecer que por enquanto &amp;nbsp;é tempo de Morangos&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Emprestei esta frase do livro &lt;i&gt;A hora da estrela&lt;/i&gt; de Clarice Lispector. Não é uma frase estratégica, dessas usadas para enganchar o leitor, tampouco foi elaborada para subordinar uma idéia nova. Simplesmente é a última frase do livro. Aquela que &amp;nbsp;pouco será entendida e da qual você se lembrará todas as vezes que comer morangos. E hoje comi morangos, vermelhos e doces, como costumam ser as frutas sazonais. Retirei as folhinhas verdes com cuidado, sentei no sofá e, enquanto comia, ouvia meu pai contar a história do papagaio de seu amigo. Foi um papagaio que apareceu no quintal, sem mais nem menos, e foi ficando, fazendo-se dono do espaço. Gracioso, atrevido e belo foi encantando o dono da casa. Pela manhã dizia bom dia, repetia adjetivos do repertório masculino, repetia nomes, cantava e foi enchendo a casa do homem de palavras. O homem sentiu-se privilegiado ao ter sido eleito por um pássaro. Ria à toa.&amp;nbsp; Comprou comida, construiu uma armação de varetas na varanda para dar guarida ao bichinho, convidou os amigos para conhecê-lo e, nesses encontros, aproveitava para exagerar nos qualificativos sobre o animal. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Enquanto eu enchia a boca de morangos, meu pai enchia a história de poesia, de cores, de penas, de vôos. E eu pensando onde é que ia dar aquela narrativa. Talvez ele quisesse levantar algumas questões para serem discutidas posteriormente. De modo que fui enumerando mentalmente o que faria sentido para uma discussão. Comecei pela solidão do homem, o amor incondicional dos animais, a vaidade do ser humano, o orgulho, a vocação das pessoas para se apossarem do animal alheio... Mas, antes de tudo, eu deveria descobrir se aquela história era uma comédia ou uma tragédia. Os papagaios sempre ilustram as comédias, quem é que não conhece uma comediazinha cujo personagem principal é um papagaio? Mas pela gravidade na voz de meu pai, comecei a temer o futuro do papagaio. Medo e pena. O homem, o papagaio e os morangos ficaram atravessados em minha garganta. Que fim meu pai daria à história? Quero dizer, a história não era dele, era um relato verídico, e a realidade não perdoa, sabemos disso. Olhamo-nos em silêncio. Perguntei a meu pai como o papagaio fora morto. Eletrocutado no fio de alta tensão, disse sem pestanejar. Ficou dependurado por uma patinha. Grudado mesmo. O homem chamou o bombeiro para retirá-lo dali. O bombeiro não veio. Chamou os amigos para tentar desfazer aquela visão grotesca bem na porta da casa, mas ninguém quis se expor ao perigo da alta tensão. Muita gente deu palpites, mas solução, nenhuma. E o corpo do que era um papagaio seguiu esticado no fio, na frase, na história. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Corri para o banheiro com a boca cheia de morangos. Não quis comentar nada. Queria vomitar aquela história infame, mas ela já estava arquivada no meu cérebro, juntinha com a história da Macabea. Devia ser por conta dos morangos. O papagaio, por um instante, era a Macabea. Desprovido de conhecimento, indefeso, apenas repetia o gesto dos outros, as ideias dos outros, e, como ela, gostava de estar em algum canto do mundo, de onde pudesse ver o tempo passar. Macabea, dona de uma alma rala, morreu esmagada por um carro depois de uma cartomante lhe encher a vida de palavras. Ficou caída sobre os paralelepípedos sujos em posição fetal, numa tentativa de abraçar-se a si mesma. Morreu deixando uma vida cheia de promessas que não foram cumpridas. Uma morte que poderia ser evitada. Clarice não quis. Desenrolou oito páginas para a luta muda da personagem que tenta viver. Mas vida e morte ficam tão relativizadas que não sabemos se Macabea está viva ou morta. Na verdade, Clarice nos trai, nos conduz por caminhos oblíquos, nos fragiliza, nos leva para mares nunca dantes navegados, nos faz atravessar a linha limite entre vida e morte como se fôssemos atravessar uma rua e, ironiza, enquanto narradora, dizendo que morre várias vezes só para experimentar a ressurreição. &amp;nbsp;Com pequenas sutilezas, tenta nos jogar para a morte: “os que me lerem, assim, levem um soco no estômago para ver se é bom. A vida é um soco no estômago.” &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Começo a raciocinar, dentro da lógica que me falta, que a literatura é muito perversa. Capaz de manipular a vida e a morte. E até uma idéia furtiva acende detrás do meu pensamento, sinalizando que eu também sou culpada pela morte do papagaio.&amp;nbsp; Por enquanto, só posso dizer &amp;nbsp;que ainda é tempo de morangos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Lucilene Machado &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-6591560049205139294?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/6591560049205139294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/10/nao-esquecer-que-por-enquanto-e-tempo.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/6591560049205139294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/6591560049205139294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/10/nao-esquecer-que-por-enquanto-e-tempo.html' title='Não esquecer que por enquanto  é tempo de Morangos'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-fScQ4zHjWwo/TooLaK5qL0I/AAAAAAAAAJk/OMHS7LbMfFE/s72-c/hora-da-estrela01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-2647067229122309703</id><published>2011-08-28T12:24:00.001-04:00</published><updated>2011-10-03T23:48:39.176-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-ySXZ0dlxyu4/TlprVQMY9MI/AAAAAAAAAJg/nCQjOuKluYE/s1600/2083e4dd7c848d5fc03c20a8cb2647ae19efeea3.jpeg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="241" src="http://1.bp.blogspot.com/-ySXZ0dlxyu4/TlprVQMY9MI/AAAAAAAAAJg/nCQjOuKluYE/s320/2083e4dd7c848d5fc03c20a8cb2647ae19efeea3.jpeg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;imagem: google&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 14pt;"&gt;Ah, o amor... &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;O amor não aprende com o amor, tem sido assim desde sempre. Todos conhecemos histórias lendárias. A literatura nos fornece elementos de sobra para verificarmos as diversas artimanhas que tem o amor para apoderar-se do coração das pessoas. Penélope e Ulisses, Dante e Beatriz, Tristao e Isolda, Romeu e Julieta, Dom Pedro e Inês de Castro... Conhecemos de cor os símbolos pelos quais o amor é representado, o arco, a flecha, o mito do cupido que manipula a flecha até acertar o coração dos mortais, mas é um conhecimento que não produz imunidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;No romantismo, em uma época em que os casamentos eram arranjados, os jovens apaixonados tinham seus finais no segundo ato.&amp;nbsp; Acabavam nos conventos, na miséria, ou mortos. Outro mito, este cunhado pelo romantismo foi o vampiro. Inventado por Byron e ressuscitado atualmente pelo cinema. Um mito que passou por &lt;i&gt;Drácula&lt;/i&gt; de Bram Stocker, como um exercício de libertação, a paixão que nos liberta do eu. As amantes se entregavam completamente ao Conde Drácula, a ponto de lhe oferecer as próprias vidas. Por meio do amor elas se transformavam em um vampiro, de modo que alcançavam a vida eterna. Algo que vai ao encontro do que disse o ensaísta suíço Denis de Rougemont, de que estamos presos à matéria, presos no interior de nossos corpos e a paixão, enfim, permitiria transcender esse aprisionamento carnal. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Rougemont ficou conhecido por escrever no livro &lt;i&gt;A história de amor no ocidente&lt;/i&gt; que “o amor feliz não tem história. Só o amor ameaçado é digno de um romance”. Sem querer polemizar, pergunto: quem já não teve um amor ameaçado ou uma história digna de romance? Se alguém não teve, é melhor ter. Passar por esta vida sem sentir o desejo de escapar de si mesmo e fundir-se com o outro é&amp;nbsp; não ter vivido plenamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Não existe sentimento mais forte do que uma paixão. Algumas são descomunais, terríveis, de derreter os miolos. É arder em febre com lábios e olhos intumescidos e o pensamento se esvaindo como fumaça. É entrar pela porta da lembrança e recordar gestos, pulsações, movimentos e mais uma procissão de acontecimentos que queimam como labaredas. É puro breu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;O consolo é que não somos únicos, sem contar que há narrativas bem piores que as nossas. Não são raras as histórias de amor com finais trágicos. Tristán morre nos braços de Isolda, Julieta nos braços de Romeu. Em Eneida, a rainha Dido se suicida ao ser informada da partida de Enéas. A inteligente Cleópatra, que tinha uma explícita debilidade por generais romanos, presencia o suicídio lento de Marco Antônio na tumba que dividiu com ele. Por causa de um tremor no coração de um homem, Tróia é destruída e junto com ela uma lista de homens ilustres (Heitor, Aquiles e o próprio Páris...) seduzidos pela magia de Helena. Não é à toa que a paixão nos amedronta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&amp;nbsp;As histórias são tantas que não há um único ser humano que já não tenha se dedicado à leitura do tema, ou pelo menos dedicado à temática boa parte de seus pensamentos. Todos temos nossas próprias histórias para contar, nossas pequenas tragédias, nossas paixões concretas, escondidas, recolhidas que tocaram o céu, ou o inferno em algum momento. Mas, apesar da nossa pretensa experiência, o amor continua a ser matéria obscura, o reino da confusão e do enigmático. Continuamos a padecer das mesmas ingenuidades, a esperar durante horas por uma chamada telefônica que não chega, a gemer de raiva por sentir fraqueza, frenesi e ser capaz de oferecer ao outro o sacrifício de sua própria inteligência, para não dizer que emburrecemos quando nos apaixonamos. Outras vezes sentimo-nos ridículos, alienados ou envolvidos num amor perverso do qual já se prevê o final: desgraça.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;O problema é que somos seres tão pobres, tão precários, tão pequenos, tão egoístas, tão centrados em nós mesmos, em nosso próprio umbigo que não sabemos mensurar o amor. É possível que não saibamos amar. Muitas vezes sepultamos o amor em nome de nossa covardia, nossa vaidade, nossas dúvidas. Acostumamo-nos ao óbvio, ao que pode ser manipulado, às falsas estruturas da compreensão que estão sob o nosso controle como uma forma de preservar nossa condição de seres suscetíveis a paixões malsucedidas.&amp;nbsp; Mas uma hora dessas a flecha nos acerta no primeiro ataque, os riscos envolvidos são grandes, entretanto, recordando os versos de um poeta português que já quase um &amp;nbsp;clichê, sempre vale a pena se a alma não é pequena.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Lucilene Machado &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-2647067229122309703?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/2647067229122309703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/08/normal-0-21-false-false-false-es-x-none.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/2647067229122309703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/2647067229122309703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/08/normal-0-21-false-false-false-es-x-none.html' title=''/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-ySXZ0dlxyu4/TlprVQMY9MI/AAAAAAAAAJg/nCQjOuKluYE/s72-c/2083e4dd7c848d5fc03c20a8cb2647ae19efeea3.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-1494294312826425196</id><published>2011-07-29T18:32:00.000-04:00</published><updated>2011-07-29T18:32:49.026-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>MULHERES DE IDADE MÉDIA</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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font-size: 11pt;"&gt;MULHERES DE IDADE MÉDIA&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/h4&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="margin-right: -1.4pt; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;MS Reference Sans Serif&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt;"&gt; &lt;br /&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Chega uma idade em que vamos recuando, vamos ficando longe da linha de ataque, vamos enterrando os sonhos nas trincheiras, limpando o pó de alguma ternura boba e nos conformando com as migalhas que sobejaram das ilusões. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="margin-right: -1.4pt; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;MS Reference Sans Serif&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Chega uma idade em que aprendemos a desistir, esquecer... calar. Vamos nos habituando a conviver com nossas mordaças, nossas amarras... De que vale a liberdade se conhecemos tão pouca gente livre?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText2" style="line-height: normal; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;MS Reference Sans Serif&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Chega uma idade em que vamos escondendo o romantismo nas fronhas dos travesseiros e nos contentando com o prazer efêmero com hora marcada para acontecer. Acomodamo-nos a um gozo mecânico sem a sonoridade dos “eu-te-amo” e dos “para sempre”. Aprende-se técnicas, métodos, estratégias racionais capazes de desentranhar a libido e compensar o amargo na boca. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText2" style="line-height: normal; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;MS Reference Sans Serif&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Aos poucos, vamos escondendo nossos tentáculos, vamos nos adaptando aos ditames da razão, obedecendo aos assobios, às leis primárias e ficando quietas em nossas menopausas sem mais questionar os “que teria sido se...”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: -1.4pt; text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;MS Reference Sans Serif&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;A gente se habitua com um jeito sem jeito de ser conquistada. Um jeito sem festa, sem brindes, sem flores... um jeito prescrito que não esconde grandes surpresas. Falta criatividade e persistência, mas a gente aprende a viver sem o exercício da arte de seduzir e sem os remorsos da carne. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText3" style="line-height: normal; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;MS Reference Sans Serif&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Chega um tempo em que a gente se obriga a compreender a teoria da relatividade, objetividade, contabilidade... tudo tem um preço. Tudo envolve perdas. Que importa? A esta altura, dominamos a arte de perder sem muitas dificuldades. Somos mulheres equilibradas e fortes. Sabemos esconder dores sem precisar disfarçar cansaços. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: -1.4pt; text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;MS Reference Sans Serif&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Acostumamos-nos às mentiras puídas e acreditamos nas palavras para não comprometer momentos de ternura. Não porque momentos sejam poucos, mas porque viver é uma arte, a arte de acreditar. A realidade que se acredita é a mais real do mundo. Em nenhum tempo se está preparado para conviver com a franqueza. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: -1.4pt; text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;MS Reference Sans Serif&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Chega uma idade em que descobrimos que podemos perfeitamente viver sem grandes amores. O amor é parte da vida, mas apenas uma parte, e aquela história de ser tão indispensável quanto o ar que se respira é para os compêndios literários. Por mais que a idéia nos desagrade ou entristeça, grande parte das pessoas não vive ou não tem um grande amor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText3" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;MS Reference Sans Serif&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;Dia chega em que nos conscientizamos de que vida e morte são fatores biológicos. Independem da nossa participação. Que coragem e covardia têm similaridade. Que a vida jogou conosco. Que nossa história não tem nada de extraordinário, porque todas temos a mesma história para contar. Histórias que ouvimos femininamente comovidas até morrermos, profundamente desabitadas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText3" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText3" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;MS Reference Sans Serif&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt;"&gt;Lucilene Machado &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;MS Reference Sans Serif&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-1494294312826425196?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/1494294312826425196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/07/mulheres-de-idade-media.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/1494294312826425196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/1494294312826425196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/07/mulheres-de-idade-media.html' title='MULHERES DE IDADE MÉDIA'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-6_2vXr18YMM/TjM0cM1EoUI/AAAAAAAAAJU/NPRArFBMGfI/s72-c/Viagem+ao+norte+da+Europa+%252824%2529.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-4204574052437003677</id><published>2011-07-18T14:56:00.000-04:00</published><updated>2011-07-18T14:56:32.706-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;De esperança e outros conflitos&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Eu e minha esperança temos uma relação tumultuada. Não sei por que me permito. Não sei por que vivo fiando saudades num tear que não me pertence. Eu não sou Penélope e posso sim sair de mim na hora em que eu quiser. Não recebi nenhuma herança poética, nenhum verso grego foi deixado nas páginas da minha ficção. Tampouco fui amada por algum Ulisses. Minha vida é um texto comum que não quer dizer nada. Nem deslumbrante, nem original. Não é tragédia, nem comédia. A narrativa escorre lenta desde o amarelo do sol até o azul cinzento da noite. Não é uma epopéia, mas tem amor. Porque o amor é coisa dos sós. É sentimento que nasce nos parágrafos mais insignificantes e vai se apossando das linhas, entrelinhas e até do que não foi premeditado. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Às vezes paro para me assistir. No primeiro ato, eu com minhas máscaras sutis, com meus instrumentos de sedução, minha trilha sonora, minha sede, meus desejos, minha fábrica de construir sonhos. Eu atando as linhas das palmas das mãos, costurando um destino perfeito, pulsando motivos no santuário da beleza e ouvindo o ritmo da noite embaixo do travesseiro. Não há dúvidas de que o amor é espiritual, sagrado e tem qualquer coisa de sobrenatural. Deus seja louvado, repito para mim diversas vezes.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;No segundo, eu cheia de palavras desesperadas, pronunciando nomes de coisas tristes, perdida nos ecos dos meus próprios gritos, inconformada com as migalhas&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;que as pessoas estão habituadas a dividir e com o pouco que elas estão habituadas a esperar. Eu com hemorragia, vendo a tinta vermelha &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;jorrar do útero e escorrer pelas &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;pernas. O seio inchado, a boca amarga, as veias trançadas embaixo da pele, a alma em pus. Não há dúvidas de que o amor é escatológico, inóspito, serve-se das palavras para gangrenar a verdade sagrada, além de entregar a cabeça da esperança numa bandeja para ser servida com o vinho da tristeza. Pai... afasta de mim esse cálice, repito quase sem forças.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;No terceiro ato, me vejo recolhida em minha casa de caracol, resiliente, consciente de que muita coisa se perde pelo caminho nessa grande viagem que é a vida. E que tudo o que se perde não é tão importante, existem outros caminhos a serem explorados, outras possibilidades de viagens; que não vale a pena permanecer no deserto dos labirintos invisíveis e, talvez seja interessante dar teto a um pensamento novo. Puxo automaticamente a linha quase invisível da esperança, o fiapo minúsculo &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;enganchado em qualquer frase seca e o vou entrelaçando, em cores cruas, com a linha central de um novo poema. Deus, que agora seja para sempre.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Mas a verdade é que já não quero viver nesse ciclo vicioso. Quero sair. Como fugitiva que seja. Quero sulcar as paredes tortas dessa legalidade instaurada sobre mim. Não quero carregar esse paradoxo de bendição/maldição... quero fechar as portas à minha natureza. O amor me cansa. Quero andar descalça sem cortar os pés, quero o silêncio, as flores, a alquimia das cores... quero asas para perambular, campear minha sina, e que a esperança me deixe em paz, de uma vez por todas, amém. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-4204574052437003677?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/4204574052437003677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/07/normal-0-21-false-false-false-es-x-none.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/4204574052437003677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/4204574052437003677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/07/normal-0-21-false-false-false-es-x-none.html' title=''/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-J7PD2uEi0pQ/TiSBUvuw3II/AAAAAAAAAJQ/d2kFoptPc2Q/s72-c/corazon.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-614288429630974692</id><published>2011-06-29T20:40:00.000-04:00</published><updated>2011-06-29T20:40:58.645-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Como nos anos anteriores, o início da estação é uma página em branco contornada pelo silêncio da espera. Espera-se que o frio chegue de uma vez, que a chuvinha fina e gelada molhe os portais das casas, que o vinho adoce a nossa boca e que a linguagem do amor adquira, nos corpos, uma estampa mais secreta. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Espera-se também a chegada dos ventos uivantes, vindos lá do sul, carregados de mensagens cifradas, de pequenas confissões, pequenas surpresas... O inverno é uma época propícia ao amor, aos reencontros, ao acasalamento. Tudo parece mais romântico. Lareira, filmes, pipoca, mão nas mãos, sofá, cobertores, abraços... as relações ganham novas sugestões e novos significados. Mas também é uma época propícia às recordações e à saudade. No inverno as coisas se deslocam, mudam de lugar. O que parecia esquecido, enterrado, pode voltar a incomodar, às vezes até a doer. Porque no inverno é muito provável você vir a padecer de um frio por dentro. Uma moléstia que não mata, mas faz doer ossos e articulações. Deixa muita gente desesperada atrás de um medicamento, um paliativo, uma palavra, qualquer coisa para amenizar esse mal que não tem nome, não consta nos prontuários, mas incomoda feito reumatismo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Quem, porventura, já não teve algum nome tatuado na carne viva da memória? Quem já não arquivou em alguma parte do coração uma história ficcional na qual se sentiu plenamente amado? Temos uma facilidade enorme para inventar memórias, algumas mais fortes que a realidade. Tão fortes que nunca saem de nós. Até o coração anda mais depressa quando essas memórias se aproximam do real, é uma aceleração intensa que chega a assustar. Com o passar dos anos aprendemos que a realidade é apenas uma coincidência defasada entre tempo e espaço, que a ficção, sem cuidado e sem juízo,&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;já havia se antecipado e criado roteiros muito mais originais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Ando namorando uma idéia original para ficcionalizar um romance. A narrativa, ao modelo realista-romântico, tem o aval do meu coração pulsante e resistiu já a várias noites de sono. O cenário é a Espanha, o tempo é um futuro próximo (2058, por exemplo) e começará pelo meio. Meio do caminho de Santiago. Ele, um caminhante de visão profunda e espiritual, ela uma fotógrafa que vive das imagens e nem sabe quem foi apóstolo Santiago. Embora pareça ser apenas imaginação, os protagonistas cumprem com os requisitos mínimos das histórias reais. Será em um contexto onde as pessoas rejeitarão tudo o que for insólito, original e não-programado. A vida será totalmente pré-estabelecida. A moça, por exemplo, é fruto de uma barriga de aluguel e teve todas as características traçadas antes do nascimento. Da cor dos olhos à escolha da profissão, tudo previamente antecipado, confirmando que os encontros não previstos, nesse futuro, terão raras chances de se concretizarem. No entanto, a história que estou inventando terá final feliz, os dois se encontrarão na catedral de Compostela e de lá sairão com o intuito de dar um basta ao destino pré-traçado e começar uma nova história criada por eles.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;No fundo, eu sei que a idéia não é assim tão original, e já deve ter sido explorada em muitos romances, mas o difícil é explicar isso ao meu coração que já anda a galope traçando várias possibilidades de caminhos. Interromper seu percurso poderia provocar um acidente vascular. &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;A solução, por hora, é o equilíbrio dessa linha que relativiza real e ficcional, até que chegue a primavera e eu possa então voltar a viver a coincidência tardia da realidade. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-614288429630974692?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/614288429630974692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/06/normal-0-21-false-false-false-es-x-none.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/614288429630974692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/614288429630974692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/06/normal-0-21-false-false-false-es-x-none.html' title=''/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Ot-VyUSGkSk/TgvFjxv22HI/AAAAAAAAAJM/k5KAtjg_LIw/s72-c/inverno.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-5682560987748227461</id><published>2011-06-16T12:55:00.000-04:00</published><updated>2011-06-16T12:55:10.264-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>FORMIGAMENTOS</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;FORMIGAMENTOS&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Depois que vi &lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;o interior de um formigueiro, passei a ter muito mais respeito pelas formigas. Foi em um zoológico. Estava dentro de uma grande vitrine que permite ao visitante observar a engenharia e a beleza de uma sociedade extremamente organizada e limpa. As tarefas são divididas entre as castas e cada uma cumpre instintivamente o seu papel sem nenhuma espécie de liderança. As formigas soldados, por exemplo, tem a obrigação de cuidar do formigueiro e, inclusive, diferem-se das operárias por terem partes do corpo maiores, principalmente a cabeça e as mandíbulas. As operárias fazem o trabalho pesado como construir o ninho, coletar comida e água, limpar a casa, alimentar as larvas, os poucos machos - pois as fêmeas são maioria – além da rainha. Esta tem um porte físico mais avantajado e uma pré-disposição hormonal para desenvolver um aparelho reprodutor e por isso assume o posto mais elevado. Em uma colônia podem surgir várias formigas com esse biótipo. São as rainhas virgens que durante a primavera voam do ninho, com os machos, para acasalar. É a chamada revoada. Após o coito, o casal perde as asas e retorna ao solo, a fêmea, então, cava um buraco para iniciar a criação de sua própria colônia. Para as espécies sem revoadas, uma das rainhas abandona seu formigueiro, acompanhada de algumas operárias, e funda uma nova colônia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Saí do zoológico me sentindo estranha. As formigas perturbaram o meu espírito. Mais que isso: diluíram os meus conceitos sobre a vida em uma infusão incolor. Tudo é instinto. O conhecimento das formigas está armazenado em seus cérebros, deixados em quarentena, e no momento certo elas agem sem que ninguém tenha que determinar nada. Pensei no instinto perverso dos humanos e em nossa pobre estética existencial. A vida humana nunca terá essa elegância&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;porque a nossa natureza é egocêntrica. Pode ser que toda a nossa desgraça esteja no interior desta palavra: egoísmo. Talvez não. Talvez eu seja pessimista por demais e o homem consiga algum dia seguir os ditames de sua própria essência, consiga olhar o mundo como um fenômeno estético, consiga se relacionar, respeitar, cumprir com o seu papel... Aceito isso com tanta indiferença que pareço uma pessoa sem fé. Eu tenho fé, apesar de algumas vezes vê-la&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;estraçalhada pelo gume da verdade. Foi o que me ocorreu diante do formigueiro. Voltei tão vazia. Comparava cada ato humano com a política das formigas e elas sempre saiam vencedoras. Com exceção ao fato de ter de alimentar o macho, elas estão bem mais próximas da perfeição. Fiquei com medo de desejar ser formiga -­ no fundo eu já estava desejando – fiquei com medo do desejo crescer, tomar forma, invadir a corrente sanguínea a ponto de eu ter de contar ao psicanalista minha obsessão pelos insetos. Certamente, o psicanalista faria um recorrido sobre o assunto, avaliaria minhas carências e talvez propusesse um tratamento de choque... Não.&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Fiz um pacto comigo: nunca mais visitar a casa das formigas e nem pensar sobre o assunto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Ocorre que hoje pela manhã encontrei uma formiga solitária caminhando sobre a pia. Meu instinto humano armou-se das armas letais que se pode encontrar numa cozinha, para matá-la. O legado de higiene que herdei de minha mãe imediatamente sinalizou: perigo a vista! Mas no momento em que meu cérebro estabeleceu relações entre a cena e a minha memória afetiva, encontrei uma explicação simplista favorável à sobrevivência da formiga. Esta, a julgar pela cabeça, devia ser uma rainha solteira que se perdeu do macho. Eles são sempre distraídos. Ou talvez o macho estivesse inerte, sem asas, caído em alguma cova, depois do acasalamento, e ela, como sexo forte, saiu a procurar comida. Provavelmente já estava enxertada de um formigueiro todo, e eu não apenas iria matar uma formiga, mas uma legião delas. Corri na geladeira e peguei sobras de arroz cozidos e espalhei sobre a pia limpa. Não foram muitos, uns dez grãos. Logo a formiga solitária abraçou-se a um deles, o dobro de seu tamanho, e seguiu ofegantemente com o corpo que ora se debruçava para esquerda, ora para direita. Às vezes caía no vazio do granito e voltava outra vez o mecanismo do vaivém interminável, a cadência, o avanço, parecia entregue a uma força que ela mesma provocava e recebia. Havia prazer naquele ato. Disso eu estou segura. Naturalmente tive que atender a outros setores da casa e quando voltei já não havia mais formiga, tampouco arroz. Teria ela convocado as amigas? Teria ela carregado solitariamente todos os grãos? Por minha cabeça passou uma idéia tosca de que a formiga poderia ter vários parceiros esperando comida. Claro, uma formiga pode ter vários amantes. E aí volto à questão do prazer em carregar a comida. Muita comida, muita festa, muitos machos. ( De onde tirei esse raciocínio maluco?)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Por ora, é melhor esquecer esse assunto, creio que estou tendo formigamentos no cérebro. Para minha sorte é quase inverno e todas as espécies de formigas já estão recolhidas em seus lares desfrutando da comida que armazenaram no decorrer das estações. Também fechei minhas portas embora a minha espécie continua desprovida de comida, água e segue sofrendo de solidão.&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Lucilene Machado &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-5682560987748227461?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/5682560987748227461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/06/formigamentos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/5682560987748227461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/5682560987748227461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/06/formigamentos.html' title='FORMIGAMENTOS'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/--XaIgjteQF8/Tfo1BcQNL5I/AAAAAAAAAJI/kRFXPs5o6WQ/s72-c/3725421667_eee1d69d44.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-7948370936662002700</id><published>2011-05-07T16:35:00.001-04:00</published><updated>2011-05-07T19:29:05.691-04:00</updated><title type='text'>EU CRESCI DEMAIS</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-6aZli70dJsk/TcWsgts4AWI/AAAAAAAAAJE/GZIOCFEmT-o/s1600/imagesCAPXP7XR.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="231" src="http://4.bp.blogspot.com/-6aZli70dJsk/TcWsgts4AWI/AAAAAAAAAJE/GZIOCFEmT-o/s320/imagesCAPXP7XR.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;EU CRESCI DEMAIS&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Você olha pra mim e pergunta como estou. Nem sei o que responder, porque no fundo você sempre sabe como estou. Você sempre soube e por mais que eu queira vestir os meus disfarces, jamais vou conseguir lhe convencer. Você conhece a nudez da minha alma, conhece a verdade desses meus rabiscos e diz que eu não mudei, que &amp;nbsp;não mudei nada, que continuo tendo pensamentos furtivos como na adolescência, quando escrevia nomes na vidraça embaçada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Ri-me disso. Ri por fora, porque por dentro eu chorei e acho que até molhei os olhos. Você não quis dizer que eu também escrevia nas paredes e até nos móveis velhos da minha avó... mas eu me lembro muito bem. E, perdoa-me por discordar: eu mudei. Eu mudei demais! Aquela menina saiu de mim num sábado qualquer e foi levada por um vento qualquer para um lugar qualquer e eu nem sei direito quando foi.&lt;br /&gt;Talvez tenha sido naquela primeira vez que pintei a boca, raspei as pernas e coloquei sapatos de salto, já com o nítido desejo de ser outra. E todos perceberam a mudança: "Nossa como você cresceu! você já é uma mulher e nem havíamos percebido." E eu quis ser essa mulher grande. Quis crescer... crescer.. &amp;nbsp;até atingir o ápice das fêmeas. Você sabe como é, eu quis viver a essência, eu quis ser mulher até a última gota, excessiva, inteira... que vive, atinge, conhece e carrega dentro de si a fertilidade de fazer as coisas nascerem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;E isso eu consegui. Quantas coisas foram geradas dentro de mim. Quantos momentos de ternura concebi! Quantos sentimentos nobres foram embrionados no meu ventre! Quantos partos eu tive! E foram todos partos com dor. Essa dor de fêmea, profunda, violenta que nos foi destinada, penso, por castigo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Aí você me olha com esse seu jeito de mulher latina, entendendo a razão da minha fragilidade e da minha falta de ar... E eu a olho sentindo saudades do tempo em que eu cabia inteira nos seus braços sem ter essa compreensão do tamanho das coisas, quando cada partícula sua era tão grande que preenchia todos os meus espaços vazios... sinto saudades do tempo em que você era capaz de resolver todos os meus problemas e ainda se sentava na máquina e me costurava um vestido novo! E eu ficava sentada no chão recortando retalhos coloridos e a coisa mais nostálgica da qual me lembro era que você conseguia sorrir com agulhas entre os dentes.&lt;br /&gt;É, eu cresci demais! Mas não tanto que não precise da sua ajuda. Não tanto que não tenha a coragem e a audácia de lhe dizer outra vez: ajude-me a parir mais este fôlego de vida! E, bendito seja o fruto do nosso ventre, amém!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;Lucilene Machado&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-7948370936662002700?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/7948370936662002700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/05/eu-cresci-demais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/7948370936662002700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/7948370936662002700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/05/eu-cresci-demais.html' title='EU CRESCI DEMAIS'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-6aZli70dJsk/TcWsgts4AWI/AAAAAAAAAJE/GZIOCFEmT-o/s72-c/imagesCAPXP7XR.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-9220897422512375320</id><published>2011-04-15T21:39:00.000-04:00</published><updated>2011-04-15T21:39:49.704-04:00</updated><title type='text'>NO SILÊNCIO DAS RETINAS</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-RcA6JP5aL1w/Tajy87S6BEI/AAAAAAAAAJA/6u9SDQZEnck/s1600/images.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-RcA6JP5aL1w/Tajy87S6BEI/AAAAAAAAAJA/6u9SDQZEnck/s1600/images.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: center; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: center; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: center; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Bookman Old Style&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;NO SILÊNCIO DAS RETINAS&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Blockquote" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Bookman Old Style&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-weight: normal; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Hoje nos deitamos ao mesmo tempo. Há dias em que me deito antes só para ter o prazer de fantasiar, enquanto tu caminhas pela casa e organizas trabalhos dos dias vindouros, disponibilizando tempo para nossos passeios com o cão, nosso olhar estrelas no terraço, cinema, lentas danças, caminhadas pelas avenidas floridas (nosso amor é como cacho amarelo de jasmim), refeições luminosas e tantas outras coisas tão nossas que ninguém saberia senti-las. Depois vem aquela sensação quase infantil de ouvir teus passos se aproximando, sentir teu cuidado ao me cobrir, a ternura doce ao beijar meus cabelos e ajustar-te ao meu corpo, na certeza de não atrapalhar meu sono. E eu finjo, finjo dormir, só para estar desprovidamente entregue aos teus cuidados. &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Bookman Old Style&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Blockquote" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Bookman Old Style&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-weight: normal; line-height: 150%;"&gt;Logo, sinto tua respiração na minha nuca e tento resistir, mas nenhuma promessa de sono seduz mais que o toque do teu pé por baixo do lençol. Uma intimidade que me revira, e eu vou me encostando, me roçando nos teus dedos, corpo manhoso e feiticeiro num jogo secreto de quer-não-quer, vem-não-vem, faz-não-faz... Sinto cheiro de terra, de algas no fundo do mar, noite se desintegrando, átomos dispersos e os calmos despojos do amor. Para sempre as nossas mãos amalgamadas. Para sempre as promessas. Chuvas secretas de teus lábios, és meu, sou tua. &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Bookman Old Style&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Blockquote" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Bookman Old Style&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-weight: normal; line-height: 150%;"&gt;No entanto, em dias como hoje, quando tudo foi premeditado, fica essa desarrumação. Garrafa de vinho embaixo da cama, taça embaixo da torneira, pé de sapato perdido, cadê a roupa? E a gente transpirada, com preguiça de tudo, meio rouca, meio mole... e tu, como um menino, encolhido nos meus braços, transpirando cansaço, sonhando o sonho dos bem-aventurados. Aqui neste quarto tecemos o fio de nossa história. Cada célula é um poema. Amo-te tanto, que tento lembrar uma canção de ninar para te aninhar no meu abrigo. Amanhã quando as flores se abrirem ao orvalho das pétalas, na hora em que as calêndulas se colorirem com um amarelo-luz e o sol perfurar os telhados das casas e entrar pela nossa janela, tu te levantarás da cama devagar e com olhar de silêncio tocará a porta da minha alma. Sempre ouço a voz do teu coração, mesmo quando ela tem escalar o vento dos oceanos e esticar-se toda no infinito para me fazer acordar deste sonho.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Bookman Old Style&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;MS Reference Sans Serif&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;MS Reference Sans Serif&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Lucilene Machado &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;   &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-9220897422512375320?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/9220897422512375320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/04/no-silencio-das-retinas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/9220897422512375320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/9220897422512375320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/04/no-silencio-das-retinas.html' title='NO SILÊNCIO DAS RETINAS'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-RcA6JP5aL1w/Tajy87S6BEI/AAAAAAAAAJA/6u9SDQZEnck/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-8342159932530485294</id><published>2011-04-03T20:56:00.000-04:00</published><updated>2011-04-03T20:56:19.925-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>O SONHO QUE NÃO ERA MEU</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-RJe-emHbexk/TZkWzmKxakI/AAAAAAAAAIw/iXN9BPjJvVo/s1600/images.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" r6="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-RJe-emHbexk/TZkWzmKxakI/AAAAAAAAAIw/iXN9BPjJvVo/s1600/images.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O SONHO QUE NÃO ERA MEU &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sonhei que viajava em um trem antigo por entre paisagens belíssimas, formadas por rios, montanhas e uma vegetação em várias tonalidades de verdes. O cheiro de natureza penetrava pelas narinas e fazia brotar dos pulmões uma sensação de felicidade gratuita. De repente, olhei para frente e percebi que no trem não havia maquinista, tinha ao invés disso um cavalo que corria até o comboio alcançar determinada velocidade (como no modelo de carro dos flintstones) e depois entrava em uma espécie de cabine, de onde seguia contemplativo, como um militar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vi pela janela que entre a tal cabine e os vagões havia um engate enorme de ferro . Vi também que estávamos próximos a uma estação e que pela lógica teríamos de parar. Mas como? Quem? O cavalo não daria conta de frear na velocidade em que corríamos. Olhei nos vagões detrás se havia algum passageiro, alguém que soubesse onde se localizava os freios... Gritei com toda a força dos pulmões, como costumamos fazer nos sonhos e nada, não havia ninguém, éramos eu e o cavalo e a estação se aproximando. Eis que no momento exato em que o trem ia descarrilar, devido às bifurcações dos trilhos, tive um instinto de Magaiver. Pequei um ferro grande e pesado, amarrado em uma das paredes do vagão, saltei a janela e introduzi o ferro no parte frontal do vagão. O ferro foi raspando as linhas e pouco a pouco o trem foi parando no lugar que deveria parar. Imediatamente o cavalo saltou e se esticou todo tentando beber água. Saltei também e retirei a parte dianteira do arreio para que ele pudesse sanar sua sede. Logo depois, ele roçou a cabeça em mim como uma forma de carinho, e eu senti uma cumplicidade muda que impediu que o sonho e a viagem terminassem ali. Retornei ao trem, que agora estava lotado. Funcionários da estação tentavam arrumar espaço para malas e mochilas, momento em que eu percebi que os passageiros do meu vagão eram os amigos que eu fiz no último ano. Uns mais íntimos, outros mais distantes, porém todos amigos. A estranheza é que ninguém me reconhecia. Eu era neutra. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O trem apitou, o cavalo começou a correr até a velocidade do insuportável e entrou novamente na cabine. Dessa vez me olhou e abanou o rabo, o que me fez pensar que, na próxima estação, eu teria de voltar a usar o “freio”. Olhei para aquela gente toda e imaginei que alguém iria se dar conta de que estávamos em um trem sem maquinista, mas eles sorriam, falavam alto, admiravam a paisagem... e nada de olharem para frente. Fui pescando uma palavra aqui, outra ali e descobri que todos iam a um hospital, que não era tão longe, para acompanhar o mais velho deles que iria passar por um procedimento cirúrgico. Imediatamente, eu quis saber o que estava passando, se meu amigo sentia dores, se a moléstia era grave... mas não me ouviam, sequer me viam. Percebi que eu era invisível e com exceção do cavalo, ninguém se dava conta da minha presença. Sem saber qual atitude tomar, sentei-me desconsolada no chão e observei, com certo orgulho, a iniciativa de meus amigos. Jamais havia visto, em vida ou em sonho, um grupo de amigos acompanhar um doente que ia ser operado. Meu amigo enfermo estava radiante e fazia planos para depois da alta. Estava completamente seguro de que tudo iria sair bem. Obviamente, estavam todos respirando aquele mesmo ar de felicidade e com toda a energia positiva proveniente dos amigos, eu também estava segura do êxito. Só não estava segura de fazer parte do meu próprio sonho. O protagonista era outro. Os coadjuvantes também e eu sofria a lenta agonia de estar à margem, enquanto o sonho cortava horizontes pelos trilhos adentro. Lembro-me que até cochilei. Entretanto fui despertada pelo relinchar do cavalo como anuncio da próxima estação. Fiquei esperando que alguém pudesse frear o trem. Àquelas alturas, o sonho já não era mais meu, eu era apenas uma intrusa invisível. Por certo algum passageiro já havia tomado o trem antes e conhecia os procedimentos. Mas, que nada! A estação se aproximava e todos permaneciam tranqüilos em seus assentos. Ao ver que o choque seria inevitável, corri a soltar o ferro da parede, saltar a janela e repetir a mesma coisa ainda mais rápido que a primeira vez. Por um triz não chocamos com prédios e árvores, mas ninguém pareceu se importar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Meus amigos desceram com sorrisos e mochilas. Subiram uma escada de concreto que devia levar ao hospital. Eu fiquei olhando até o último desaparecer na curva do meu olhar. Gritei, desejei sorte e por fim chorei por não suportar a angústia de ser invisível. Aos poucos fui despertando com uma sensação muito estranha e fui me conscientizando de que não havia trem, nem cavalo, tampouco eu era invisível. À medida que fui recobrando minha identidade, me parecia evidente que eu havia sonhado um sonho alheio. Aquele sonho era do meu amigo que vivia o papel do doente e eu deveria telefonar e lhe devolver o sonho, e ele que decidisse o que fazer com toda aquela felicidade, com todos aqueles amigos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Enquanto tomava café pensava em como dizer isso a ele. Por certo ele iria responder: “só você para ter essas idéias, se foi você que sonhou, o sonho é seu”. Ou talvez fosse se irritar, afinal ele era o doente, poderia soar mau augúrio, azar... Decidi que não. Mas o dia custava a passar, a todo momento me voltava o sonho, o trem, o cavalo, os amigos. Tentei me livrar deles e nada! Eu tinha um sonho que não me pertencia e não gosto de ter nos compartimentos do meu cérebro, coisas que não me pertencem. À noite liguei no telefone celular do meu amigo e estava desligado. Liguei na casa, ninguém atendeu. A angústia cresceu, senti medo de dormir e sonhar novamente o sonho alheio. Fiquei em vigília esperando o dia amanhecer e novamente o chamei. Dessa vez uma voz feminina atendeu e eu fui logo dizendo que queria falar com meu amigo, queria lhe devolver algo. A mulher me disse que não seria possível, pois ele havia sido operado naquela noite e convalescia no hospital. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Do sonho surreal sobrou um inseto zumbindo em meu estômago como uma pesada digestão. Não tenho a pretensão de decifrar esse complexo enigma, como diz Fernando Pessoa entre o sono e o sonho corre um rio sem fim. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-8342159932530485294?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/8342159932530485294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/04/o-sonho-que-nao-era-meu.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/8342159932530485294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/8342159932530485294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/04/o-sonho-que-nao-era-meu.html' title='O SONHO QUE NÃO ERA MEU'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-RJe-emHbexk/TZkWzmKxakI/AAAAAAAAAIw/iXN9BPjJvVo/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-2750998546125263675</id><published>2011-03-19T00:13:00.002-04:00</published><updated>2011-03-19T00:14:46.693-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>PROCURA-SE UM CÃO</title><content type='html'>&lt;div align="center" style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh3.googleusercontent.com/-tVha3Q76dIU/TYQtAsmwNVI/AAAAAAAAAIs/76RjcMOqNO4/s1600/CHOW+I.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="282" src="https://lh3.googleusercontent.com/-tVha3Q76dIU/TYQtAsmwNVI/AAAAAAAAAIs/76RjcMOqNO4/s320/CHOW+I.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;PROCURA-SE UM CÃO&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Vi na marquise de uma das paradas de ônibus da calle Menendez Pelayo o anúncio de um cão desaparecido. O que não deveria ser motivo para uma crônica. Mas, ficar calada é uma ciência por demais complicada para mim no exercício de viver em um tempo intenso e quase sem substância. Talvez o meu prazer seja mesmo essa vida menor. Essa que não tem destaque nos jornais, que é alternativa e um pouco rebelde. Uma vida comum de café com vizinhos, pão na padaria, poesia na rua... uma realidade de gente que, como eu, usa transporte público, guarda-chuvas e sapatos baixos, e às vezes, por uma distração qualquer, perde um cão da raça chow chow, cor camurça, pelos suaves, orelhas pequenas e redondas e um colar na parte superior da cabeça, o que lhe dá o aspecto de um leãozinho. Boa gratificação a quem encontrá-lo, &lt;u&gt;crianças sofrendo&lt;/u&gt;, ressalta o cartaz, além de &amp;nbsp;acrescentar que o cão tem a língua negro-azulada, o que pode ser um detalhe importante para alguém que, como eu, só teve na vida legítimos cães vira-latas de língua vermelho-esbranquiçada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Entrei no ônibus com o contorno do animal na cabeça, pensando que poderia ser emocionante tropeçar com ele e dar alegria a uma família. Desde a janela lancei um olhar comprido até o parque do Retiro, do outro lado da rua... Com certeza o cachorro perdido estaria no parque. Sujo, faminto ou adotado por outra pessoa. A última opção seria a mais provável, o que não me &amp;nbsp;impediria&amp;nbsp; reconhecer a gravata de leão, a juba suave, a língua azul... até comecei a cantar em pensamento a música do Caetano: “gosto muito de te ver leãozinho, caminhando sob o sol. Gosto muito de você leãozinho, para desentristecer”. Um pensamento perverso passou por minha cabeça: ficar com o cachorro para mim. Claro que meu bom senso não iria ceder a tal ponto, sou uma mulher honesta. Talvez ficaria somente um diazinho, ou dois... o tempo necessário para voltar a casa e ser recebida com uma alegria gratuita que só os cachorros podem oferecer. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Um senhor berrando ao telefone celular as desgraças de sua intimidade afastou-me do meu leãozinho. Por certo, é alguém que nunca teve um cão. Tampouco terá a foto estampada num cartaz de desaparecidos. Há um tipo de pessoas que não desaparecem nunca, sobretudo as que gritam. Por outro lado, reparei, e já faz algum tempo, que os donos de cães são &amp;nbsp;diferentes dos demais, tem qualquer coisa de especial, &amp;nbsp;para eles as coisas são mais coisas. Os outros, como lhes faltam o instinto, são donos de si mesmos. Que me perdoem os tais “outros”, posso falar, de cadeira, porque também me incluo na classe, só tenho um cão imaginário, e seria demasiada concessão colocar-me no mesmo patamar daqueles que levantam de manhazinha, no frio, para levar seus animais a passear, que recolhem as fezes dos bichos pelas ruas, que os levam ao veterinário, compram comida, dão banho, escovam o pelo e providenciam um espaço para estes dormirem, mesmo que em um apartamento de cinqüenta metros. Para dizer a verdade, eu os aplaudo e rechaço tudo o que&amp;nbsp; pode haver de incoerência nessa minha paixão repentina por leãozinho. Mas fato é que não consegui desvencilhar-me de meus pensamentos caninos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Voltei a tempo de meter-me no parque a procura do cão. Nesta época, as árvores não têm folhas e as flores tem&amp;nbsp; cores pálidas e transparente. Não é tão difícil encontrar um animal camurça dentro dessa verticalidade cinza. Deixei a intuição conduzir-me, segui o latido melancólico que zumbia em meu ouvido, enquanto a razão me mandava voltar imediatamente para a casa. Seria o mais sensato, mas, meu texto segue &amp;nbsp;farejando esse cachorro de pedigree ficcional para fazer dele o protagonista de uma história feliz. Sinto-me com a mesma alma de quem teve um cão e o perdeu. Se alguém tem uma sugestão ou alguma idéia, ainda que incerta, serão bem aceitas. Cronista padecendo de&amp;nbsp; literaturosis vê esfumar sua aspiração poética junto com um leãozinho no Parque do Retiro. Aqui me quedo, como dizem os espanhóis, com o coração latindo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Lucilene Machado &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh3.googleusercontent.com/-tVha3Q76dIU/TYQtAsmwNVI/AAAAAAAAAIs/76RjcMOqNO4/s1600/CHOW+I.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-2750998546125263675?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/2750998546125263675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/03/procura-se-um-cao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/2750998546125263675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/2750998546125263675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/03/procura-se-um-cao.html' title='PROCURA-SE UM CÃO'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh3.googleusercontent.com/-tVha3Q76dIU/TYQtAsmwNVI/AAAAAAAAAIs/76RjcMOqNO4/s72-c/CHOW+I.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-2760418851202158894</id><published>2011-03-02T07:33:00.001-04:00</published><updated>2011-03-02T07:35:55.056-04:00</updated><title type='text'>Evento em homenagem a Clarice Lispector</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh3.googleusercontent.com/-1z-4nukjpmg/TW4qudKfuSI/AAAAAAAAAIk/g9cG9VfYlLg/s1600/_DSC2108.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="212" l6="true" src="https://lh3.googleusercontent.com/-1z-4nukjpmg/TW4qudKfuSI/AAAAAAAAAIk/g9cG9VfYlLg/s320/_DSC2108.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Madrid - España&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-88Kr-49N-1o/TW4rdNequ5I/AAAAAAAAAIo/Kwf7quiw0ys/s1600/_DSC2114.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="212" l6="true" src="https://lh5.googleusercontent.com/-88Kr-49N-1o/TW4rdNequ5I/AAAAAAAAAIo/Kwf7quiw0ys/s320/_DSC2114.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Agustina, alejandro y yo - claricianos &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-2760418851202158894?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/2760418851202158894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/03/evento-em-homenagem-clarice-lispector.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/2760418851202158894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/2760418851202158894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/03/evento-em-homenagem-clarice-lispector.html' title='Evento em homenagem a Clarice Lispector'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh3.googleusercontent.com/-1z-4nukjpmg/TW4qudKfuSI/AAAAAAAAAIk/g9cG9VfYlLg/s72-c/_DSC2108.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-4638171922780374295</id><published>2011-02-12T11:53:00.000-03:00</published><updated>2011-02-12T11:53:18.266-03:00</updated><title type='text'>Convite/Invitación</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-JQ_Wae1gyFE/TVaevSbP-GI/AAAAAAAAAIg/htG7-Dcr1B0/s1600/convite.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="210" src="http://4.bp.blogspot.com/-JQ_Wae1gyFE/TVaevSbP-GI/AAAAAAAAAIg/htG7-Dcr1B0/s320/convite.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-4638171922780374295?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/4638171922780374295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/02/conviteinvitacion.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/4638171922780374295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/4638171922780374295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/02/conviteinvitacion.html' title='Convite/Invitación'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-JQ_Wae1gyFE/TVaevSbP-GI/AAAAAAAAAIg/htG7-Dcr1B0/s72-c/convite.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-5069668836441260409</id><published>2011-01-06T12:11:00.007-03:00</published><updated>2011-01-06T21:05:49.313-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>DE  PALAVRAS E SILÊNCIOS</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TSXab79qoqI/AAAAAAAAAIE/Afj4fgmH0-c/s1600/PALABRAS11%255B1%255D.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="270" src="http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TSXab79qoqI/AAAAAAAAAIE/Afj4fgmH0-c/s400/PALABRAS11%255B1%255D.jpg" style="background-color: #eeeeee; color: #444444;" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="line-height: 115%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="line-height: 115%;"&gt;Desde que cheguei a Madrid, tento ser um pouco surda. Se, cuido em ouvir tudo o que passa, ensurdeço de vez. Como falam os espanhóis! Tento não ser engolida pelas ressonâncias do que ouço, mas devo confessar que me encantam as pessoas. O povo tem a arte de imaginar, de tornar novas as coisas, de puxar água, puxar sonhos, puxar as palavras e escrever a vida em cartazes, em papel jornal e levar a outros para que sejam lidos os verbos dos sentidos e seja avultada a parte humana da humanidade. Os espanhóis cuidam em ser mais humanos do que nós. Não, não é bem isso o que eu quero dizer. O que ocorre é que os espanhóis têm na palavra uma carga lexical que me humaniza, me desarma, além de me afundar num romantismo tardio, inexplicável. Parecem falar com a voz que está detrás da voz. Com a voz verdadeira, aquela que espera uma resposta e está interessada nela. Isso me faz mover o corpo, limpar a garganta antes de acionar o canal da minha primeira pessoa do singular. É bem mais fácil falar por um canal coletivo, com idéias pensadas, experimentadas, comprovadas... mas os espanhóis arrancam todas as minhas capas. Que capacidade têm para chegar ao âmago da intenção. Até minha capa literária é rasgada de alto a baixo.&amp;nbsp; Será que estou perdendo a literatura para a vida real? Alguém disse que a vida real não existe, tudo é literatura. Aqui sinto o contrário, tudo é vida real. Sinto a realidade em cada morfema pronunciado. Seria o idioma espanhol mais objetivo que o português? &lt;i&gt;Por supuesto&lt;/i&gt;. Mas se pode fracassar tanto em um como em outro. Nenhum idioma consegue traduzir todas as nossas inquietações. Clarice Lispector dizia que há muito mais sensações por dentro do que palavras para expressá-las por fora, de modo que vomitou: “nascer me estragou a saúde”. A construção lexical da frase nos faz sentir um pouco impotentes, um pouco confusos, parece aquelas frases de enganar bobo que escrevíamos quando crianças para confundir os amigos mais novos que não sabiam ler muito bem. A verdade é que a linguagem é uma arma. Cada um a maneja como pode. Meu modo preferido é o silêncio. É a maneira de expressar minhas angústias inexpressáveis sem pronunciar palavras miseráveis. Sei que esta é uma dinâmica da minoria. Todavia eu faço parte desta categoria, não mui numerosa, dos que fazem revelações contundentes sem dizer uma palavra. É um modo complexo de comunicação. Ou porque às vezes não há outra solução. Como explicar com palavras que hoje partiu de mim um barco submarino levando o meu coração? Se eu soubesse exercitar o surrealismo provavelmente escreveria um poema terrivelmente exato, ou pintaria, à maneira de Dalí, um autorretrato com todas as ausências humanas. Todos os ocos. Cada uma tomando uma parte do meu corpo. Meu corpo está cheio de gavetas vazias,&amp;nbsp; e isso não se diz com palavras. Seriam frases mui mal escritas. Enfim, meu silêncio é minha impotência em esclarecer sentimentos e sensações. É uma maneira de me acovardar, de fugir, de não enfrentar o touro e segurá-lo pelos chifres. Não está mal essa metáfora do touro já que estou em terra de toureiros. Talvez, escrever coisas assim me permitissem conhecer os senhores da &lt;i&gt;Real Academia Espanhola&lt;/i&gt;, que criam realidades com o idioma e me fazem representar a verdade neste cenário mediterrâneo, &amp;nbsp;ainda que eu pense, categoricamente, que isso é vida real. Talvez um encontro me intimidasse e eu, automaticamente recorresse ao silêncio. Ou lhes diria em bom português: “nascer me estragou a saúde”, porque em espanhol isso é impossível.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TSXab79qoqI/AAAAAAAAAIE/Afj4fgmH0-c/s1600/PALABRAS11%255B1%255D.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="line-height: 115%;"&gt;Lucilene Machado &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-5069668836441260409?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/5069668836441260409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/01/de-palavras-e-silencios.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/5069668836441260409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/5069668836441260409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2011/01/de-palavras-e-silencios.html' title='DE  PALAVRAS E SILÊNCIOS'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TSXab79qoqI/AAAAAAAAAIE/Afj4fgmH0-c/s72-c/PALABRAS11%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-3607450119118462699</id><published>2010-12-04T12:48:00.000-03:00</published><updated>2010-12-04T12:48:12.215-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Almodóvar, Che Guevara e as bonecas russas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TPpiPA9VHYI/AAAAAAAAAH4/if_qvkjXbuQ/s1600/3070153-familia-de-mu-ecas-rusas-anidados-aislados-en-blanco.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" ox="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TPpiPA9VHYI/AAAAAAAAAH4/if_qvkjXbuQ/s320/3070153-familia-de-mu-ecas-rusas-anidados-aislados-en-blanco.jpg" width="293" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Almodóvar, Che Guevara e as bonecas russas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando cheguei a Madrid pensei que encontraria uma população muito parecida com os personagens de Almodóvar. Passaram-se um, dois, três meses e o que encontrei foram mulheres elegantes, vestindo Dior, homens discretíssimos em seus ternos de El corte ingles, e uma harmonia de cores que nem de longe lembra os filmes do espanhol. Nada de mulheres com flores no cabelo, nada de beijos marcados e estalados, nada de cores chocantes, nada de personagens exagerados... e quando eu já estava quase convencida de que o mundo de Almodóvar só existe na ficção, eis que tomo um taxi onde me senti em uma película do cineasta. Não chegava a ser um taxi como de Mulheres à beira de um ataque de nervos, mas o conteúdo tão impressionante quanto. Aliás, “conteúdo” foi uma das primeiras palavras pronunciadas pelo condutor, quando eu quis fazer referência à originalidade do carro, na verdade, ao que estava dentro do carro. “Há uma diferença entre continente e conteúdo”, falou com a mesma imponência em que são ditas as grandes verdades. Eu odeio as verdades absolutas, de modo que armei minha tenda de defesa dentro daquele continente cinematográfico, cuja viagem interior poderia ser mais intensa que a proporcionada pela calle de Alcalá, uma das ruas mais extensas de Madrid. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Começo pelas frases em neon, capas coloridas nos bancos, um babado com brilho a laser no câmbio, revistas, balas, bailarinas penduradas, espelhos, porta-copos, porta-flores e um objeto que chamou muitíssimo a minha atenção: uma boneca russa de Che Guevara. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu já fui apaixonada por bonecas russas. Na verdade, ainda sou. Vez por outra, compro uma. Mas quando eu era criança lá em Terra Rica, isso era um sonho impossível. Não havia bonecas russas brasileiras e, sobretudo, tínhamos uma vida muito apertada para comprar uma boneca importada. Uma prima que morava no Rio, cuja família era muito mais desafogada que a nossa, tinha uma boneca russa. Era algo que me enlouquecia. O fato de abrir uma boneca e encontrar outra boneca idêntica em tamanho menor e depois outra e depois outra... até uma bem pequenina do tamanho de um dedal, me encantava. Ficava imaginando os seres humanos assim. Dentro de cada mãe havia outras mães idênticas em tamanhos menores... a mim mesma me imaginei com outras tantas para dentro até chegar ao mais profundo de mim. Mas boneca russa de Che Guevara, eu jamais havia visto, sequer imaginado. Dentro daquele Che de roupa escura e boinas negras, haveria outros guevarazinhos de vários tamanhos até chegar ao núcleo da representação guevariana. Confesso que tive vontade de abrir, e colocá-los todos lado a lado, para não me esquecer de que tudo é representação, estética, ou como diz o taxista, continente. Ou talvez, a vontade de abrir seja fruto de uma esperança boba de que no final eu possa encontrar algo diferente, algo que não seja uma pequena representação oca, alguma idéia iluminada. Entretanto as bonecas são seu próprio continente, sem nenhum conteúdo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A realidade também é assim. Feita de formas e simulacros. Aos poucos vamos aprendendo a conviver com todo tipo de representações, contornos, similitudes... Com pessoas ocas que têm como conteúdo mais eficaz, a própria imagem. Os humanos também são simulacros de si mesmos, estão vazios, e tenho de concordar com o taxista que, a esta altura, se aproveita da minha introspecção para costurar o trânsito numa velocidade de corrida automobilística: “Senhor, pode ir devagar que não tenho pressa”. Ele olha para trás por um tempo maior do que deveria e responde que já estamos chegando. “Eu disse o contrário”, tento gritar, e ele volta a olhar para trás enquanto o carro segue desenfreadamente. “Senhor, eu tenho medo”. Mas ele não pára de falar, fazer gestos e resmungar palavrões para aqueles que resolveram cruzar a rua justamente no momento em que seu automóvel tem que passar. Seguro as alças desde o assento traseiro e fico com a mesma expressão estática do Che que me olha do além. Por minha cabeça passa um pensamento peregrino de que se sofrêssemos um acidente e os nossos corpos se partissem, seriam encontrados, junto aos bonecos de Che, dezenas de bonecos dentro de outros bonecos, tristemente vazios, mas com as cores e a estética dignas de um Almodóvar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TPpilCcmJwI/AAAAAAAAAH8/YGy5L_uAr6E/s1600/Che+guevara.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="258" ox="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TPpilCcmJwI/AAAAAAAAAH8/YGy5L_uAr6E/s320/Che+guevara.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Lucilene Machado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-3607450119118462699?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/3607450119118462699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/12/almodovar-che-guevara-e-as-bonecas.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/3607450119118462699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/3607450119118462699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/12/almodovar-che-guevara-e-as-bonecas.html' title='Almodóvar, Che Guevara e as bonecas russas'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TPpiPA9VHYI/AAAAAAAAAH4/if_qvkjXbuQ/s72-c/3070153-familia-de-mu-ecas-rusas-anidados-aislados-en-blanco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-1363702495304400361</id><published>2010-11-15T16:28:00.000-03:00</published><updated>2010-11-15T16:28:01.542-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;caricatura - blogscarin.com&lt;/span&gt; &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="color: #444444; font-family: Verdana,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="color: #444444; font-family: Verdana,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="color: #444444; font-family: Verdana,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;Um desconhecido, Borges e eu&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #444444; font-family: Verdana,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #444444; font-family: Verdana,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O metrô é um dos espaços mais democráticos de Madrid, também é um dos mais interessantes quando se quer refletir a própria condição de ser em relação ao outro. Sempre é possível encontrar o nosso extremo oposto, como também uma infinidade de pessoas com quem nos identificamos. &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Por exemplo, o moço de rosto desconhecido que está sentado à minha frente e que lê uma edição inglesa dos contos de Borges está muito mais próximo de mim do que muita gente que eu vejo diariamente. Isso pelo simples fato de sustentar nas mãos esse livro em particular. Não, não é um simples fato, isso é uma ocorrência que pode determinar parte da personalidade dessa pessoa que eu nunca vi antes. Posso supor, entre outras coisas, que o homem que lê Borges no metrô &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;seja um intelectual inglês e que está na Espanha para estudar literatura de língua espanhola, o que nos faz ainda mais cúmplices. Ou, talvez seja apenas um jovem senhor inglês que nunca ouvira falar antes de Borges&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;e, sem nenhum preventivo, arrisca-se, diante de todos, a desvendar&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;o universo fantástico do autor. Nesse caso sinto pena. Lembro-me da minha primeira vez. Da voz borgiana a contornar meus sonhos impossíveis e a dizer para eu &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;ir &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;além, um pouco mais do que consigo chegar. E eu com aquela sensação de abismo próximo, &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;de que é melhor me manter distante, não fazer nenhum pacto com aquela voz cega, &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;não me aproximar daquelas mãos &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;tecedoras de lendas que fatalmente irão me perseguir pela noite afora, etcétera e tal. &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Tão forte o impacto que tenho vontade de dizer ao moço: “desista! Essa infinidade de palavras parece dizer apenas uma coisa: bando de idiotas.” É assim que me sinto quando leio Borges. &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Creio que a manifestação dialógica mais profunda dele está situada em outro plano da psique, o que me (nos) leva a padecer de um estranhamento incógnito.&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Impossível&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;reter Borges &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;num curso de começo, meio e fim. Tudo se apresenta como facetas, &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;como elos que não sabemos &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;articular. Fica uma ansiedade, um tremor, uma nostalgia de que alguma coisa estava ali, talvez tão perto de ser desvendada, mas escapou. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #444444; font-family: Verdana,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;De onde estou, sigo anonimamente a observar o desconhecido. Quisera chamar sua atenção&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;e sinalizar que eu também pertenço a essa fé. Também já senti &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;admiração, paixão e até ódio por esse escritor argentino que cada leitor recria à sua maneira. Mas o moço não se dá conta do meu reconhecimento. Não percebe que somos ilhas de um mesmo arquipélago, que tenho vôos de gaivotas no olhar e que poderíamos juntos sobrevoar todo o mapa da América latina sem sair desse trem. Poderíamos fazer nossas realidades superar quaisquer dúvidas nesse campo de incertezas em que eu e ele circulamos. Poderíamos comprovar uma série de convergências pelas quais lutamos separadamente&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;e sem nos conhecermos, mas que agora encontravam-se nessa ponte metafísica engenhada pela literatura. Mas... (detesto as reticências) o que se abre nesta tarde é apenas&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;um bocejo sonolento da boca de um desconhecido que deixou de se apresentar a mim por pura falta de atenção. Também me recusei a incomodá-lo indo me apresentar. Há tantas maneiras melhores de conhecer pessoas. Todavia, mais fáceis. Apresentar-me nessa altura e condição era uma concessão ligeiramente piegas, imposta à nostalgia de um tempo em que ler o mesmo livro era fator de identificação, que a memória recolheria algumas palavras, alguma distração do autor, algum susto que nos deixaria de &lt;i&gt;almarrepiada&lt;/i&gt;, ou nos faria chorar durante a noite com a cara metida no travesseiro e as mãos sabe-se-lá onde... &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #444444; font-family: Verdana,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;E outra vez a reticência. Agora para dar passagem ao homem que desceu sem me fazer caso. Toda falta de interesse se paga com uma perda – creio que foi Borges quem disse isso. Pensei, com alguma tristeza, no longo período em que as emoções estéticas deixariam de existir e com falsa indiferença fiquei olhando o homem afastar-se como se tivesse apenas se afastando. Como se isso fosse uma ação corriqueira e comum. Enchi meus olhos com a realidade estúpida e solitária e até o final da viagem deixei de pensar nas coisas que perdemos sem saber que as &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;estamos perdendo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #444444; font-family: Verdana,sans-serif; line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Verdana,sans-serif; font-size: small;"&gt;Lucilene Machado&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-1363702495304400361?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/1363702495304400361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/11/normal-0-21-false-false-false-es-x-none.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/1363702495304400361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/1363702495304400361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/11/normal-0-21-false-false-false-es-x-none.html' title=''/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TOGJC5rt54I/AAAAAAAAAHw/jxgKOSPOz9c/s72-c/Jorge-Luis-Borges.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-8469219443772114157</id><published>2010-10-23T11:52:00.003-03:00</published><updated>2010-10-23T12:08:38.248-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>UMA VOCAÇÃO PARA MOSCAS</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TML2C7oUfFI/AAAAAAAAAHs/ey3zIkZ-JgU/s1600/mosca+colorida.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" nx="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TML2C7oUfFI/AAAAAAAAAHs/ey3zIkZ-JgU/s320/mosca+colorida.jpg" width="312" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: #f3f3f3; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: #f3f3f3; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: #fff2cc; color: #444444; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Uma vocação para moscas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: #f3f3f3; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: #f3f3f3; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: #fff2cc; color: #444444; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Às vezes me sinto um blefe. Como se estivesse em um lugar que não merecesse estar. Com a sensação de que meus algozes vão descobrir que eu não sou quem sou e me vão atirar no fundo de um vazio oco onde estarei para sempre voando em círculos como uma mosca tonta. A bem da verdade, já me sinto uma mosca. Uma tese para escrever e, em contrapartida, uma apatia surda fechando todos os nascedouros do pensamento. Se é que o pensamento tem um nascedouro de onde jorram as palavras que necessitamos para escrever. Com certeza, alguns privilegiados têm esse nascedouro. Wolfgang Iser tem. Theodor Adorno também. Clarice Lispector, para citar uma mulher, devia ter vários nascedouros. Um para cada estado de espírito. Eu, não. E se tenho a obrigação de pensar, penso em nada. Quanto maior o esforço, maior a nuvem de fumaça. Em pouco tempo concluo que o pensamento não nasce. Que o pensamento é um produto de segunda mão que pode ser adquirido a preços módicos, às vezes gratuitamente, conforme a necessidade do freguês; que o pensamento já está pensado e o que fazemos é apenas adaptá-lo aos nossos interesses. É certo que devemos estar atentos. Como em todos os ramos mercantilistas, pode-se comprar pensamentos com prazos de validades vencidos, deteriorados, outros que não se podem comprovar, utópicos, disfarçados, enganosos, mesquinhos, enredadores ou mesmo fatais. Difícil é encontrar o pensamento que possa representar a nossa identidade. Na falta dele, repensamos com os padrões divergentes. Começamos por contrariá-los, depois cortamos as arestas do que vai sobrepujar nosso limite teórico, eliminamos o que julgamos ser impurezas, acrescentamos certos adornos e o vendemos, também, agora com a nossa assinatura. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: #f3f3f3; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: #fff2cc; color: #444444; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Apesar de parecer um raciocínio simplista, trata-se de uma engenharia tão complexa como a construção de uma ponte. Creio que “ponte” é a metáfora exata para à situação, pois é o que nos permite atravessar o vazio e conectar nosso mundo com outros. Não é por acaso que pontífice, antigamente, significava construtor de pontes. A palavra vem do latim pons=&amp;gt; pontis, e o sufixo ífice significa construtor. Logo, pontífice é, primariamente, um construtor de pontes. Infelizmente, hoje está restringida para designar papas e arcebispos, que também não deixam de ser construtores de pontes, já não de concreto, nem de ferro, mas pontes espirituais. Claro que o uso não deveria ser tão reducionista. Há outros setores humanos edificando pontes. Algumas com uma arquitetura muito simples, mas com resultados extraordinários. Há até as pontes que vão do nada ao lugar nenhum, propostas por uma política de marketing, favorecimentos e etc. Trafegar por elas é muito arriscado, provavelmente se cairá no vazio. E o vazio é um lugar para moscas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: #f3f3f3; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: #fff2cc; color: #444444; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tomo um banho, lavo a cabeça com água fria para me livrar desses pensamentos inaproveitáveis, dessa poluição que lateja em meu cérebro, aleatoriamente, e me faz escapar do canal intelectual sem que eu tenha sinalizado nada. Preciso de pensamentos que façam avançar meu raciocínio, como fazem os filósofos. Os não-sofistas, pressuponho. Mas para canalizar esse pensamento é preciso livrar-me do resto. Mente limpa, mente sana! penso enquanto seco o cabelo. O espelho é um lugar ótimo para se forjar idéias frívolas e fazermos delas os sustentáculos dos nossos sonhos. Sobretudo quando somos mulheres. A vaidade nos proporciona um prazer incomensurável. Ao mesmo tempo é uma violência que pode nos destroçar. Criamos argumentos miraculosamente fúteis para justificar nossas ações. E a ação é uma prática determinada pelo pensamento. É tão perigosa a vaidade, pode fazer-nos verdadeiras moscas dependentes do pensamento alheio. Há uma indústria criando verdades para os vaidosos, erigindo ciladas em todos os níveis. E quem nunca caiu em uma, que atire a primeira pedra. A vaidade nos deixa débeis e facilmente reconhecíveis. Somos presas fáceis das promessas miraculosas. Falta-nos criticidade? Óbvio que sim. Bom senso também. A propósito, observo meu cabelo que me parece bastante opaco. Examino as pontas, olho as raízes... quem imaginou que eu abandonei a tese para alimentar a vaidade, acertou na mosca. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: #f3f3f3; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: #fff2cc; color: #444444;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: #fff2cc; color: #444444; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="background-color: #f3f3f3;"&gt;Lucilene Machado&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-8469219443772114157?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/8469219443772114157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/10/uma-vocacao-para-moscas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/8469219443772114157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/8469219443772114157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/10/uma-vocacao-para-moscas.html' title='UMA VOCAÇÃO PARA MOSCAS'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TML2C7oUfFI/AAAAAAAAAHs/ey3zIkZ-JgU/s72-c/mosca+colorida.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-5552125809652881345</id><published>2010-10-03T10:01:00.000-04:00</published><updated>2010-10-03T10:01:50.748-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas'/><title type='text'>ROSAS ROJAS</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TKiMPCxtlHI/AAAAAAAAAHo/Y-s93zB3ZSI/s1600/rosas+rojas.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="228" px="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TKiMPCxtlHI/AAAAAAAAAHo/Y-s93zB3ZSI/s320/rosas+rojas.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;ROSAS ROJAS&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Aquel hombre cabía entero en los ojos de ella. Cabía en sus manos suaves y ávidas por acariciar. Sería capaz de envolverlo con la tela de sus sentidos. Emboscadas de manos y miradas. Miento, los ojos no ven nada cuando las manos son tentáculos de hembra carnívora. Era un hombre que tenía el tamaño exacto de su deseo. Encajado en sus contornos, íntimos de axilas y muslos, harían la sublime coreografía del amor. ¿Cómo sería su aliento, su aroma... su cuerpo mojado de pasión?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Por él sería capaz hasta de convertirse en una auténtica ama de casa, inclusive cocinar y lavar ropa. Sería capaz de almidonar y planchar sus camisas blancas una a una, mientras él le besara la nuca, encontrando sensual su aire despojado de entrecasa, y le preguntase en susurros: «¿Estás vestida así para mí?» Claro que sí. Vestida y desvestida, siempre para él. Ahí, él se aprovecharía de la fragilidad de ella y realizaría sus fantasías de macho detrás de puertas y ventanas. ¿Aquel hombre de metro ochenta fantasearía con mujeres frágiles y desvalidas? Por supuesto que no. Parecía más bien una roca inconmovible. Un hombre de alma helada e impenetrable. Individualista, pagado de sí mismo... un verdadero narciso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Bien, no podía quejarse tanto, hasta que él demostró interés en sus ideas. Y aún cuestionó si ella estaba comprendiendo su punto de vista. «¡Sí! ¡No!» Ella tartamudeó al decir lo que pensaba sobre las relaciones. Las mujeres especiales suelen confundirse. Y los hombres demoran a descubrir eso. ¡Hombres, tan directos y objetivos! La encontró tensa. ¿Tensa? ¡Por favor! Apenas quería las cosas formalizadas. Era romántica... «Romántico también lo soy yo, cariño». Se sintió ingenua. No, más que eso, se sintió infantil. Ni sabía ya lo que era romanticismo. “¿Cómo podría pensar en compromisos y formalidades después del cambio de siglo? Ahora las cosas sucedían espontáneamente a su tiempo. ¿Comprendes?”, preguntó él sin mucho interés en la respuesta. Pero ella sentía la ansiedad pulsando en su piel y precisaba dar una respuesta para mantener el equilibrio de la charla y dejar clara su reputación. Y habló. Sus argumentos jamás habrían de convencerlo, pero no por ello dejó de ser auténtica. No si acostaría con él sin que se estableciesen vínculos de intenciones futuras. ¿Acostarse? No, él habló de noche de amor. Así, sin muchos rodeos, del mismo modo en que la había invitado a cenar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mientras ella hablaba, él se distrajo varias veces mirando a los transeúntes. ¡Qué aburrimiento! Había perdido la noche invirtiendo en una mujer con conceptos ya superados, pasados de moda. ¿Reputación? ¿Y cómo iba él a adivinar? Creía que ya no existía esa especie de mujer... Y pensar que la había escogido a dedo. ¡La más hermosa mujer de aquella noche, y cómo bailaba! Esperó una semana para el encuentro, estaba lleno de expectativas... ¡Pensó en todas las posibilidades! Sería capaz de enloquecerla entre cuatro paredes. Besaría suave su cuello delgado, la oreja, la boca... le haría masajes, caricias, y sorpresas de las cuales ella jamás se olvidaría. Ella iba a quemarse en la fiebre y le devolvería los ojos verdosos encendidos, enmarcados en el castaño rojizo de su pelo. Sería capaz de llevarla en brazos hasta la cama, o simplemente apreciaría su andar de bailarina, que ahora ya no baila pero mantiene la gracia y la cadencia. ¿Cadencia? No, es que ella tenía vocación. Vocación para la ligereza, como una mariposa que bate las alas, posándose de flor en flor. Sería capaz de enviarle a ella una docena de rosas rojas al día siguiente. Tal vez fuese mejor rosas blancas... no, lo mejor eran las rojas. Las mujeres adoran las rosas rojas. ¿Y por qué no? Sólo que no le daría el número de teléfono, eso no. Ella podría llamar e insistir en que pasaran el domingo en el parque, o quién sabe, quisiera una cena íntima preparada por ella. La segunda opción podría ser irresistible. Ella en un vestido negro ajustado al cuerpo, sin breteles... cena a la luz de las velas... pero, y si ella insistiese en presentarle a los hijos, mostrarle el perro, el gato... fotos viejas, ella bailando en el Municipal... ¡No! No quería perder el tiempo con eso. Después hasta podría pensar que él era su novio. Qué cosa anticuada, una mujer llamando a su trabajo, preguntando dónde había cenado, dónde había pasado la noche... ¡Eso no! Sabía cuánto costaba la libertad. No tendría más paciencia para ser marido, novio, o cualquier papel semejante. En un gesto sutil llamó al mozo y pidió la cuenta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ella bajó los ojos tristemente. Sobre la mesa, esculturas que había hecho con miga de pan. Aplastó con el dedo una hormiga roja y solitaria que surgió arrastrándose, como implorando una migaja. ¡Oh, Dios! Migajas, era eso. En el mantel blanco, el rastro enojoso. Era el cuerpo. Pan partido, vino derramado. Jamás tendrían esa comunión. Se sintió indignada. Se retiró sin esperar ninguna gentileza. Apenas algunas palabras así, al acaso, como «gracias por la invitación» y «gracias por la compañía». Podría haber resistido un poco más, pero era muy delicada. Y los delicados tienen poca resistencia. Resta decir que apenas sé que ella pasó el día siguiente arreglando su casa. Cortando, delicadamente, con una tijerita de uñas, los cabos de un bouquet de rosas rojas. Hacía eso con extremo placer. Después las colocaba una junto a otra dentro de un jarro de agua. Todas con el mismo corte oblicuo y el mismo tamaño. Se obligó a comprender que las rosas no hablan, jamás. Ni siquiera las rojas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Lucilene Machado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-5552125809652881345?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/5552125809652881345/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/10/rosas-rojas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/5552125809652881345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/5552125809652881345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/10/rosas-rojas.html' title='ROSAS ROJAS'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TKiMPCxtlHI/AAAAAAAAAHo/Y-s93zB3ZSI/s72-c/rosas+rojas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-6541559109944120314</id><published>2010-09-23T09:51:00.001-04:00</published><updated>2010-09-23T10:51:47.522-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>O CAMINHO SECRETO DAS PALAVRAS</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TJtZiNYS9lI/AAAAAAAAAHY/CqNWeFtIliM/s1600/palavras+voando.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TJtZiNYS9lI/AAAAAAAAAHY/CqNWeFtIliM/s320/palavras+voando.jpg" width="246" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #444444; font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #444444; font-family: Verdana,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O caminho secreto das palavras&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #444444; font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #444444; font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Uma amiga disse para eu não usar a palavra “desgraça” em meus textos. Falei a ela para  não avaliar a palavra com o rigor do uso, que a palavra é arbitrária, que guarda dentro de si o espírito das civilizações e coisa e tal, mas minha amiga não gosta da palavra e ponto. E contra isso não há argumentos. Devo dizer que também não me agrada o significado que “desgraça” atualmente comporta. Agrega uma única unidade de pensamento que sugere uma única idéia, a do infortúnio, da miserabilidade, do fim da dignidade, do irreversível. O prefixo “des” passa des-percebido. Não nos atentamos de que o “des” significa ausência, logo desgraça significa “sem a graça”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #444444; font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A palavra  “graça”, que é de onde se origina a desgraça,  é uma palavra linda, poética e sagrada. Vem do latim gratia, que deriva de gratus (agradecido) e que em sua primeira acepção designa a qualidade ou o conjunto de qualidades que faz agradável a pessoa que a tem. Razão porque algumas pessoas mais idosas costumam perguntar “qual é sua graça?”, significa que o sujeito, segundo a doutrina cristã, recebeu a graça de Deus e, junto com a graça, o nome. Nome na cultura bíblica é o mesmo que identidade íntima, o mais verdadeiro de mim mesmo. Também há outra pergunta enraizada na cultura popular que é: “quando você vai nos dar o ar de sua graça?” que seria o mesmo que dizer “quando poderemos contar com sua presença?”. Presença, neste caso, é igual à graça. Também tem aquela graça que equivale ao carisma: “fulano é uma graça”, ou como diria Hebe Camargo “ela é uma gracinha”. E, além da identidade, presença e carisma, não dá para deixar de fora aquela “graça” que faz rir. A graça engendrada pelos humoristas ou por pessoas chamadas  “engraçadas”, um derivado com prefixo e sufixo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #444444; font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Graça é também um conceito fortemente arraigado no judaísmo que significa dom gratuito de Deus. Antigamente para os judeus, alguém que não tivesse onde dormir, alguém que se alimentasse ou se vestisse mal era considerado sem bênção, automaticamente, sem a graça de Deus. Ao ver alguém nessa situação, os judeus proferiam: “este é um sem bênção e sem a graça de Deus”.  Na medida em que o tempo foi passando, a frase foi se encurtando e sintetizada para “este é um desgraçado”, o que para os judeus significa, ainda, sem a graça de Deus. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #444444; font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O que percebemos é que a palavra primitiva “graça” tem toda uma carga histórica, ideológica, religiosa, popular  entranhada em seu significado. E em todos os segmentos em que se manifesta, apresenta uma conotação positiva, altiva e bela. Porém se acrescida do pequeno prefixo “des” fica murcha, seca, totalmente esvaziada. Perde-se a evolução e a involução do conceito. O “des” suga com uma cânula todo o teor lírico e religioso  da palavra.  O “des” é um profeta erege que determina outro poder ao vocábulo,  esvazia a história, apaga a identidade, suplanta o carisma, atira o tempo pela janela e se  derrama desgraçadamente em praça pública. Porque a desgraça está nas ruas, nas praças, nos guetos e parece irreversível,  porque depois de ser desgraça a palavra não consegue retroceder. Segue sua sina mortal, embora eu creia na imortalidade da palavra, sei que ela tem corpo e alma, que é dotada de um espírito que rege o universo e move-se sobre a superfície da terra. Que as palavras modulam na compleição do pensamento e na elevação do espírito. E que se regressarmos às forças primordiais da criação do cosmo, somos capazes de retomar essa força da longevidade da palavra:  no início era a palavra  e etc. Sabia Deus que os homens iam carregar a palavra com significados? Por supuesto. Daí que ganhou um tempo, transformou a palavra em carne e habitou entre nós. E a palavra se fez Deus.  Apesar das experiências pessoalíssimas com as palavras, pouco sabemos dos desígnios de Deus. E é  nesse ponto que se rompe o nosso cordão umbilical com o misterioso umbigo do mundo. Essa foi a nossa des-graça. Temos que encontrar outros canais para  conexão com o criador. Falando em conexão, deixa eu puxar o fio condutor desta  crônica que soltei em “sina mortal” – tenho uma facilidade enorme para fugir do assunto – e completar que a sina da palavra desgraça está muito bem delineada junto à margem do ruidoso abismo da criação, foi o preço pela emancipação humana. E que minha amiga me perdoe as palavras, e o pensamento que vai na frente das palavras, na verdade eu só queria dizer dessa pequena poesia que é a humanidade, dos pequenos adágios que resumem idéias, pensamentos e sensações em nada. Que perdoe também minha maneira quase leviana de falar das coisas sagradas, motivo pelo qual não me aventurei pelos campos da Teologia. Tampouco da filologia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #444444; font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #444444; font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Lucilene Machado&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-6541559109944120314?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/6541559109944120314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/09/o-caminho-secreto-das-palavras.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/6541559109944120314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/6541559109944120314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/09/o-caminho-secreto-das-palavras.html' title='O CAMINHO SECRETO DAS PALAVRAS'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TJtZiNYS9lI/AAAAAAAAAHY/CqNWeFtIliM/s72-c/palavras+voando.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-6154995171212068777</id><published>2010-09-23T09:50:00.000-04:00</published><updated>2010-09-23T09:50:44.321-04:00</updated><title type='text'>Lucilene Machado: Visualizar "O CAMINHO SECRETO DAS PALAVRAS"</title><content type='html'>&lt;a href="http://lucilenemachado.blogspot.com/b/post-preview?token=4JCSQCsBAAA.yD562QpZoo9SHKShwLaWhQ.X6NXo-fXAbhVRhEe4R1exA&amp;amp;postId=6541559109944120314&amp;amp;type=POST"&gt;Lucilene Machado: Visualizar "O CAMINHO SECRETO DAS PALAVRAS"&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-6154995171212068777?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/b/post-preview?token=4JCSQCsBAAA.yD562QpZoo9SHKShwLaWhQ.X6NXo-fXAbhVRhEe4R1exA&amp;postId=6541559109944120314&amp;type=POST' title='Lucilene Machado: Visualizar &quot;O CAMINHO SECRETO DAS PALAVRAS&quot;'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/6154995171212068777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/09/lucilene-machado-visualizar-o-caminho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/6154995171212068777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/6154995171212068777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/09/lucilene-machado-visualizar-o-caminho.html' title='Lucilene Machado: Visualizar &quot;O CAMINHO SECRETO DAS PALAVRAS&quot;'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-2366344455648129491</id><published>2010-09-16T08:28:00.004-04:00</published><updated>2010-09-16T08:33:07.050-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>As tartarugas e eu</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TJIL_mHlP0I/AAAAAAAAAHI/cMC0bAtCddE/s1600/centros_atocha_01.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TJIL_mHlP0I/AAAAAAAAAHI/cMC0bAtCddE/s400/centros_atocha_01.jpg" width="300" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;,Courier,monospace; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Foto: infotortuga.com &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;,Courier,monospace; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;As tartarugas e eu&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um dos passeios que mais gosto de fazer em Madrid é ir à estação de Atocha  observar as tartarugas. Algo que me custa dizer, considerando que Madrid tem uma lista infindável de museus, monumentos, exposições, jardins, palácios, arquitetura  medieval... e eu, passando horas mortas diante de centenas de tartarugas. Outras questões que colaboram para engrossar a falta de sensatez do hábito é  que no meu país posso ver tartaruga quando quiser e deveria aproveitar esse tempo para fazer algo mais cultural, intelectual aproveitável para minha pesquisa, já que não sou bióloga, antes que me perguntem, sou professora de literatura. Também deixo claro que não sou mais uma menina encantada com a fábula da tartaruga e a lebre, cuja óbvia moral nem precisava repetir, mas vou re-acalentar: é não subestimar os lentos. E, sem mais delongas, confesso: a tartaruga é um bicho pelo qual nunca tive nenhum encantamento. Minto, quando pequena meu pai me contava a história de uma festa no céu em que participavam todos os bichos e à tartaruga lhe deram a missão de cantar. A tartaruga era um macho e tinha um vozeirão invejável, cantava tenor. Não sei se trata de uma fábula da tradição oral ou se meu pai a inventou. Meu pai inventava histórias para suprir a falta de livros. Mas cada coisa no seu lugar. Não quero fazer digressões.  Nunca toquei o casco de uma tartaruga.  Daí que não me parece nada razoável este descer e subir escadas, este ultrapassar corredores compridos, ruídos, vendedores, gente comum e incomum, poluição audiovisual... para enfim chegar ao recanto das tartarugas e respirar. É só isso que faço. Respiro va-ga-ro-sa-men-te olhando para as tartarugas. Elas, sequer, se dão conta. Não sei se elas conseguem ver algo com aqueles olhinhos metidos nas pálpebras grossas. Também não sei se elas ouvem e, para desgraça da criança que vive dentro de mim: elas também não cantam. Não têm, ao que parece, nenhum atributo para divertir as pessoas que se debruçam sobre o parapeito do jardim a admirá-las. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Isso não quer dizer que elas não tenham qualidades, todos conhecemos seus antecedentes históricos. Já foram animais gigantes, com três metros de comprimento, fato que elas não se lembram. As lembranças das coisas velhas fazem os seres velhos. E as tartarugas não envelhecem, são cada vez mais resistentes ao tempo, capaz de viver quase sem alimentos e difícil de morrer, ou de matar, como queiram. É preciso muito esforço para matar uma tartaruga. Rubem Braga relata em uma crônica a saga de matar uma tartaruga. Cortam-lhe a cabeça e ela continua a bater as nadadeiras. Arrancam-lhe o coração, ele continua a pulsar. A vida está entranhada nos seus tecidos com uma teimosia que inspira respeito e medo. Um pedaço de carne cortado, jogado ao chão, treme sozinho. Sua agonia é horrível e insistente como um pesadelo. Daí que na alma dos algozes surge aquela pobreza envergonhada da velha condição humana. (Mas não se enganem, abro um parêntesis aqui para dizer que os humanos seguem matando tartarugas, inclusive para fazer cosmético).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em Atocha, essas criaturas sobreviveram à calamidade de um atentado mortal que calou pessoas de várias partes do mundo. E Sobrevivem,  solidárias e tenazmente, a um espaço de superpopulação. Já que além da procriação natural do grupo nativo, pessoas que não sabem o que fazer com suas tartarugas domésticas, as abandonam ali. Desavisadas, as novatas se integram ao velho grupo e ao recanto que pensam ser do tamanho do mundo. Eu desconheço arte tão preciosa quanto a de se integrar e dominar o espaço de sobrevivência. Sobretudo para seres tão tímidos como as tartarugas. Talvez nossa linha de identificação passe por aí, eu também sou tímida, embora de um jeito mais espalhafatoso. Não tenho esse silêncio feroz que penso haver debaixo daqueles cascos. Debaixo da minha casca há uma alma galopando e um torpor animal querendo vomitar palavras que sequer existem nos idiomas. Mas não deixo de me sentir uma tartaruga integrando-se ao velho mundo. Também me esfrego nas areias de um mar desconhecido que me parece fascinante e bebo a vida em goles, com as palmas da mão, para que não termine nunca. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O cotidiano das tartarugas de Atocha está centrado em um tanque de água parada que faz parte de um jardim de 4000  metros quadrados,  intensamente coberto por uma vegetação  de  folhas largas e estreitas que abusam da beleza dos tons verdes. Aí nadam, tomam sol, rastejam-se sobre uma areia branca posta  a cada lado da lagoa e vadiam entre as irregulares pedras escuras que escalam de uma maneira insólita: sobem umas sobre as outras como uma espécie de pirâmide viva até alcançar lugares que julgo, do alto da minha “sabedoria” humana, inóspitos. Observo suas grossas carapaças verdejantes. Umas pequenas, outras enormes, pesadonas, untadas com o mesmo limo viscoso das rochas, a empurrar  estações pela vida afora. São várias gerações em uma mesma sintonia. As maiores carregam as menores em suas carapaças inchadas de silêncio, sem lamentações. Estão amalgamadas ao silêncio da eternidade. Às vezes me fixo em uma até que ela atravesse todo o campo do meu olhar e se esconda numa moita verde. Aí nos perdemos. E lá se vai meu raciocínio metafísico. Volto a ser uma representante da ciência da literatura e ela volta a ser um réptil entre tantos. Aparentemente, nada em comum. Retorno a casa com uma sutil sensação de felicidade como se a vida se resumisse nessas pequenas tentações de eternizar-se em qualquer parte do mundo. A propósito, ando devagar para justificar a moral desta fábula/crônica. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Lucilene Machado&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TJIOcLfNjKI/AAAAAAAAAHQ/B6cmyNogFEk/s1600/centros_atocha_03.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TJIOcLfNjKI/AAAAAAAAAHQ/B6cmyNogFEk/s320/centros_atocha_03.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-2366344455648129491?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/2366344455648129491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/09/as-tartarugas-e-eu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/2366344455648129491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/2366344455648129491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/09/as-tartarugas-e-eu.html' title='As tartarugas e eu'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/TJIL_mHlP0I/AAAAAAAAAHI/cMC0bAtCddE/s72-c/centros_atocha_01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-3806574487257015114</id><published>2010-06-23T07:46:00.001-04:00</published><updated>2010-06-23T07:47:57.734-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="background-color: #cfe2f3; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;REFLEXÕES SOBRE O DIA E O ANO DA MORTE DE JOSÉ SARAMAGO&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: #cfe2f3; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: #cfe2f3; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O amor é a última fronteira, talvez a única. O amor é uma edificação abstrata encoberta pela soleira de algum navio que ousa estar muito longe dos calendários, num lugar onde não há noites e o dia entra pela sacada chegando ao fundo da alma. O amor é a maior celebração em que se come a comida devagar, degustando sem pressa, como se  digeri a vida, ciente de que um dia será por ela digerido. &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: #cfe2f3; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Enchi a boca de  alface e fui me deixando pastorear a alma. Saramago morreu. Saramago is dead. A língua portuguesa enviuvou-se de seu mais fiel porta-voz. A morte é a mais fria monstruosidade. Não quero morrer nunca. Tampouco quero comer um prato único. Não quero o céu da boca condicionado a um mesmo sabor. A vida é cheia de imortalidades. Creio na imortalidade das palavras. Palavras musicadas, retumbadas, esculpidas, palavras repetidas milhões de vezes. Todas as palavras que dissemos, desde o principio do universo estão por aí, dando voltas, sustentadas pelo magna do universo. Eternidade é isso. No principio foi a palavra, no final, segue a palavra. As palavras dos mortos penetram nossa cabeça formando redemoinhos. O grito dos portugueses ao avistar a terra brasilis pela primeira vez. O grito de independência ou ainda mais distante as palavras que crucificaram Cristo. As palavras de Sócrates, Aristóteles... mesmo que não recordo suas significantes, os significados passam por mim como uma lâmina. De maneira similar, passam por mim as palavras de meus avós a me acariciar a face. Uma brisa ligeira que me conforta e me faz  reviver cenas de uma infância preservada pela imagem e pela palavra. Saramago transformou-se em palavras que serão disseminadas por muitas outras gerações. Nascerão no espírito e na alma de cada novo ser com a naturalidade dos lírios no campo. A semeadura foi feita com a coesão de um homem que pensou a partir da consciência da palavra-viva. Pensou por meio do coração do povo. E se agora nos deixa, sua palavra nos agarra. Estarão albergadas nos porões de nossas almas para sempre. &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: #cfe2f3; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Daí que celebro. Não a morte, mas a herança que nos foi legada. Uma herança que só tem pátria em ilhas férteis, porque as sementes criam e se recriam, para que ninguém pereça de fome e o alimento seja preservado para além das intempéries e estações.  Quem sabe um dia, na terra, se compreenderá algo como o amor. Intentar-se-á descobrir onde ele se esconde ou se concentra. O amor não desespera, não se exaspera e se agora me calo é porque estou inadvertidamente viva no dia e no ano da morte de José Saramago. &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: #cfe2f3; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Lucilene Machado &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-3806574487257015114?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/3806574487257015114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/06/reflexoes-sobre-o-dia-e-o-ano-da-morte.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/3806574487257015114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/3806574487257015114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/06/reflexoes-sobre-o-dia-e-o-ano-da-morte.html' title=''/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-9085560980090786527</id><published>2010-03-07T15:48:00.000-04:00</published><updated>2010-03-07T15:48:33.299-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>O encontro</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S5QCxH3Nm_I/AAAAAAAAAGw/CCpVrW0l_Lg/s1600-h/VCAFI309WCA73ZBEXCA0F11CZCAPZELEVCA01517ZCA8O0TPCCASMUG9WCAKGC2YRCAJ3ITTGCAFUICCPCATF5S1DCA2O0W0JCAF5L50ZCAJRK579CAYW1BZICAV59HMICA9PETQWCAMOEV3NCARJANGT.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="298" src="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S5QCxH3Nm_I/AAAAAAAAAGw/CCpVrW0l_Lg/s400/VCAFI309WCA73ZBEXCA0F11CZCAPZELEVCA01517ZCA8O0TPCCASMUG9WCAKGC2YRCAJ3ITTGCAFUICCPCATF5S1DCA2O0W0JCAF5L50ZCAJRK579CAYW1BZICAV59HMICA9PETQWCAMOEV3NCARJANGT.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;b style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O moço chegou assim, sem conhecer ninguém. Era quarta feira ou sexta feira? Sei que era dia de percorrer longas distâncias dentro de mim. Não havia nenhuma festa. Ou havia?  Talvez a festa acontecesse entre nós dois, mas não percebemos, por uma única razão: somos míopes! Ele, com miopia nos olhos. Eu, na alma. Neste caso, brindamos com palavras, o que não podíamos reconhecer.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O cenário era rústico, as superfícies refletiam o desgaste que o tempo inflige às coisas. A atmosfera  amiúde e patética era cercada por objetos sem atrativos, insignificantes diante do encontro de duas pessoas desconhecidas, mas que mesmo assim tornam-se pontos  fixos de observações e até comentários, porque nesses momentos as coisas internas e externas se misturam e se transformam, indubitavelmente, num elemento poético. &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Assim, agregamos palavras. Talvez excedentes. Talvez prematuras. Mas todas perdoáveis. Quem é capaz de traçar, antecipadamente,  um caminho por onde percorrerão as palavras? Palavras são mariposas que sobrevoam o mapa eletrizante dos nossos sonhos, buscando sinais magnéticos para uma completa atração. Entretanto, nem sempre isso acontece. Às vezes as mariposas fecham as asas e caem vencidas sobre o chão da realidade. Dá-se aí uma  inapetência diante das palavras grafadas, inutilmente,  para serem deletadas devida a corrosão sofrida pelo pensamento inadvertido. &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O moço não tinha palavras rudes. Suas frases alcançavam a doce superfície dos instrumentos  afinados, tinham a suavidade de madeira manejada e uma consistência de tato, como se a voz fosse algo palpável. Porém esses fatores não são imprescindíveis ao esquecimento, razão pela qual coloco palavras no papel para que o perfeito estado dos vocábulos não seja destruído e possa ser  preservado no núcleo de sua estrutura. Porque o moço, bem, o moço já se foi. Discretamente, como chegou. Levou as idéias, os projetos, as atitudes, os prazeres...   já seria a hora de envilecermos?  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ele tinha que ir. E eu fiquei ali olhando para as costas do moço e pensando como teria sido se ele ficasse,  se seria bom, se ele escrevia bem... se eu iria molhar os olhos lendo  textos pela madrugada...  fiquei ali olhando para o moço e ele indo embora... E eu nem fiquei sabendo se ele  lia  Pablo Neruda, se gostava de Fernando Pessoa....  se já havia chorado alguma vez, se tinha algum sinal de infância... por que aquele cuidado excessivo em apagar as pegadas, em não deixar pistas? Por que a precaução em se  manter desconhecido?&lt;span style="background-color: #fff2cc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Então, fiquei aqui pensando nas coisas que a gente perde, sem saber o que está perdendo. E, o que fica dessas pequenas conspirações do destino além da dolorida hora de olhar alguém partindo? Talvez a poesia. E como disse Neruda: “...na casa da poesia nada permanece a não ser o que foi escrito com sangue para ser ouvido pelo sangue.”&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Lucilene Machado &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-9085560980090786527?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/9085560980090786527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/03/o-encontro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/9085560980090786527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/9085560980090786527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/03/o-encontro.html' title='O encontro'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S5QCxH3Nm_I/AAAAAAAAAGw/CCpVrW0l_Lg/s72-c/VCAFI309WCA73ZBEXCA0F11CZCAPZELEVCA01517ZCA8O0TPCCASMUG9WCAKGC2YRCAJ3ITTGCAFUICCPCATF5S1DCA2O0W0JCAF5L50ZCAJRK579CAYW1BZICAV59HMICA9PETQWCAMOEV3NCARJANGT.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-5749983705847719987</id><published>2010-02-19T16:58:00.006-03:00</published><updated>2010-02-20T01:33:01.449-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Seguindo os sinais</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S37s95yYaLI/AAAAAAAAAGo/D7Qy6UghJ5I/s1600-h/ufo_nave_extraterrestre_ovni_extra_terrestre.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="271" src="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S37s95yYaLI/AAAAAAAAAGo/D7Qy6UghJ5I/s400/ufo_nave_extraterrestre_ovni_extra_terrestre.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;SEGUINDO OS SINAIS&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Você entra na cidade e recorda que a primeira vez que ali estivera, fora por uma paixão. Paixão esquecida na página de algum diário que você, com louca ternura, escreveu. A memória das palavras engoliu todas as emoções, angústias, frustrações ou qualquer mágoa remanescente de um romance acabado. Mas semelhante à memória de uma máquina, restara algum terminal que, ligado a um banco de dados, restituía informações já recobertas por acontecimentos recentes. Uma saudade volta a inundar-lhe o ser numa esplendorosa manhã de sol tão linda como aquela em que se conheceram. Você volta a sentir o aroma dos pães e dos cafés que resguardam uma felicidade suavemente doméstica. Cresce uma detestável nostalgia e você constata, com certa resistência da memória, que a data atual é a mesma do dia em que se conheceram. Seria uma simples coincidência? Mais que isso, você se dá conta que está na mesma rua onde jantaram pela primeira vez e assistiram a um concerto de jazz. Você fica aterrada por uma dúvida: seriam sinais? Ora, nada acontece por acaso e milhares de coisas são movidas no eixo do universo para que coincidências ocorram. Mas você corta bruscamente a hemorragia de sugestões que teima em inundar seu cérebro, fecha os olhos e encosta-se na poltrona do ônibus. Por sua própria segurança (ou insegurança) não iria dar vazão a essas enxurradas de idéias supersticiosas. Definitivamente não acreditava em sinais. Mas, e se esses toques divinos existissem? Pressentimentos? Intuições? Será que aquele homem de olhar caprichoso guardava as lembranças do passado? Provavelmente diria que sim. O que ha-via de verdadeiro nele era essa falsidade com que conduzia as relações. Uma excessiva adaptação a situações adversas, a convenções de sentimentos, ao uso de expressões por demais lisonjas que a agradava. Mas na verdade, há muito ele havia se esvaziado da substância amorosa embora carregasse uma fragilidade não muito comum aos homens. Estratégia para atrair as mulheres? Era uma imagem máscula pendurada sobre um fundo de desamparo. Contradições que lhe davam um charme peculiar. Falava de si como se inventasse uma história de fadas. E você lutou para não ser parte da ficção, de pouco valeu, acabou enredada pela tessitura das construções literárias. Você o amou na arte e na vida. Chorou uma semana. Chorou no banho. Chorou ao secar-se com a toalha. Chorou ao se olhar no espelho, nua. Chorou nua. Mas depois descobriu novas paixões, novas possibilidades, novos mundos... Agora estava ali, com uma câmera de turista a captar imagens para seu álbum, mas o que via eram partículas&amp;nbsp; esquecidas pedacinhos de cristais imperceptíveis às lentes da máquina. Toma o metrô com a alma sufocada de azul. Desce numa estação qualquer para respirar e depara-se com um mural imenso onde tudo acontece simultaneamente. As naus dos conquistadores, a inquisição, cavaleiros com bandeiras ensangüentadas e um Cristo de olhar penetrante a desvendar os seus secretos desejos. Sua viagem é aquele afresco múltiplo. Não há clareza. Está sendo guiada pelo instinto que desvia o curso de seu destino. Há um traçado superior determinando seus passos. Há uma leve suspeita de que qualquer caminho que tomar encontrará, ao final, aquele homem, mas você resiste cooperar com o destino. Entra num bar para um café e constata que o garçom tem o nome igual ao dele, não há dúvidas de que um ar de magia envolve toda a situação. Era necessário estar atenta. Ele poderia surgir a qualquer momento. Melhor usar um corretivo nos olhos, um batom na boca e espiar, discretamente, nos lugares possíveis e nos impossíveis. Mas a noite chega e nada. Você volta ao hotel e entre um telefonema e outro vê o número dele exposto em sua agenda. Passa horas imaginando encontrá-lo num acaso. No fundo, você sempre acreditou que, algum dia, o destino voltaria a unilos. Mas talvez fosse necessário cooperar. Decide ligar. É preciso arriscar, decifrar os códigos, fazer a parte que lhe cabe. Não é assim que discursam os místicos? Pega o telefone e sente um frio no estômago. Era já meia-noite... mas que importa? Fora à meia-noite que trocaram o primeiro beijo. Era uma hora mágica e nada poderia ser forte o bastante para contrariar toda aquela energia. Disca o número, já quase arrependida. Um medo de gaguejar, de perder a voz, de não saber o que dizer... cada toque é uma eternidade. Um desejo. Uma esperança. No quarto toque, uma voz feminina atende. Você, assustada, pergunta por ele. A voz responde que ele está no banho. Você silencia. A voz pergunta se você quer esperar, deixar recado, chamar no outro dia... Você desliga imediatamente e depois de organizar os pensamentos, sente uma ponta de dor. Por certo essa voz femi- nina seja um sinal claro e evidente de que você não entende nada de sinais. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-5749983705847719987?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/5749983705847719987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/02/seguindo-os-sinais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/5749983705847719987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/5749983705847719987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/02/seguindo-os-sinais.html' title='Seguindo os sinais'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S37s95yYaLI/AAAAAAAAAGo/D7Qy6UghJ5I/s72-c/ufo_nave_extraterrestre_ovni_extra_terrestre.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-9035310498618132114</id><published>2010-02-02T22:20:00.003-03:00</published><updated>2010-02-02T22:41:12.151-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>BIOGRAFIA DE AMORES (texto IX)</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S2jT4vLEjYI/AAAAAAAAAGg/zvdnt2DEH_E/s1600-h/corazonmuerto3yr.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="263" src="http://1.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S2jT4vLEjYI/AAAAAAAAAGg/zvdnt2DEH_E/s400/corazonmuerto3yr.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Texto IX&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; D&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;esculpe JB, se abro o coração em praça pública. Quando me apaixono, o nível de burrice se eleva enormemente e a inteligência se fragmenta em milhares de partículas. Claro que eu nunca fui dotada de uma inteligência privilegiada, meu pensamento nunca ultrapassou as teorias já existentes, tampouco eu soube fazer uso delas nas horas devidas. Escrevo porque sou refém das palavras, preciso delas para unir os destroços de inteligência, fragmentados em letras díspares, que extrapolam as margens do meu entendimento.  Escrevo para saber o que penso e o que sinto. Escrevo sobre a metade das coisas, a metade que me pertence, a metade que entendo. A outra metade talvez seja a que me explique, mas não forço a vida. Sou condescendente com o improvável. Difícil compreender? Para os carentes de fantasia esse relato é inútil. O que vou escrever, nada mais é que um recorte da realidade atravessado pelo sonho. A arte de fantasiar é a mesma para produzir milagres ou ciladas, é a mesma que veste as palavras de emoção para serem vendidas em páginas de livros. Às vezes são vendidas em tendas, aos quilos, pesadas em balanças, a preços módicos. Frases sofisticadas ou rústicas que atam como cordas  até aos mais avisados. Aprendi cedo que seria difícil lidar com isso. Comecei com certa precaução. Media as palavras palmo a palmo para ver até onde elas poderiam chegar. Minhas mãos engrossaram pelo trabalho de lapidação. Espichava os vocábulos,  puxava as tardes pelas beiras,  moldava os sons com o fim de criar laços sinestésicos que fossem indissolúveis. Aprendi a diferenciar estruturas, a separar palavras pelo tato,  a ousar nas envergaduras, mas nada foi  bastante para me proteger, para me poupar dessa engenhosa armadilha inerente à realidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não sei se existe explicação lógica para justificar os atos sentimentais, mas eu sabia, eu juro que sabia que os arcos daquele sonho iriam ruir. Eu sonhava e falava, e a palavra ia ficando maior do que o sonho. E o sonho ia entrando na palavra, e a palavra ia roubando o sonho...  Fiquei cativa da palavra impiedosa e do seu tom racional. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu sempre soube, JB,  que o meu amor era maior que o seu, e isso já era uma dor antecipada. A memória do futuro me oprimia. Cada vez que você me abraçava, ofegantemente eu respirava uma certeza, você não era meu. Cada vez que nos amávamos, mesmo com toda sincronia de corpos, a sensação de distância  era abissal.  Sua cautela para que a sensibilidade não fosse dominada pela inteligência, me atingia como uma faca cega diretamente no coração. Sua paixão por Kant me causava ódio. Kant nunca conheceu o amor. E você queria ser ele. Eu também quis ser ele por várias vezes. Quis ser aquele livro velho de folhas amareladas cujas palavras construíam os seus argumentos. Faria qualquer coisa  para garantir a sua admiração enquanto você me impunha um silêncio devastador. Um silêncio severo, teórico. Por certo, queria me enfraquecer para que eu não sofresse tanto a dor da morte. Mas não há paliativos para a morte, nem para os simulacros da morte. O amor já havia engolido tudo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-9035310498618132114?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/9035310498618132114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/02/biografia-de-amores-texto-ix.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/9035310498618132114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/9035310498618132114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/02/biografia-de-amores-texto-ix.html' title='BIOGRAFIA DE AMORES (texto IX)'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S2jT4vLEjYI/AAAAAAAAAGg/zvdnt2DEH_E/s72-c/corazonmuerto3yr.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-6558497974266406765</id><published>2010-01-30T10:38:00.005-03:00</published><updated>2010-01-30T11:51:36.737-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>TERNURAS ESCULPIDAS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S2RHXO_lQlI/AAAAAAAAAGY/jhNpls_t1_A/s1600-h/rose.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="307" kt="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S2RHXO_lQlI/AAAAAAAAAGY/jhNpls_t1_A/s400/rose.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;TERNURAS ESCULPIDAS&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Continuo a não compreender as palavras. Continuo sem saber o sentido que dou para esta ou aquela verdade. Há tantas verdades enroscadas no meu cérebro! Ainda me impressiono, por exemplo, com os sorrisos. Mesmo quando não são dirigidos a mim. Há um desses pendurado no meu pensamento. Um sorriso branco que me humilha. Alguma coisa me é despertada por dentro e me faz sentir tão pequena, quase nada. Mulher sexo frágil. Seria isso? O espírito resiste dentro de um vaso fraco. Resistir a quê? À sedução de um sorriso alheio? Sentir é a forma mais irracional do saber. Torna-se intrigante explicar. O coração fica de um jeito esquisito. Parece uma flor se abrindo e tendo de se fechar imediatamente. Uma quase dor. Uma martelada no cérebro: “você está cobiçando o sorriso do próximo!” Tentação deve ser isso. Você é tentada a continuar olhando enquanto trabalha a matéria bruta do seu pensamento, ou, matéria bruta do seu corpo. O corpo informa mais que o cérebro. E você olha, olha... e ainda leva a imagem retratada no olhar. Depois fica analisando a geografia do sorriso: comprimento, largura, relevo, umidade... e começa a traçar mapas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Carrego tantos mapas de sorrisos. Longitudes impressionantes! Escondo todos. É como se fosse uma violação à lei natural. Não se pode teorizar um sorriso. Sinto-me a própria rainha de Sabá. Utopia? Detesto esta palavra. Quero dizer, detesto o significado dela. É quase irmã da angústia. Guarda medo e desafio. Uma palavra muda. Não pode ser dita de qualquer modo, necessita certa fundamentação. O que vem contrariar os meus princípios estruturais. Escolho minhas palavras à revelia. Saio pelo mundo catando obsessões, colecionando sorrisos, respirando a beleza do que está fora de mim. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na verdade, eu nunca quis ser uma intelectual. Sou comprometida com a ternura. É a maneira mais fácil de ser feliz. Vi na vitrine de uma loja de brinquedos um robô-soldado com movimentos carinhosos e ternos. As lágrimas quase saltaram dos meus olhos. Por instantes, não consegui qualquer raciocínio. Sensibilidade afetiva humana. Pense o que quiser. A ternura pode não ser humana. Pode não ser um sentimento, uma emoção... a ternura pode ser apenas um impulso. Um impulso capaz de nos deixar estáticos. Ou, poderia dizer que, a ternura é um soldado invencível. Seria esta a lição do artista? De que adianta transformarmo-nos em verdadeiros robôs se só a ternura poderá vencer os conflitos?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De súbito comecei a me perguntar o que pode ter passado pela mente do autor durante a concepção da obra. Por certo, fartura e carência; requinte e rudeza; guerra e paz; intuição e ciência; tradição e pós-moderno... Quantas antíteses! Por outro lado, os movimentos ternos do robô podem ser conseqüências de alguma falha do mecanismo robótico. Mas não gostei dessa hipótese. Um pensamento fácil e realista. Olhei novamente, de esguelha, para o boneco. Se o artista não é um gênio, a obra é um milagre. Há uma magia qualquer que aciona um ponto dentro da gente. Um ponto de felicidade. Como a vida é secreta, meu Deus! Minha missão neste mundo é apenas viver. Compreender é pretensão. E o tempo é pequeno para que um dia eu venha a aprender algo mais concreto acerca de bonecos e robôs.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-6558497974266406765?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/6558497974266406765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/01/ternuras-esculpidas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/6558497974266406765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/6558497974266406765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/01/ternuras-esculpidas.html' title='TERNURAS ESCULPIDAS'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S2RHXO_lQlI/AAAAAAAAAGY/jhNpls_t1_A/s72-c/rose.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-1351157148061206499</id><published>2010-01-30T10:29:00.000-03:00</published><updated>2010-01-30T10:29:09.486-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S2Qz99ktueI/AAAAAAAAAGQ/k9-a83zLJPw/s1600-h/jornada+da+alma+3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="303" kt="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S2Qz99ktueI/AAAAAAAAAGQ/k9-a83zLJPw/s400/jornada+da+alma+3.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;cena do filme Jornada da Alma (The Soul Keeper, 2002)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-1351157148061206499?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/1351157148061206499/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/01/cena-do-filme-jornada-da-alma-soul.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/1351157148061206499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/1351157148061206499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/01/cena-do-filme-jornada-da-alma-soul.html' title=''/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S2Qz99ktueI/AAAAAAAAAGQ/k9-a83zLJPw/s72-c/jornada+da+alma+3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-464720711941803539</id><published>2010-01-14T23:00:00.000-03:00</published><updated>2010-01-14T23:00:29.927-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas'/><title type='text'>SECUENCIA DE SUEÑOS</title><content type='html'>&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S0_L8YBjaII/AAAAAAAAAGA/HJQ_3LIiLio/s1600-h/Mujer_en_la_ventana_redonda.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S0_L8YBjaII/AAAAAAAAAGA/HJQ_3LIiLio/s320/Mujer_en_la_ventana_redonda.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="ES" style="color: black;"&gt;SECUENCIA DE SUEÑOS&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="ES" style="font-size: 11pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-family: Verdana,sans-serif; font-size: large;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="ES" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif; font-size: large; line-height: 150%;"&gt;Por hoy, yo necesitaba solamente una botella de vino para embriagarme. Espíritu dionisiaco a beber un sueño. Pero el cáliz de la realidad no me permite ganar la eternidad del cielo de una boca o cualquier otro paraíso hecho de suspiros y &amp;nbsp;palabras. La razón no entiende la emoción. Los enfrentamientos y las estafas. Enamorase merece la pena por el silencio que engloba, por &amp;nbsp;lo que no podemos decir, por lo que no podemos preguntar, porque muchas veces las preguntas no son posibles.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: black; font-size: large; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Me inclino a lo largo de la barandilla de una ventana que no me pertenece. Nada me pertenece. Pocas personas en el mundo son tan desnudadas como yo. Tengo una desnudez que me duele. Una desnudez que quiere ser dividida. Es sublime donar un pedazo de si. Una mutilación que edifica &amp;nbsp;sueños. ¿Cuántos sueños son necesarios para desentrañar el misterio de un hombre? Tal vez ninguno. Es posible se desintegrar los átomos de un hombre con actitudes. Con algún impulso de la sangre latina se puede disfrutar preciosos descubrimientos. Pero el amor es otra cosa. El amor es el nombre que busco y para el cual &amp;nbsp;me encontré derrotado un par de veces. Fue infeliz en todas las felicidades. Mi alma es una capilla vacía esperando por un ángel. Un ángel lleno de pecados a hacerme confesiones. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: black; font-size: large; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; La luna arrastra el futuro por caminos inexplorados. Quiero estar viva lo suficiente para viajar con mis ilusiones por estos designios. Ya no estaré confinada a un rincón del mundo con esta sobrecarga de imágenes. Ya no necesitaré pensar, no necesitaré concentrarme en los amarres del texto que tiene cuerpo de crónica. Eso extiende mi angustia. Yo quería pensar sin formas, pero no puedo. Todo acaba formalizado. El miedo de la decepción, el miedo de no tener miedo... Cada palabra tiene su precio. Soy víctima de un sistema colectivo de conexión de ideas. Incluso el amor tiene su propia terminología. Incluso el amor tiene su ciencia. Pero hoy estoy incurable. Quiero un amor de bar. Un amor sin prisa y sin causa. Es porque lo es, porque tiene que ser. Un amor sin historia, sucediendo al acaso, como si yo nunca hubiera soñado nada de esa naturaleza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: black; font-size: large; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; En realidad, cuando se vive a miles de noches, ya no se puede saber en cual noche antigua, muy antigua, se plantó el sueño. Debe ser cuando afeité las piernas por la primera vez, usé tacones y todo el mundo se dio cuenta: "esta niña creció, está se haciendo mujer." Se completó un ciclo. Nunca volví de nuevo al ático para jugar con muñecas. Sí, volví sí, para a ver de las alturas el destino que se levantó de la tierra. El destino tenía cuerpo y olor de hombre. Me sentí avergonzada de mis sentimientos sin vergüenza. Avergonzada de mis pensamientos audaces. Mi cuerpo era un mar con necesidad de muchos ríos para satisfacerlo. ¿Era así con todas las chicas? La pubertad, he escuchado en la clase de ciencias. Sólo no hablaran de la necesidad de la simbiosis del espíritu. Pero, instintivamente comencé a buscar el verdadero amor. Raras veces lo viví por entero. Yo quería lograr con la mano lo que está a la altura de la inteligencia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: black; font-size: large; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Esta memoria afectiva me hace cansada! Yo podría decir que hoy estoy lista para el desafío, pero el amor tiene rasgo desconocido para mí. No puedo hablar de la anatomía. Tanta belleza en una. Tanto pecado en el mismo pecado. La redención, el perdón... Eros, ágape, filia... gravitar &lt;/span&gt;&lt;span lang="ES" style="font-size: large;"&gt;alrededor&lt;/span&gt;&lt;span lang="ES" style="color: black; font-size: large; line-height: 150%;"&gt; del otro... mejor bucear en un vaso de vino y lamer la emoción altruista (o es egoísta?) de haber escrito esta página. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-464720711941803539?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/464720711941803539/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/01/secuencia-de-suenos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/464720711941803539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/464720711941803539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/01/secuencia-de-suenos.html' title='SECUENCIA DE SUEÑOS'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S0_L8YBjaII/AAAAAAAAAGA/HJQ_3LIiLio/s72-c/Mujer_en_la_ventana_redonda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-3494123533068494351</id><published>2010-01-13T14:05:00.005-03:00</published><updated>2010-01-13T14:10:36.162-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comentários'/><title type='text'>Comentários do meu amigo-leitor João Ferreira, que escreve lindamente.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp; Lucilene&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: blue; font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: blue; font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Gosto imenso de ler tuas crônicas. Ao lê-las sinto a bruxaria tecelã enredando, sublimando, engrandecendo, elevando. Dá-me a impressão de te ver sentada num tear matricial onde controlas os fios com que vais tecendo a narração. Um fio daqui, outro dali. As pontas rapidamente se transformam em sujeitos e personagens. Em pouco tempo a linguagem é toda movimento. Ao leme há sempre um sujeito-autor comandando o sujeito- narrador que é sempre a mulher. Mulher que é arquétipo, gênero, indivíduo, ente ficcional, ente real, ente desenhado, mulher eterna e mulher... até biodegradável... Tudo o mais que sai deste tear matricial e mulherial é fio para tecer imagens, personagens móveis, possíveis, personagens decaídas, decadentes, personagens divinas, elevadas, personagens de desejo e personagens de vida real. A crônica plástica usa tintas variadas e exige talento para pintar quadros destes. A Lucilene Machado ora é tecelã, ora pintora, ora mulher, mas nunca deixa de ser escritora. Eu leio suas crônicas, Lucilene, e devo reconhecer que fico enleado com a plasticidade literária de seus textos. Você sabe costurar. Costurar palavras não é fácil. Fazer literatura é conseguir a transição da palavra comum e pesada do dicionário para o nível literário, metafórico e ágil da linguagem. É uma tarefa que exige talento. A Lucilene tem este talento. Por isso fala até da mulher biodegradável. Em seu texto, as palavras se atrelam, se erguem, se definem, se acoplam, fazem sentidos, arrastam, criam relações com arquétipos e sentidos como se fosse a própria linguagem semiótica. Em sua prosa há sempre um sujeito, que é a mulher. Todo o resto são fragrâncias, são rendas, são pinturas, arquiteturas, músicas. A mulher irradia e à volta dela criam-se cintilações, iluminações. Há bailes e festas, há movimento. A mulher os conduz. Há amores: a mulher os tece. Há ódios ou suspeitas: a mulher os contorna. Literatura é isto. Imaginação criadora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Beijos. João Ferreira&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-3494123533068494351?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/3494123533068494351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/01/lucilene-gosto-imenso-de-ler-tuas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/3494123533068494351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/3494123533068494351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/01/lucilene-gosto-imenso-de-ler-tuas.html' title='Comentários do meu amigo-leitor João Ferreira, que escreve lindamente.'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-2948951964208566165</id><published>2010-01-09T01:12:00.003-03:00</published><updated>2010-01-09T15:18:30.876-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>MULHERES BIODEGRADÁVEIS</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S0gBW0nihPI/AAAAAAAAAFw/dG9agIusQTQ/s1600-h/Primeira20estrela.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S0gBW0nihPI/AAAAAAAAAFw/dG9agIusQTQ/s320/Primeira20estrela.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="background-color: white; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Eu pertenço a uma geração de mulheres biodegradáveis (ou biodesagradáveis?), que se espalham, se dissolvem e desaparecem sem deixar menores partículas. Mulheres que habitam um mapa superaquecido e se decompõem facilmente por não oferecerem resistência. Seus cadáveres são expostos em praça pública e seus microorganismos avaliados cientificamente. Arrancam pecados de seus estômagos, ironia de seus rins, enquanto suas almas atravessam paredes e janelas. Faço parte dessa classe de mulheres que apagam suas histórias para não poluir a natureza e suplantam a vingança para não destruir o planeta com uma exacerbada energia negativa. Mulheres que inventam rios e chuvas. Cruzam a água e chegam molhadas na hora em que os débeis não estão preparados para recebê-las.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sou dessas mulheres etéreas, quase voláteis. Costumo escapar por entre os dedos da eternidade enquanto a vida respira cotidianamente em ritmos de procissão. Mulher que se inventa em destinos gozosos, impossíveis, fazendo-se terna e selvagem. Procura homens que disputem sua inteligência, entretanto os homens estão ocupados em suas infinitas memórias sexuais e seus sonhos freudianos. Presos em suas falsas muralhas, cobertas de ciprestes que espinham, mas são vulneráveis ao opor resistências.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Foi por esse ponto frágil que adentrei várias vezes ao mundo masculino, dissolvendo-me em todas as tentativas. Com Ed também foi assim. Ele tinha a essência do vento oceânico em sua respiração. No início achei que não devia. Suas mãos manejavam sonhos jurássicos e seus olhos liam livros cujas letras caíam de suas folhas. E eu, carregada com essa consciência ecológica, habituada a ser poema sem livro, pensamento sem recordações, roteiro de personagens ímpares sem cheiro e sem rastros, fui contornando a situação.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ele era quase feliz, embora estivesse abandonado, embora estivesse intoxicado com seus próprios pensamentos. Como assinalou Joyce, estava feliz, perto do coração selvagem da vida. Não buscava amores, mas não relutou mediante minhas tentativas que poderiam levá-lo a algum paraíso esquecido, ou ao nada.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O mundo da palavra é uma possibilidade infinita de aventura. Foi por aqui que iniciamos. Percorremos a cidade por cima, como duas gaivotas perdidas em terra estranha. O fio condutor me pertencia por condição literária, mas nunca deixei de ouvi-lo. Pescado vivo dentro de sua realidade, era um personagem real caminhando por vias oblíquas, bem próximas das relações verdadeiras e consolidadas que podem dormir ao som do mar ou à luz do sol, ao meio dia. Nos perdemos nos bosques distantes só para ter a surpresa de nos reencontrarmos. Dias e noites de intensa paixão. Mas logo veio o impacto do instante agudo, sem nada dentro. Um silêncio que me traía, que me expunha, que queria estar comigo. No destino das mulheres há sempre um absurdo. Às vezes a vida toda é um absurdo. Ed não suportou o meu silêncio. Tomou decisões dramáticas, sérias e descabidas. Aparentou ferocidade ao precipitar o curso das coisas, tentou salvar uma de minhas partículas, minha primeira célula, como se isso fosse possível. Nada. Do todo, restou minha presença espectral e o estranho bater de um coração desconhecido que pertence ao narrador (ou narradora?) que é pessoa lá de fora, obrigada a ser neutra, a ser comum, a ser normal ainda que só se revele aos sensíveis e loucos. Devo acrescentar ainda que este é um conto de ficção, qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência, principalmente se for com a sua, Ed. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-2948951964208566165?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/2948951964208566165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/01/mulheres-biodegradaveis.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/2948951964208566165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/2948951964208566165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/01/mulheres-biodegradaveis.html' title='MULHERES BIODEGRADÁVEIS'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S0gBW0nihPI/AAAAAAAAAFw/dG9agIusQTQ/s72-c/Primeira20estrela.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-8741739686424650262</id><published>2010-01-01T20:51:00.002-03:00</published><updated>2010-01-03T12:13:35.323-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>BIOGRAFIA DE AMORES (texto XI)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S0CzYfpgG5I/AAAAAAAAAFQ/jipZPrz5g-w/s1600-h/Mujer%2B(62).jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ps="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S0CzYfpgG5I/AAAAAAAAAFQ/jipZPrz5g-w/s400/Mujer%2B(62).jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;BIOGRAFIA DE AMORES&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Texto XI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Desci do trem pensando em como seria a vida depois dele. Arrastei a mala, muito mais pesada que antes, sobre a superfície íngreme do meu destino. Segui devagar, não queria que o ranger das rodas denunciasse qualquer som mórbido. As marcas de tristeza não devem aparecer para não infectar os que merecem estar felizes a nossa volta. Chutei uma pedra imaginária como uma forma de desabafo, como uma forma de dizer “ó vida, e agora?” O frio me agarrava pelas costas golpeando os meus ossos. Lembrei-me dos dias anteriores. Lembrei-me da sala entulhada de imagens, da lareira e do fogo a nos vigiar. Éramos dois. Quase um. Nossas poucas palavras jaziam entre cinzas e chamas, e o frio com seu vulto surdo-mudo nos fazia sombra. Vez por outra ele atiçava as labaredas com as mãos desnudas. Um gesto que me excitava. Sua língua sorvia o calor ardente da lenha para me aquecer os seios. Nossos corpos eram nossas almas. Nossos sonhos e peles se misturavam. Toques e aconchegos. Víamos por dentro. Viver, amar e ser amado. A vida passa por essa gradação e eu obedeço. Nunca me disseram que eu deveria ser amada para amar. Aprendi só a me envolver com a paixão, muito mais que com a história. Daí que a paixão acontece fora do script, aquém de seu tempo determinado e me deixa com o espírito cheio de interjeições, mas não maldigo os desacertos. Gosto de perambular, sem defesa, pela rota do imprevisível. Algo não aconselhável, só ouso porque sou capaz de suportar as agruras posteriores. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A casa dista cinco quadras da estação. Arrasto a mala como quem arrasta um planeta. Vários faróis se alternando em verde e vermelho como se alternassem também as interjeições: “siga! Olhe! Cuidado! Aproveite! há esperança, há amor... fuja! Nenhum médico poderá salvá-la! Você será afogada no rio do tempo sem nenhuma gota d’água, etc., etc.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A sensação causou-me vertigem. Meus olhos resvalavam nas paredes antigas dos prédios. As ruas estavam molhadas e me pareciam perturbadoras àquela hora da noite. Tudo parece perturbador ou fabuloso quando o coração está inquieto. A cidade me olhava como um homem olha uma mulher e ia soltando seus ruídos. Sibilinos como o som do vento nos vitrais, durante as noites de insônia. Senti-me forte cidadã dessa selva de pedra cada vez mais gélida. Oh Deus, também eu? Creio na imortalidade da palavra. A palavra dentro de sua esfera. No princípio era o verbo e o verbo era Deus. Mas para o amor não há manuais. Algumas palavras já foram vendidas como pão e peixe. Fortalecem, ajudam a resistir. O amor jamais me esgota quando vivido em palavras, mas os abraços me arrancam o delírio, me arrancam as ilusões. O corpo fica dolorido quando a palavra voa. Recordo-me de tantas coisas que volto a ter medo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Desci a rua pensando nisso. Atravessei o parque, um cão saltou à minha frente, louco com o frio que lhe atravessava a carne. O focinho pontiagudo parecia aspirar o melhor do mundo, como se o melhor do mundo estivesse à altura de seu nariz. Os cachorros não têm antecedentes históricos, não sabem que Homero não existe mais e que a civilização, que se deu a duras penas, parece estar regredindo. Somos outra vez bárbaros. E o estado, como vociferou um antigo filósofo, é o mais frio dos monstros. Não sou ingênua para contrariar essa opinião. Não discuto, acompanho os acontecimentos. Eu e o cão não temos futuro amoroso, mas estamos neste texto a contemplar essa coisa nenhuma que é a cidade vazia de sentimentos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-8741739686424650262?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/8741739686424650262/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/01/biografia-de-amores-texto-xi.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/8741739686424650262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/8741739686424650262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2010/01/biografia-de-amores-texto-xi.html' title='BIOGRAFIA DE AMORES (texto XI)'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/S0CzYfpgG5I/AAAAAAAAAFQ/jipZPrz5g-w/s72-c/Mujer%2B(62).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-114421117612297475</id><published>2009-12-21T15:03:00.004-03:00</published><updated>2009-12-21T15:09:25.594-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>CRÓNICA PARA UN ANGEL</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Sy-4TkxNwSI/AAAAAAAAAFA/TcNshjj9xmU/s1600-h/anjo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ps="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Sy-4TkxNwSI/AAAAAAAAAFA/TcNshjj9xmU/s320/anjo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;CRÓNICA PARA UN ANGEL&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Se acaba el año. Los días son largos y soleados. Las mujeres exhiben vanidosamente la piel bronceada. Es verano. Las noches están más atrayentes, iluminadas por miles de luces de colores y adornos para todos los gustos. Los árboles extienden los brazos para ser, también, adornados, contribuyendo aún más a este clima de fiesta. En fin, no hay duda de que esta es la mejor época del año.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Aprovecho la ocasión y me entrego, sin condiciones o reservas, al Cristo que está buscando lugar para nacer. Ofrezco mi humilde manjar y aguardo a que el Ángel Gabriel entre por la puerta saludando: «Ave, llena de gracia, el Señor es contigo». &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Por el contrario, por la puerta que dejé entreabierta (imprudente que soy) entra un chico, de los alrededores de aquí, pidiendo dinero prestado para comprar gas. ¡Ah, no es la primera vez que hace eso, apuesto a que el dinero no es para gas! Piensa que me engaña. Días atrás, cuando estaba blanda de corazón, le di dinero y le acostumbré mal, ya está aquí otra vez. Es así como se transforman en pillos. Por causa de esas limosnas contribuimos a la formación de un futuro marginal. «Sólo unas monedas, tía», insiste. ¡Chico insistente! «¡Permíteme, por favor! ¡Que esta crónica es para un ángel!»&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;El siguiente que llegó fue un anciano. Tenía las vestimentas sucias y olía mal. Otros, que le acompañaban, pararon en las casas vecinas. Necesitaban un pequeño lugar para tomar un baño, tal vez un vaso de leche caliente, un cariño... Pero, sabe..., mi casa no es tan grande, ellos son hasta un número razonable, no podría acomodarlos aquí... «¿Ni por pocos instantes?», sabe..., hoy en día la gente oye cada cosa, de mendigos que matan a mujeres y niños, mejor no arriesgarse. Les enseño el camino del albergue que queda a unos cinco kilómetros. Un poco lejos, pero están acostumbrados a caminar, llegan inmediatamente.&lt;br /&gt;Déjame concentrarme en mis oraciones, quién sabe si el ángel aparece. Ordeno los adornos del árbol, compongo la decoración, quiero todo impecable. Seguramente, Jesús quedará contento. ¡Bien servido, bien honrado, claramente, explícitamente! ¡Espero que los mendigos no aparezcan más empujando la puerta, pidiendo de todo!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Y no aparecieron. Quien llegó fue aquel muchacho hijo de Marcia. La propia madre le expulsó de casa. Hace algún tiempo empezó a andar con malas compañías, se envolvió con drogas y ahora se dice arrepentido. ¿Lo creen? Ni yo. Dice que necesita un lugar para pasar la noche. Apuesto a que está en una situación embarazosa y ahora está huyendo de la policía. Claro que no voy a ceder. Ni incluso delante de aquélla larga mirada y de aquellos ojitos verdes que yo misma vi nacer. Sabe cómo es, no quiero complicación para mí. Después, debe de estar recogiendo lo que plantó. Tal vez eso le sirva de lección. Esos jóvenes tienen que aprender que la vida no es fácil, eso aquí es una cantera; vencen los más fuertes, los que se esfuerzan, estudian y luchan por un lugar al sol.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;En cuanto el muchacho se aparta, como si ya supiese mi reacción, comento con una vecina el episodio y me cubre de razones. Ah, el marido de ella también teje comentarios a mi favor. Dice que ha leído mis crónicas y que soy una persona (supone él) muy sensible.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Entro satisfecha por los elogios y hasta aparto una idea mala que se me ocurre: la de que yo había matado a Jesús (nuevamente) de decepción. Que él podría ser el niño, o el mendigo y hasta el drogado, que él no manda más avisos por ángeles, que el propio Cristo viene en la forma más simple y común y yo, refugiada en esas ideas de grandeza, no percibí...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-114421117612297475?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/114421117612297475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/12/cronica-para-un-angel.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/114421117612297475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/114421117612297475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/12/cronica-para-un-angel.html' title='CRÓNICA PARA UN ANGEL'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Sy-4TkxNwSI/AAAAAAAAAFA/TcNshjj9xmU/s72-c/anjo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-8643847478335928704</id><published>2009-12-20T14:01:00.000-03:00</published><updated>2009-12-20T14:01:56.699-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotos'/><title type='text'></title><content type='html'>Depois de um longo e tenebroso inverno, estou de volta. Trago alegrias, lembranças e saudades de pessoas e lugares que me fizeram extramamente feliz. Seguem algumas fotos que compartilho com vocês e segue a vida normalmente.&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Sy5XqD53FnI/AAAAAAAAAEg/xWDVpMauw2E/s1600-h/SDC10679.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Sy5XqD53FnI/AAAAAAAAAEg/xWDVpMauw2E/s320/SDC10679.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Beijos e abraços.&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Sy5X9IYx6hI/AAAAAAAAAEo/FUsXREnTeM4/s1600-h/SDC10683.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Sy5X9IYx6hI/AAAAAAAAAEo/FUsXREnTeM4/s320/SDC10683.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Sy5YN2ic38I/AAAAAAAAAEw/hhd5h-K9Qwk/s1600-h/SDC10710.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Sy5YN2ic38I/AAAAAAAAAEw/hhd5h-K9Qwk/s320/SDC10710.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Sy5YY_nrVFI/AAAAAAAAAE4/3XCJvj5vQKk/s1600-h/SDC10717.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Sy5YY_nrVFI/AAAAAAAAAE4/3XCJvj5vQKk/s320/SDC10717.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-8643847478335928704?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/8643847478335928704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/12/depois-de-um-longo-e-tenebroso-inverno.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/8643847478335928704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/8643847478335928704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/12/depois-de-um-longo-e-tenebroso-inverno.html' title=''/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Sy5XqD53FnI/AAAAAAAAAEg/xWDVpMauw2E/s72-c/SDC10679.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-7880008796551464504</id><published>2009-12-05T23:46:00.002-03:00</published><updated>2009-12-05T23:48:45.582-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Calabria queda aquí</title><content type='html'>Compré un vino en una de esas ferias donde los italianos negocian sus productos.  La calle es angosta y está detrás de un conocido viaducto de San Pablo. Un área que recuerda a Italia. No sé si por la arquitectura o por el acento de las señoras simpáticas ofreciendo bocadillos. El ruido de las conversaciones paralelas me impidió escuchar correctamente el precio de la botella. Pagué de menos y salí. Casi al final de la feria, en un puesto de artesanías, fui informada de que debería volver y pagar lo que faltaba. &lt;br /&gt;No voy a mentir, volví con rabia. Miré al italiano con mi boca llena de palabras. Era como si él hubiese cometido un acto injusto. Sin embargo su mirada llena de ternura me silenció. Esperé  a que él se pronunciase. Y confieso que, minutos después, estábamos probando vino con castañas  y dando carcajadas altas como auténticos italianos. Hablamos mucho. Penetré con él  en lo profundo de un país que pendía de la pared. Me presentó su Calabria, una región que parecía querer caerse del mapa. Tal vez hubiese caído ya y él no se había dado cuenta. Hay tantas cosas que el tiempo transforma sin contar con nuestra complicidad. La idea de la Calabria primitiva y prosaica parece ser una ficción. Puede estar en las páginas de la historia,  pero socialmente no existe más. No del modo como él idealiza. Que me perdonase la insensatez, pero  Calabria está más allá de Italia. O tal vez yo debería decir: está más acá de Italia. Calabria está aquí mismo en San Pablo. Hay lugares que se desprenden de su geografía y atraviesan continentes, atraviesan el tiempo, atraviesan nuestros sentimientos y se adhieren a nuestra alma. La condición humana es sorprendente. ¿Quieren algo más primario que una feria donde se vende harina de trigo a granel? ¿Quieren una sociedad más solidaria que aquella en que sus miembros se protegen unos a otros, además de ser capaces de interceptar a una desconocida que pagó menos por una botella de vino? Yo, si fuera italiana, sería feliz aquí. &lt;br /&gt;Aunque San Pablo sea un estado moderno con cuarenta millones de habitantes conserva  resquicios rudimentarios,  lo que contribuye también para preservar los sueños de señores  nostalgiosos que se resisten a cambiar el carácter de lo que les fue imputado como herencia: el deseo de volver a la tierra de sus padres, abuelos, tíos y toda una parentela que  ya no existe más. El deseo de volver a un lugar donde nunca estuvieron y que solo conocen por fotos y postales. Viven aquí como si fuesen extranjeros, sin darse cuenta de que también lo serían allá.&lt;br /&gt;Mi nuevo amigo reza y hace promesas para volver. ¿Volver adónde? ¿A Calabria, o al pasado? Palabras porosas. Mirada porosa. Piel imantada de sueños.  Calabria es el pretérito hacia donde él vuela en busca de lazos y raíces porque no se encuentra a sí mismo en el tiempo presente. Él me observa con su mirar espléndido y me habla como si fuera yo un libro capaz de registrar toda su emoción.  Escucho quieta. ¿Qué podría yo decir? La verdad, yo sería capaz sólo de decir que su alma nunca vivió aquí, que siempre estuvo prendida a un punto del mapa llamado Calabria.  &lt;br /&gt;Lucilene Machado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-7880008796551464504?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/7880008796551464504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/12/calabria-queda-aqui.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/7880008796551464504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/7880008796551464504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/12/calabria-queda-aqui.html' title='Calabria queda aquí'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-5595756574036504741</id><published>2009-11-25T13:25:00.002-03:00</published><updated>2009-11-25T13:25:41.882-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comentários'/><title type='text'>Comentário</title><content type='html'>&lt;div&gt;Querida Lucilene:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Muy bello tu texto: poético, femenino, personal. Hay críticas, así, con  sexo de mujer, más que críticos masculinos, que defienden la pertinencia de una  literatura eminentemente femenina que dé cuenta de la realidad de la mujer, de  la organización de su cabeza, del placer, el suyo particular confinado a su  cuerpo, a sus órganos sensibles específicamente femeninos, ya que todo lenguaje  engendra y procede del poder como defendía Foucault. En fin, mucha erudición.  Siempre pensé que esos textos había que crearlos, como hizo Clarice, y no hablar  tanto de ellos. Hay que caminar, como decía el poeta, los pasos engendran el  camino y no al contrario. Tus textos engendran caminos, veredas, sendas, son muy  femeninos, como digo, y muy hermosos, son posiblemente muy tuyos porque por  encima de los sexos estamos nosotros, los seres humanos que nos comunicamos, que  nos constituimos como personas con nuestras confesiones, con la expresión de  nuestros sentimientos, con nuestra voz y sus ritmos escritos o hablados, con  nuestra respiración. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Muy hermoso tu texto. Enhorabuena!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Con un saludo muy afectuoso,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Antonio Maura&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-5595756574036504741?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/5595756574036504741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/11/comentario.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/5595756574036504741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/5595756574036504741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/11/comentario.html' title='Comentário'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-513091955674740013</id><published>2009-11-24T18:57:00.000-03:00</published><updated>2009-11-24T18:57:15.004-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>COREOGRAFÍA INVISIBLE</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SwxWWTh-tTI/AAAAAAAAAD4/CuUIi_4PAoQ/s1600/passaros.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SwxWWTh-tTI/AAAAAAAAAD4/CuUIi_4PAoQ/s320/passaros.jpg" yr="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;COREOGRAFÍA INVISIBLE&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No sé que piensan los pájaros cuando, en el sábado a la tarde, duermen en los cables de alta tensión. Las aves tienen sábados frustrados. Todas las cosas que podrían haber sido, no lo fueron. No sé que piensan los hombres mientras duermen los pájaros por el sábado adentro. Sé que los hombres sufren de insomnio y cierran las ventanas. Establecen la oscuridad, borran las palabras y se desintegran en largos silencios. Cosas que podrían haber sido? Da igual. En cualquier momento hay cables de alta tensión y piernas de mujeres con la sangre hirviendo. Tantas que vienen a ser ignoradas. Despojos del amor? La desproporción creó los hombres-dioses vulgares y deificados. Creó profesionales especialistas en la argumentación. Los brazos alrededor del cuello, bocas de estatuas pegadas y música para llenar los vacíos. Pero el objeto de este texto es el amor. El tema también. El amor en construcción. Cuatro paredes lenta y dolorosa de este lado del horizonte donde quiero improvisar nidos y desplegar pájaros del sueño.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;El tiempo es corto, razón por la que me acuesto mismo en la tierra. Todas las cosas se manifiestan y se niegan continuamente. Yo finjo no percibir. Apoyo la cabeza en el seno de la ignorancia. La metafísica rodea mis límites. Hay cosas encontrándose también fuera de nosotros. La ficción quiere escribir mi historia. ¿Qué imagen haría? Oh vida, este tiempo desperdiciado en la mirada. Mi único lamento no es triste. Incongruencia? Limpie los ojos que este texto tiene la locura de la forma. La plasticidad y el lenguaje. Los literatos, eruditos e yo, y nada concreto. Lo que sabemos de las aves frustradas sobre el cable de alta tensión? Somos necesitados de amor, sexo y sueños. Nos falta la sabiduría. Un día Dios se mostró hombre entre los hombres y lo crucificaron. De ahí, mi miedo de existir. Ahí esto silencio áspero de los sábados. Mis conflictos me hacen pequeña. Gritos sordos por dentro. Sólo las palabras son capaces de secar las lágrimas. Las palabras y los dedos. Dedos escalabrados pelo tiempo siguiendo las líneas de mi cara. Dulce ternura para aquellos que rompió todos los espejos y ya no se reconoce. Yo que tengo en mí el movimiento de los demás, el conocimiento de los demás, el lenguaje de los demás, la reacción de los demás ... Yo surcado por los demás y estrangulado con mis propias manos. Sólo el amor puede salvarme. Sólo el amor produce esa lentitud sagrada de observar pájaros llenos de vuelos. El amor conoce de memoria los vuelos y los movimientos. Conoce el lugar, el istmo, donde los hombres lloran. Los hombres son bellos, especialmente cuando lloran. Hombres-mar en una isla de lluvia. Una imagen que me completa. No del todo. Una mujer satisfecha trae en si un punto final. Tengo vocación para las elipsis y los excesos. Despierto y todas las bocas se abren. Infame hambre de idealismo. La vida no es suficiente?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;El pájaro mira con todos los ojos, pero no ve nada. Ha olvidado los sentidos. Se olvidó de quién era, como era ... sólo sabe cantar, cantar. Si respirase una idea, podría convertirse en personas con todo el nihilismo inherente. La gente que niega cualquier cosa en cualquier momento. Niega la palabra, la raza, las ideas... personas que niegan la cruz, la historia, la colonización ... personas que ignoran los sábados por la tarde cuando un pájaro vuela discretamente a hacer conexiones entre las cosas visibles e invisibles.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lucilene Machado&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-513091955674740013?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/513091955674740013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/11/coreografia-invisible.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/513091955674740013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/513091955674740013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/11/coreografia-invisible.html' title='COREOGRAFÍA INVISIBLE'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SwxWWTh-tTI/AAAAAAAAAD4/CuUIi_4PAoQ/s72-c/passaros.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-3597351404046000181</id><published>2009-11-22T19:10:00.000-03:00</published><updated>2009-11-22T19:10:02.013-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Claricianas'/><title type='text'>Claricianas XVI</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;XVI&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Nasci para três coisas: amar, amar e amar. A ilusão existe para me proteger dessa verdade matemática enquanto o tempo destrói as mentiras que eu inventei. Sempre menti para disfarçar essa soma ímpar. Respirei o subtendido dos silêncios disfarçando o que eu supunha ser necessário esconder. Infinitos círculos mentais para esconder as pontas desses fios desordenados. Parecia-me a coisa mais perfeita que eu sabia fazer. A coisa que a gente nunca diz por julgar ser secreta. Mas o corpo não disfarça e nas primaveras sempre desabrocho em pétalas. Um dia disseram que me amavam. Juraram. Eu duvidei, mesmo assim espalhei-me como as pétalas. Um dia disseram que me queriam para sempre, não cri, mas me decompus em mil fragmentos. Um dia não me disseram nada e eu senti falta do engano com que fui amada. Se eu chegar a ter uma compreensão lúcida da vida, descobrirei porque o amor é a coisa que menos entendo e de que mais sei. Vejo amor até nas palavras de quem não acredita em amor. Gosto do seu sonido mesmo em frases teatrais esticadas por adjetivos e hipérboles. Há uma instância órfã no meu coração sempre pronto a acreditar. E por que não?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;L.M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-3597351404046000181?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/3597351404046000181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/11/claricianas-xvi.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/3597351404046000181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/3597351404046000181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/11/claricianas-xvi.html' title='Claricianas XVI'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-5749933315070349614</id><published>2009-11-15T15:25:00.002-03:00</published><updated>2009-11-15T15:29:02.649-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>MULHERES DE IDADE MÉDIA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SwBHF_hmibI/AAAAAAAAADw/ZOiUsOrde-s/s1600-h/Mulher%2B-%2BIdade%2BM%25C3%25A9dia%2B-%2Bideaiseideias%2Bblogspot%2Bcom.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" sr="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SwBHF_hmibI/AAAAAAAAADw/ZOiUsOrde-s/s320/Mulher%2B-%2BIdade%2BM%25C3%25A9dia%2B-%2Bideaiseideias%2Bblogspot%2Bcom.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;MULHERES DE IDADE MÉDIA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Chega uma idade em que vamos recuando, vamos ficando longe da linha de ataque, vamos enterrando os sonhos nas trincheiras, limpando o pó de alguma ternura boba e nos conformando com as migalhas que sobejaram das ilusões. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Chega uma idade em que aprendemos a desistir, esquecer... calar. Vamos nos habituando a conviver com nossas mordaças, nossas amarras... De que vale a liberdade se conhecemos tão pouca gente livre?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Chega uma idade em que vamos escondendo o romantismo nas fronhas dos travesseiros e nos contentando com o prazer efêmero com hora mar-cada para acontecer. Acomodamo-nos a um gozo mecânico sem a sonoridade dos “eu-te-amo” e dos “para sempre”. Aprende-se técnicas, métodos, estratégias racionais capazes de desentranhar a libido e compensar o amargo na boca. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Aos poucos vamos escondendo nossos tentáculos, vamos nos adaptando aos ditames da razão, obedecendo aos assobios, às leis primárias e ficando quietas em nossas menopausas sem mais ques-tionar os “que teria sido se...”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;A gente se habitua com um jeito sem jeito de ser conquistada. Um jeito sem festa, sem brindes, sem flores... um jeito prescrito que não es-conde grandes surpresas. Falta criatividade e persistência, mas a gente aprende a viver sem o e-xercício da arte de seduzir e sem os remorsos da carne. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Chega um tempo em que a gente se obriga a compreender a teoria da relatividade, objetividade, contabilidade... tudo tem um preço. Tudo en-volve perdas. Que importa? A esta altura, domi-namos a arte de perder sem muitas dificuldades. Somos mulheres equilibradas e fortes. Sabemos esconder dores sem precisar disfarçar cansaços. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Nos acostumamos às mentiras puídas e acreditamos nas palavras para não comprometer momentos de ternura. Não porque momentos se-jam poucos, mas porque viver é uma arte, a arte de acreditar. A realidade que se acredita é a mais real do mundo. Em nenhum tempo se está preparado para conviver com a franqueza. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Chega uma idade em que descobrimos que podemos perfeitamente viver sem grandes amores. O amor é parte da vida, mas apenas uma parte, e aquela história de ser tão indispensável quanto o ar que se respira é para os compêndios literários. Por mais que a idéia nos desagrade ou entristeça, grande parte das pessoas não vive ou não tem um grande amor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Dia chega em que nos conscientizamos de que vida e morte são fatores biológicos. Independem da nossa participação. Que coragem e covar-dia têm similaridade. Que a vida jogou conosco. Que nossa história não tem nada de extraordinário, porque todas temos a mesma história para contar. Histórias que ouvimos femininamente comovidas até morrermos, profundamente desabitadas.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LM&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-5749933315070349614?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/5749933315070349614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/11/mulheres-de-idade-media.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/5749933315070349614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/5749933315070349614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/11/mulheres-de-idade-media.html' title='MULHERES DE IDADE MÉDIA'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SwBHF_hmibI/AAAAAAAAADw/ZOiUsOrde-s/s72-c/Mulher%2B-%2BIdade%2BM%25C3%25A9dia%2B-%2Bideaiseideias%2Bblogspot%2Bcom.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-3827356754702921788</id><published>2009-10-30T14:40:00.002-03:00</published><updated>2009-10-30T14:59:58.117-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>PALABRAS DE MUJER</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Suspf9VRSDI/AAAAAAAAADg/hejspu9fpBk/s1600-h/mujer20y20lluvia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398454207350130738" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 241px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Suspf9VRSDI/AAAAAAAAADg/hejspu9fpBk/s320/mujer20y20lluvia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Palabras de Mujer&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Suelto los zapatos en la escalera, me cambio de ropa, me olvido del cuerpo en el diván y me hago espía de mis pensamientos. A veces es difícil ser mujer, tener esa capacidad de la hembra que presiente el nacimiento antes de la concepción. Esa intuición de&lt;br /&gt;que amará, esa certeza de que sufrirá, y aun así ama, lleva los afectos, lleva lazos indisolubles, sentimientos destorcidos que siempre supo y defiende con una furia indescifrable.&lt;br /&gt;Ni siempre es fácil ser mujer viviendo ese dilema de caminar al borde de las oportunidades, ser guiada por los imprevistos y casi enloquecer sin saber al cierto lo que siente, o lo que esta condicionada a sentir. Nada es tan simple para una mujer. ¿Cómo explicar que me mojé en la lluvia? Y mientras todo el mundo corría, yo caminaba aprovechando la sensación de estar mojada bajo los cielos.&lt;br /&gt;Con el cabello sobre los ojos canté el coro You are so Beautiful. Canté para mí. Siempre miento para mí. Desde niña cuando dije que el único hombre de mi vida debería ser mi papá. La mujer adora mentirse y también jurar. Jura por la madre, por los hijos e incluso&lt;br /&gt;por la lluvia que recorre su cuerpo penetrando la boca, orejas y nariz en un Singing in the rain sin besos ni paraguas. Y después conserva la imagen para recordar, porque la vida para la mujer es siempre retrasada, nunca pasa en vivo.&lt;br /&gt;Me canso un poco de ser mujer. Tener que llevar esos anhelos, esos pedazos de historias pegados en papeles, ese romanticismo del final de la noche, esa locura y paradójicamente esa lucidez de vivir cada cosa en el limite. Me cansa llevar en la palma de las manos esas líneas sin motivos, esos planes contradictorios, esas raíces misteriosas, esas fibras húmedas.. ¡Me cansa!, me cansa, sobretodo, esos sueños que no caben en el cuarto, ese origen latino, ese océano interno, esos vegetales acuáticos, esas hojas creciendo, incansablemente, en busca del sol.&lt;br /&gt;No es tan simple ser mujer. Toda la estadística humana pasa por nuestros vientres. Todos fallan a igual que cada éxito tiene nuestro dedo. Hay siempre un soplo de mujer en un corazón que palpita. Soberana o sumisa es reina. ¿Será que escapo a la regla? Yo con el cabello mojado y una debilidad anticuada, un mirar a la vida de reojo, intentando encajar las cosas donde no alcanzo, tanteando en la oscuridad los momentos que pasaran sin adivinar mi reacción. Las mujeres reaccionan extrañamente según la estación, según cada curva, cada lluvia. Y modifican en cada viento, cada corriente de aire, cada cambio de tiempo y menstrúan, embarazan y lloran sin ser, necesariamente, este el orden. La mujer llora sin motivos pero nunca sin emociones. Llora mirando los rincones oscuros de la casa, mirando los rincones oscuros del alma, y a veces no recuerda la razón por la que esta llorando, tal vez es una manera de decir cosas sin palabras, expulsar memorias, cosas mezcladas, resentidas, desordenadas… Y antes que comience esa acidez en mi boca, pospongo la tristeza y canto nuevamente "You are so beautiful".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;L.M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-3827356754702921788?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/3827356754702921788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/10/palabras-de-mujer.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/3827356754702921788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/3827356754702921788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/10/palabras-de-mujer.html' title='PALABRAS DE MUJER'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Suspf9VRSDI/AAAAAAAAADg/hejspu9fpBk/s72-c/mujer20y20lluvia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-5185415916684446229</id><published>2009-10-27T21:58:00.003-03:00</published><updated>2009-10-27T22:07:27.290-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>Jornada da alma</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Jornada da alma&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Queria lhe contar que assisti ao filme Jornada da alma que relata o amor de Sabina Spielrein, uma judia russa e seu psicanalista, nada mais que Carl Gustav Jung . Um drama real que abalou as estruturas da psicanálise. O amor deles era tórrido e quase secreto, como o nosso. Amantes sem quarto, amantes sem rumo, amantes à margem da história. Ele era casado, velava pela imagem de discípulo de Freud, além de uma racionalidade enriquecida pelos princípios psicanalíticos, o que o fez abdicar do amor em nome de uma posição acadêmica e intelectual, isso após experimentar uma felicidade brutal com Sabina. No entanto, saiu elegantemente do palco, sem um fio de cabelo fora do lugar, evitando reflexões e apegando-se aos farelos da teoria.&lt;br /&gt;Ela era colérica, sempre às voltas com os imbróglios, com as cólicas e contorções que a vida lhe impunha. Tinha o desespero das palavras. Movimentava a caneta com o pensamento e empurrava para um diário a dor que lhe impingia a alma. Os gritos da revolta misturavam-se à doçura de seus sonhos encantados. Sonhava com marte e com todas essas coisas impossíveis que povoam a cabeça de uma mulher. Guardava notas de piano como recordação e esculpia gatos em argila. Viveu a loucura vigiada por paredes ásperas e chão frio. Rodopiou por jardins entre árvores grandes e molhou-se com o próprio sangue. A sanidade lhe fugia por entre os dedos. A mesma sanidade que mais tarde a fez conhecer e desconhecer o homem.&lt;br /&gt;O amor foi o ponto forte de intersecção entre eles. Devotaram o melhor que tinham. O corpo, a alma. Ofereceram-se em libação, absolutos. O corpo em sacrifício da mente. Atingiram o ponto mais sublime do amor. Expandiram-se mentalmente. Atravessaram espaços incomensuráveis até a relação escapar-lhes num final fatídico. Ele acovardou-se ancorado em boas justificativas. As palavras medidas e calculadas abriram feridas no corpo de Sabina. E ela, excessiva em sua paixão, adoeceu de uma dor cruel, sangrou, tentou todos os lenitivos possíveis e, numa avalanche de revolta, seguiu para um outro país. O seu país. Precisava diluir aquele amor. Precisava viver. E viveu. Era resistente como uma fênix. Mas nunca deixou de amar aquele que era o seu homem, sua alma gêmea. Chorou no escuro, escreveu cartas, dançou sozinha, teve febre de silêncios e morreu sem olhá-lo nos olhos outra vez. Quanto a ele, teve ainda muitos anos de vida, filhos e uma carreira muito bem sucedida. Se foi feliz? É possível que sim. Os homens costumam confundir coragem e covardia e dificilmente se culpam por rasgar a alma de uma mulher.&lt;br /&gt;Daí, você deve estar pensando que escrevi nas entrelinhas. Que Sabina sou eu. Eu tateando no escuro para achar palavras de significados concretos que lhe atinjam por caminhos indiretos. Eu que vivo a desordem do meu vasto querer e não me importo em arriscar a vida, porque creio que só assim se vive plenamente. Eu que já vivi o claustro da loucura e sonho com coisas impossíveis. Eu, ariana impulsiva regida por marte. Eu que não tenho medo de recomeçar, que não preciso de pátria, etc e etc., sobretudo, eu que tive a alma rasgada no momento de sua maior lucidez.&lt;br /&gt;É verdade que Sabina se parece comigo. Vi retratada nela a minha loucura de viver e chorei porque me vi num espelho. Todas as coisas que a sufocam estão em mim. Mas sou diferente. Não morreria amando um homem que se acovardasse por qualquer que fossem os motivos. Ainda que esse homem estivesse ancorado na razão. Sou rancorosa e áspera. Mas morreria por minha própria decepção, em nome da tristeza, da dor... morreria de solidão nesse mundo tão imenso... morrer é tão fácil. Agora mesmo, posso me descuidar e zás trás, abrir minhas asas. Mas se você fosse psicanalista, saberia que só o amor me faria voar. Saberia que meu rancor é também amor, minha fúria é amor, meu orgulho e meu desejo categórico de nunca mais olhar em seus olhos, também é amor. Até meu ódio é amor. Por isso toda minha aspereza anterior e póstuma será perdoada. Mas parece que estou aqui pedindo perdão para morrer. Não, não quero morrer nunca. Morri só pra você. Quem contempla o pôr-do-sol da minha janela não pode desejar a morte. A terra bebendo o sol com línguas de fogo e a noite avançando quieta e tomando conta do mundo. Também vigio o mundo daqui. Antes de dormir olho o céu, vejo a estrela que meu pai me deu quando eu ainda era pequena. Meu pai me salva da idéia genérica de que o homem tem um amor menor. Meu pai e meus filhos. Minha maior contribuição para com a humanidade foi ensinar meus filhos a amar. E meu maior orgulho é ver que eles aprenderam. Também tive falhas como mãe. A maior delas foi não ter dado a eles uma estrela quando ainda eram crianças. É preciso ser criança para ganhar uma estrela e acreditar que se será guardiã dela para todo sempre. É tão bom ser dona de estrela! É como ser dona de flores e de poemas que não se escreveu. Mas um dia hei de escrever, não para você, que me fez sentir como uma fruta roída por dentro. Foi um desprezo que tive a humildade de aceitar. Há momentos em que é preciso aceitar a perda. Perda da esperança. É tão difícil se livrar da esperança! Você sacode com toda força sua caixa de pandora mas ela continua lá grudada nas paredes, no rótulo, no fecho... ou no seu próprio inconsciente com uma voz fininha a cochichar afetos em seus ouvidos. A esperança é uma aranha diligente que aproveita qualquer fio para construir sua casa. E quando você percebe, já está enredada por aquelas teias pegajosas. Vem a tormenta, o vendaval, o terremoto... e a esperança ali enganchada em qualquer galho seco. Poucas coisas são mais resistentes que a esperança. Pouquíssimas. Eu a rejeito todos os dias, mas a vejo pelos canto da casa, pelos cantos da vida a me olhar enviesada. Parei de proferir frases imperativas. Ela que se dane e viva sozinha sem mim. Eu vou sobreviver porque sou teimosa. Você vai sobreviver porque eu morri para que você continuasse vivo. Alguém tem de perder para que alguém possa ganhar. Mas ganhar o quê? Gostaria mesmo de saber o que foi que você ganhou. Sabina recolheu-se para que Jung fosse feliz. Imaginou-se promovendo escândalos de várias ordens, mas conteve-se, falou pelas entrelinhas e ele entendeu. A propósito, ele engoliu a dor com bebidas e manjares entre uma e outra defesa da psicanálise. Mas quem pode atirar a primeira pedra? Ninguém está completamente errado, até um relógio parado acerta duas vezes ao dia. E às vezes você está certo por não acreditar no amor. E por isso você é tão bem ajustado. Quem não ama não possui a forma contrária correspondente. Quem não ama também não odeia. Sente pena só. E recolhe-se para não agredir o outro com esse sentimento tão desprezível. Tudo é desprezível quando não se ama. Eu quero morrer de amor quantas vezes forem necessárias. Quero veias sangrando, coágulos vermelho escarlate, paroxismo... Sou ávida de vida, quero tanto quanto ela possa me dar. Ela muito me tem dado. Muito me tem tirado também. Mas quero continuar nesse superlativo, sou imprópria para homens comedidos. Preciso de um arquivo grande. Preciso de um aeroporto com falas em todas as línguas. Sou gramatical demais. Tenho uma vontade quase imoral de dizer palavras. Que o amor adoce minha boca, porque a palavra não é sentimento. A palavra é uma ferramenta horrorosa. Todos os dias me arrependo delas. Toco piano para compensar. Mozart, Handell, Vivaldi... alcanço as notas com a minha língua. Deus! Se eu tivesse essa genialidade. Eu não toco não senhor, só com a boca. Minha língua passeia por todas as escalas. Sou capaz de um sustenido impressionante: si be mol. Mas não mostro. Só para os íntimos. E você não é íntimo. Você me ofendeu chamando-me inteligente. Foi um meio para se livrar de mim. Foi o “através”. Inteligente é uma palavra que não cabe nos rituais de adeus. Ela dói porque fica mal associada. É como se quisessem dizer: não vai doer nada, logo sara. Mas não sabem que é uma ferida seca que descasca e não sara. Isso não é drama não senhor, mais respeito que agora eu sou o seu fantasma, o fantasma que você irá buscar no ponto mais profundo de si, na hora da sua velhice. Velhice lenta que vai cavando um buraco no estômago e os mesmos pensamentos martelando o cérebro, insistindo na reflexão da vida, e vida, meu caro, é amor. É a hora dolorosa da verdade, e a única verdade que permanece é o amor. Você não terá como fugir, vai se lembrar que meu amor preenchia um campo de futebol e ainda escorria pelas bordas. Diz que isso não será verdade, diz! Um velho, um cão e um fantasma caminhando pela praia. Uma vingança que me faz sentir bem. Mas de que vale, se já não mais me lembrarei de nada? Já terei esquecido até os poemas que você me escreveu e decorei em forma de gratidão. De que vale a vingança se tudo termina? Não quero ser profeta, nem escriba, basta-me amar intensamente. Todo o resto é conseqüência. Eu poderia ser gélida, esguia, metálica... e sair do palco à francesa, na ponta do salto, de rímel e batom, como você se habituou a ver. Mulheres que não derramam uma gota de lágrima, mulheres inteligentes, como você quis acreditar, mulheres de atitudes equilibradas e elegantes. Mas eu rolei ao rés-do-chão, tive febre, catapora, varíola... (eu que pensava que a varíola já estava extinta) fui burra em tempo integral. Mas, continuarei a ser uma mulher simples e ingênua. Um misto de camponesa e estrela. Ingênua, mas com brilho próprio, ouviu? Você não vai ouvir nunca, porque esta carta jamais chegará a suas mãos. Esta carta é minha. Este amor é meu. Esta história é minha.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lucilene Machado &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-5185415916684446229?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/5185415916684446229/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/10/jornada-da-alma.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/5185415916684446229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/5185415916684446229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/10/jornada-da-alma.html' title='Jornada da alma'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-8181417869126232859</id><published>2009-10-23T15:26:00.002-03:00</published><updated>2009-10-23T15:47:30.842-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>DE BRAÇOS ABERTOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SuH6MrqH6dI/AAAAAAAAADY/nmgraEHeaSk/s1600-h/1218574250_espantalho_de_portinari.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395868924351343058" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 260px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SuH6MrqH6dI/AAAAAAAAADY/nmgraEHeaSk/s320/1218574250_espantalho_de_portinari.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;DE BRAÇOS ABERTOS&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Quando eu era criança achava todos os domingos alegres. Talvez o fato não se deva à infância, mas aos hábitos comuns de uma cidade pequena. Almoço na casa da avó era coisa sagrada. Comia salada de agrião com guardanapo no pescoço. Aqueles talos enormes esbarrando no nariz, vinagre penetrando nos olhos... agrião apanhado na horta sem agrotóxicos. E eu nem sabia da existência dessa palavra esdrúxula. Sabia que havia um espantalho de braços abertos cuidando das verduras. Para mim, era um santo como aqueles das igrejas. Todos os homens com braços abertos eram santos. E minha avó sabia construir santos. Devia se inspirar em meu avô que abria os braços para que eu corresse a seu encontro. E eu morria de medo que ele se petrificasse numa estátua de cartão-postal. Deus amava os homens bons e um dia viria buscá-los para si. Homens bons eram transformados em anjos e ajudavam Deus a cuidar do mundo. O espantalho era um anjo de Deus e devia dormir no esquecimento de alguma menina grande. Era esse um dos argumentos que eu usava para conversar com aquele boneco de pano. Também lhe oferecia teorias, explicações e revelações surpreendentes sobre a parte feminina. Transferia para ele a lealdade dos homens que nem sempre foi real.&lt;br /&gt;Mas é tolice lamentar essa realidade de homens não leais. Não se pode fechar o coração em razão de uma minoria. Ou seria maioria? Não posso dizer ao certo, sei apenas que os homens de braços abertos me salvaram de um coração de gelo. E continuam salvando. Eles existem e estão bem aí, embaixo do nosso nariz. Basta reparar. Sei, às vezes é difícil essa percepção porque eles assumem formas inesperadas, infantis e até misteriosas. E não estamos acostumadas a isso. Vemos a fachada, se ela não agrada desistimos de descobrir o que vai dentro. É trabalhoso conhecer o homem que está dentro do homem. Até porque, foram muitas as vezes que descemos à profundeza e não encontramos nada além de pura escuridão.&lt;br /&gt;Não é necessário mais que uma frustração para que a mulher radicalize e torne-se negligente na arte de procurar pistas. Mas, como a vida não nos deixa de instigar, lá vamos nós, corremos léguas à procura de um vestígio no meio das trevas. Seguimos o primeiro indício de caminho. Pode ser um ruflar de asas ou um fio de luz. E, de repente, estamos diante de uma grande floresta. Árvores com raízes profundas. Espécies que não se deixam levar por qualquer vento. Uma floresta onde se encontra e se perde toda a sabedoria do mundo. Tudo depende da nossa capacidade de percepção. Não convém arriscar?&lt;br /&gt;Hoje quando vi um espantalho numa horta vizinha, não pude deixar de ficar contente. O museu de pano da memória trouxe à tona a imagem de homens poderosos. Homens de coração limpo e braços abertos. Homens feitos à imagem de Deus e que, muitas vezes, se deixaram crucificar por amor. Poesia? Esses versos vão anoitecer comigo. Versos que eu sei de cor. Também sei de cor tantos nomes, tantas lutas... e ainda, por muito tempo, continuarei a conversar com espantalhos e a acreditar nos homens.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-8181417869126232859?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/8181417869126232859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/10/de-bracos-abertos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/8181417869126232859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/8181417869126232859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/10/de-bracos-abertos.html' title='DE BRAÇOS ABERTOS'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SuH6MrqH6dI/AAAAAAAAADY/nmgraEHeaSk/s72-c/1218574250_espantalho_de_portinari.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-5175290537138125499</id><published>2009-10-21T10:51:00.001-03:00</published><updated>2009-10-21T12:05:01.602-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lançamento de livro'/><title type='text'>Convite</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/St8UdIGVfjI/AAAAAAAAADQ/EhRmDLypZHo/s1600-h/Untitled-1.png"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395053369235963442" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 233px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/St8UdIGVfjI/AAAAAAAAADQ/EhRmDLypZHo/s320/Untitled-1.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-5175290537138125499?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/5175290537138125499/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/10/convite.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/5175290537138125499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/5175290537138125499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/10/convite.html' title='Convite'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/St8UdIGVfjI/AAAAAAAAADQ/EhRmDLypZHo/s72-c/Untitled-1.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-4791097061602706341</id><published>2009-10-18T23:45:00.002-03:00</published><updated>2009-10-18T23:47:46.937-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>ESCUCHANDO LA VIDA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Escuchando a la vida&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;          ¿Qué sabemos de nosotros? Esta historia tiene la opción de empezar con una cuestión filosófica, ya que cualquier respuesta, sin embargo, es reduccionista, un hueco, un vacío en el cerebro. Otra posibilidad, si es necesario partir desde un punto, sería la luna de oro en el cielo. Un punto impreciso. Luna casi llena, luna casi menguante. Lisboa, sin dormir. Eran un hombre y una mujer. Más que eso: un río, una música, barcos que pretendían ser mirados, un viento frío, una goma de mascar y las diversas posibilidades de organización de estos elementos. Pero cuando el sueño se tropieza con la realidad, de hecho, se pierde el hilo conductor de la vida. No me preguntes nada, las cosas que buscan sus cursos encuentran sus vacíos. Cajas de silencio para cruzar. En los ojos de ellos, una lágrima; en sus labios una frase de perdón. Mataron a la luna, bebieron el licor.&lt;br /&gt;La mañana de Lisboa tiene cuatro pilares de oro. La aurora entró por la puerta de la habitación. Un hombre desnudo en sus ojos. Un hombre con la fuerza de Hércules y la ternura de Guevara. Ella quería huir, pero ¿de qué? Sabía muy poco acerca de sí misma. Sabía muy poco sobre el hombre que tenía en las retinas una caja registradora de momentos. A veces más, a veces menos. Un hombre que mide distancias, calcula el ancho, compara, investiga. Un hombre que tiene colores cálidos en la punta de los dedos y dibuja mujeres por las paredes de la casa. Mujeres sin alma. Escribe versos con colores fríos. Mar, cielo y un tiempo verde que no viene.&lt;br /&gt;Ella sonríe sabiendo menos de sí que de los otros. Escucha las sílabas de su nombre resonar en las esquinas del salón, pero no está segura de que sea el mismo suyo. No recuerda el camino de regreso. ¿Volver a dónde? No tiene sede, ni hambre, sólo la palabra pasión pegada en el azul de su paladar. Azul del mar, azul del cielo, azul de agosto que se extiende por todo el verano mientras él caza mariposas en su garganta. Príncipe de leyendas. Beso de manzanas envenenadas. Como La bella durmiente estaba presa de ese hechizo. Le pide una palabra bonita. Él responde con metáforas, con versos que todavía no lo hice. Ella siente dolor, ganas de llorar. Quisiera correr mientras el sueño de la magia se disuelve. Entra en el autobús. Acuesta la cabeza en la sinopsis de un poema que es un mapa de imágenes ahora manchado por sus lágrimas. Son versos que toman un impulso y siguen con ella por la ruta de su vida.&lt;br /&gt;Yo, aunque narradora omnisciente, llego al final de esta historia sin saber la verdad del hombre. ¿Por qué la dejó ir? ¿Por qué no la ató a los cordones de sus zapatos gastados? Esta historia podría terminar con esta cuestión metafórica, pero voy a añadir al texto la gran frustración de la mujer: la palabra pasión que ella tragó mientras huía.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Lucilene Machado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-4791097061602706341?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/4791097061602706341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/10/escuchando-la-vida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/4791097061602706341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/4791097061602706341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/10/escuchando-la-vida.html' title='ESCUCHANDO LA VIDA'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-7599529214409210482</id><published>2009-10-16T18:32:00.002-04:00</published><updated>2009-10-16T19:07:27.943-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>SEQUÊNCIA DE SONHO</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Stj8dcFxd7I/AAAAAAAAADI/sMbH107WQ_Y/s1600-h/vinho.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5393338136462981042" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 205px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Stj8dcFxd7I/AAAAAAAAADI/sMbH107WQ_Y/s320/vinho.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;SEQUÊNCIA DE SONHO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Por hoje, bastava-me uma garrafa de vinho para embriagar-me. Espírito dionísico para beber um sonho. Mas o cálice da realidade impede-me conquistar a eternidade do céu de uma boca ou de qualquer paraíso feito de suspiros e palavras. A razão não compreende a emoção. Embates e embustes. A paixão vale pelo silêncio que engloba. Vale por tudo que não conseguimos dizer, por tudo que não conseguimos perguntar, porque muitas vezes as perguntas não são possíveis.&lt;br /&gt;Debruço-me sobre o parapeito de uma janela que não me pertence. Nada me pertence. Poucas pessoas no mundo são tão despidas quanto eu. Tenho uma nudez que fere. Uma nudez que quer ser dividida. É sublime doar um pedaço de si. Uma mutilação que constrói sonhos. Quantos sonhos seriam necessários para desvendar o mistério de um homem? Talvez nenhum. Podem-se desintegrar os átomos de um homem com atitudes. Com algum impulso de sangue latino podem-se brindar belas descobertas. Mas amor é outra coisa. Amor é o nome que eu persigo e pelo qual me perdi algumas vezes. Fui infeliz em todas as felicidades. Minha alma é uma capela vazia esperando por um anjo. Um anjo cheio de pecados a fazer-me confissões.&lt;br /&gt;A lua rasteja o futuro por caminhos inexplorados. Quero estar suficientemente viva para trafegar com meus sonhos por esses desígnios. Já não estarei confinada num canto do mundo com essa sobrecarga de imagens. Já não estarei precisando pensar, precisando concentrar-me na amarração do texto que toma corpo de crônica. Isso estica minha angústia. Queria pensar sem formas, mas já não posso. Tudo acaba padronizado. O medo de decepcionar, o medo de não ter medo... Toda palavra tem seu preço. Sou vítima de um sistema coletivo de encadeamento de idéias. Até o amor tem suas terminologias. Até o amor tem suas ciências. Mas hoje estou incurável. Quero um amor de botequim. Amor sem pressa e sem causa. É porque é, porque tem de ser. Um amor sem história, acontecendo ao acaso, como se eu nunca tivesse sonhado algo dessa natureza.&lt;br /&gt;De verdade, quando se vive milhares de noites, já não se pode precisar em que noite antiga, muito antiga, se plantou o sonho. Deve ser quando raspei as pernas pela primeira vez, calcei sapatos de salto e todo mundo percebeu, "Essa menina cresceu, tá virando mulher". Estava concluído um ciclo. Nunca mais voltei ao sótão para brincar de bonecas. Voltei sim, para ver das alturas o destino que subia da terra. O destino tinha corpo e cheiro de homem. Senti vergonha do meu sentimento sem pudor. Vergonha dos meus pensamentos ousados. Meu corpo era um mar que precisava de muitos rios para satisfazê-lo. Era assim mesmo? Puberdade, ouvi na aula de ciências. Só não falaram da necessidade de simbiose de espírito. Mas, instintivamente iniciei a busca pelo amor real. Raramente o vivi por inteiro. Queria alcançar com a mão aquilo que está à altura da inteligência.&lt;br /&gt;Mas essa memória afetiva me cansa! Poderia dizer que hoje estou pronta para o desafio, mas o amor tem viés que desconheço. Mal posso falar da anatomia. Tanta beleza em uma só. Tanto pecado num mesmo pecado. Resgate, remissão... Eros, Ágape, philia... gravitar em torno do outro... melhor mergulhar numa taça de vinho e lamber a emoção altruística (ou seria egoística?) de ter escrito esta página.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-7599529214409210482?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/7599529214409210482/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/10/sequencia-de-sonho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/7599529214409210482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/7599529214409210482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/10/sequencia-de-sonho.html' title='SEQUÊNCIA DE SONHO'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Stj8dcFxd7I/AAAAAAAAADI/sMbH107WQ_Y/s72-c/vinho.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-816501397330110207</id><published>2009-10-09T23:59:00.001-04:00</published><updated>2009-10-10T00:02:35.427-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>BIOGRAFIA DE AMORES - texto III</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;BIOGRAFIA DE AMORES - texto III&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Era uma noite sem fundo equilibrando-se entre a névoa da insanidade e o veneno da poesia. Saí em direção de outro destino. Mas é difícil apontar para algum norte quando não se sabe onde ele fica. Na dúvida optei por um pouso provisório, quase clandestino, desses em que se oferecem meia pensão, meia diária, meias mentiras... A vida é mais barata e mais leve quando se vive pela metade. Entrei com uma parte de mim. A mais perigosa de todas. Cabelos louros, pele dourada, dentes brilhantes e lábios molhados de gloss. Posto isso, subi uma velha escada de madeira que dava para o pequeno hall cuja porta se abria para uma sala com jornais, televisores, computadores e um espaço para fumar na sacada. Tudo iluminado por uma luz que não perdoa nada, nem a rachadura duma parede, nem a varanda mal varrida, nem as rugas nas caras das mulheres, nem o sol apodrecendo numa réplica de Monet.&lt;br /&gt;Apesar do lugar pouco atraente, havia pessoas. E lugares só funcionam quando existem pessoas. Lugares sem pessoas são ocos e insossos. Se eu tiver que escolher entre lugares e pessoas, fico com as pessoas, mesmo com as que estão vazias. Os gestos moldados no silêncio não têm sentido. Mas sei tão pouco sobre pessoas. O ser humano e suas grandes verdades. Não tenho a intenção de falar de verdades, prefiro as pequenas mentiras, mas não aprendi discerni-las. O amor é o desamor que açoita a pele e penetra os poros dilatados. Verdade para uns, mentira para outros.&lt;br /&gt;A essa hora, o amor passeia lentamente pelos quartos vazios da pousada. Ele que fique só, olhando-se no espelho, sentindo-se esgotado, velho e feio. Ele que morra de abstinência, inanição e desprezo. Maldade? Na morte não há compaixão. Na morte só há saudade. As mãos, o olhar, os beijos. Depois um gesto recolhido, silencioso. Um pedido de “por favor, me esqueça”, um abalo sísmico na geografia do corpo.&lt;br /&gt;O amor passou por mim, todo mundo percebeu. O moço que fuma na sacada me estende um olhar cinzento e complacente. O outro, da mesa quatro, bebe no copo sua tristeza gelada e parece conhecer a minha dor. O amor também passou por eles, não é difícil reconhecer suas marcas, deixa erupções na pele, cicatrizes visíveis e não há nada de extraordinário nisso. O amor é assim, meio ridículo, meio insano. Olho para os lados e vejo pessoas esvaziadas, sem o menor desejo de serem assediadas. Às vezes, sinto medo delas. Às vezes, sinto medo de mim. Sei que pareço uma criança assustada, mas hoje não estou disposta a ser recatada.&lt;br /&gt;Há cinco metros de distância entre mim e o balcão. Apoiado nele, de pé, e quase de costas, um homem de suéter negro. Sozinho, como eu, como a maioria. Cabelos fartos e cinzentos, além de um porte másculo e elegante que o diferencia dos demais. Fiquei impressionada apenas com o que pude ver. Com ele eu seria capaz de cama, mesa e banho. Mas é tarde para pensar nisso. Sou mulher adulta, ciente de que se pode viver sem amor, que se pode respirar livremente, piscar e engolir as palavras, sem gemidos e sem lágrimas. Não preciso passar horas embaixo do chuveiro tentando lavar o que está por dentro. Nós mulheres temos uma capacidade inata de nos auto-enganar e justificar nossos pecados. Claro que ás vezes fica um culpa roendo os ossos, mas para que pensar nisso agora? Fixei meu olhar no homem de negro. As pessoas percebem, mesmo de costas, um olhar fixo. E viram-se vagarosamente para procurar o foco. Encontram-no, acionam o zoom para captar os detalhes e seguem o cheiro do desejo no ar.&lt;br /&gt;O homem veio até a mim como se estivesse atraído por um imã. Tinha olhos festivos e traços angulosos. Havia qualquer coisa de exótico no conjunto do rosto que eu não soube captar. Qualquer coisa de mistério que eu queria e não queria decobrir. Ele ficou meio sem jeito, o que me deixou tímida (sempre fico tímida nas horas impróprias). Disse que eu era bonita e que gostava do meu jeito discreto. Senti que corei. A timidez é vizinha da insensatez. “Por favor, que horas são?” perguntei antes que ficássemos íntimos. “Cada instante é imortal”, respondeu-me, demonstrando estar cheio de palavras envolventes para dizer e que, apesar das efemeridades, era possível usufruir um pouco de romantismo. Engulo os pensamentos num gesto de coragem. Matar os pensamentos me deixa alerta como um cão farejador. Ele percebe que aquele meu estado pode ser um pedido de socorro. De “por favor não diga nada, eu não me sinto preparada”.Intui que eu estou desnorteada e sem elementos para gerenciar o silêncio gravíssimo nos rondando. Eu quieta e inquieta. Eu viva e com a alma em reboliços. Eu com olhar esgazeado de fêmea que só queria curar a dor de uma rejeição seguindo os pontos cardeais e estava prestes a cair na própria armadilha.&lt;br /&gt;Melhor ir dormir antes do constrangimento das palavras. Claro, não preciso viver esses frêmitos de ansiedade. Posso pagar a noite num quarto amarelado de pé-direito alto, com luz de detector de incêndio no teto. Posso passar oito horas olhando a luz vermelha piscar sem maldizer a solidão. Melhor não me deixar enlaçar no fio frágil da sedução que mal nos ligará ao improvável dia de amanhã.&lt;br /&gt;O homem bonito acende um cigarro para me dizer que a vida é breve. Aponto para a ala dos fumantes. Ele apaga vagarosamente o fogo com a ponta dos dedos. Um gesto que me excita e me apavora. A fumaça se mistura ao meu rude pensamento: ele tem sensibilidades e fraquezas, meu Deus! Talvez tenha a mesma dor que eu. Aproveito o momento turvo para olhar o relógio. Que tempo mal situado, enroscado na lucidez das circunstâncias. Sei que vou lamentar a oportunidade que me escapa pelos vãos dos dedos. Os mesmos dedos capazes de apagar um cigarro e promover prazeres da carne. Prazeres que eu rejeito com um olhar. Sinto um nó na garganta, as palavras não pronunciadas dormirão em meu coração discreto, ou em nossos corações discretos. Como essa vida é complexa, meu Deus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-816501397330110207?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/816501397330110207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/10/biografia-de-amores-texto-iii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/816501397330110207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/816501397330110207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/10/biografia-de-amores-texto-iii.html' title='BIOGRAFIA DE AMORES - texto III'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-3087871960289581153</id><published>2009-10-05T19:56:00.003-04:00</published><updated>2009-10-05T20:19:17.949-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>MEMÓRIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SsqMjN54IAI/AAAAAAAAADA/maJ5HG5XjAU/s1600-h/cavalo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389274440757944322" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 249px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SsqMjN54IAI/AAAAAAAAADA/maJ5HG5XjAU/s320/cavalo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;MEMÓRIA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Você sempre aparecia nas férias. Vinha com aquelas idéias modernas da cidade grande. Falava de metrô, aeroporto, elevadores... e mostrava fotos de uma vista noturna capitada a partir de um viaduto. Que palavra bonita “viaduto”! Uma ponte sem rio por baixo - você me explicava com a paciência das crianças. E eu achava tão bonita a boca que você fazia pra dizer “metrópole”. Ah, aquela sua maneira de contar histórias urbanas com palavras urbanas. Eu bem que tentava imitar, fazia beicinho e tudo, mas o que eu sabia mesmo era contar histórias de assombrações.&lt;br /&gt;Adorava ver os seus olhos faiscando de medo. A noite é perigosa e traiçoeira – eu dizia, sem saber bem o que estava dizendo. E lhe ensinava a fugir dos bichos e a desbravar o mato cerrado. Ora, eu até já tinha visto um saci! E você acreditava. Acho que fui eu que lhe ensinei a mentir e você aprendeu muito bem, desenvolvendo grandes habilidades na área. Constatei isso nas últimas entrevistas que você deu à TV. Olhei bem nos seus olhos e vi que eles ainda conservam os sinais do medo. Tive a sensação de que você ainda continua a fugir dos bichos. Talvez de outros mais graves, mais ferozes que lhe habitam por dentro e não há faca ou caco de vidro que os façam recuar.&lt;br /&gt;Senti pena. Mas não posso negar que tive certo orgulho quando o vi montado num cavalo. Fui eu que o ensinei a montar. Eu era valente e montava cavalo em pêlo. Você quis tentar, lembra-se? Caiu e quebrou o braço. Que sorte quebrar o braço! Eu nunca consegui tal façanha. Como eu invejava os privilegiados capazes de exibir uma parte de gesso no corpo. E minha mãe cuidou de você. Muito melhor do que cuidava de mim. E nas refeições o servia antes de mim, lhe paparicava e dizia que você era inteligente, sabia muito mais do que nós. Ora! Sempre discordei, eu sabia coisas que você não sabia. Eu sabia descascar cana nos dentes, manejar estilingues, armar arapucas, capturar vaga-lumes... ah, eu sabia preparar emboscadas, atravessar correndo os arames farpados, subir nas copas das árvores e ficar olhando lá de cima... Você tinha medo até de galo de crista empinada! Tinha horror a minha coleção de joaninhas e corria quando eu o ameaçava com uma porção de minhocas nas mãos.&lt;br /&gt;Mas o tempo passou. E na adolescência, eu é que fui passar férias na cidade grande. Rio de Janeiro. Você me levou ao metrô, mostrou-me as pontes e viadutos, mostrou-me túneis, ruas se abrindo, caminhos e descaminhos que eu não sabia que existiam. E quando dei por mim, já estava perdida. Perdidamente apaixonada. Tão inexperiente eu era! Não consegui decifrar aquele misto de dor, prazer, vontade de ficar, vontade de partir, vontade de querer de não querer.... medo!&lt;br /&gt;Você me levou ao cinema para ver “Os Embalos de Sábado à Noite” e disse que eu tinha cheiro de terra molhada. Não sabia se gostava. Não dava pra raciocinar. Todo o corpo estava contraído por aquela espécie de sentimento que nos separa da realidade. Nem me lembro como foi o primeiro beijo, mas lembro-me do segundo, do terceiro... e da saudade que vivi depois.&lt;br /&gt;Por algum tempo trocamos correspondência, até que você foi embora para a América e então, perdemos o contato.&lt;br /&gt;Custei a acreditar quando o vi na TV, cheio de dedos, proferindo palavras persuasivas com uma oratória semelhante a dos políticos. E não é que você era um político?! Tempos depois você assumia um cargo importante no país. E concedeu uma série de entrevistas. Não pude acompanhar a todas, mas não deixei de ver algumas. Em especial aquela em que você mostrou a sua família e a fazenda. Foi aí que eu vi o seu cavalo. E você cheio de pompas dizendo que sabia montar desde os oito anos e que fora um menino valente, acostumado a montar cavalo em pêlo.&lt;br /&gt;Eu ri muito. Você recortando um pedaço da minha vida e se fazendo dono dele. Mas pode ficar com esse pedaço. É seu, tá dado. Pode fazer de conta que eu não existi. Que me importa? A sua memória é uma mistura do que não foi e do que você gostaria que tivesse sido. Pode ficar com toda a história que era nossa. Que direitos eu teria sobre ela? Para você eu sempre serei a filha do administrador de fazenda do seu pai, que, para todos os efeitos, nunca fez parte da sua vida. Que diferença faz? Continuo a saber das coisas que você não sabe e se eu pudesse lhe dizer algo, assim bem de perto, diria pra você montar, realmente, um cavalo em pêlo, talvez fosse a coisa mais autêntica a fazer. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-3087871960289581153?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/3087871960289581153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/10/memoria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/3087871960289581153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/3087871960289581153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/10/memoria.html' title='MEMÓRIA'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SsqMjN54IAI/AAAAAAAAADA/maJ5HG5XjAU/s72-c/cavalo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-1700488886732938959</id><published>2009-10-01T22:48:00.003-04:00</published><updated>2009-10-01T23:02:02.160-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Claricianas'/><title type='text'>Claricianas IV</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Toda manhã é uma nova página onde invento um homem e o desenho sobre o papel. Mas sempre estou pronta a apagá-lo, delicadamente, com a ponta de meus dedos. Isso é amor. Ou nem mesmo é. Inútil questionar. O amor resguarda o enigma do não saber. E sempre uma felicidade leve pousando na pele do sonho. Escrevo amor com tinta verde, mas em minha pele escreveram com tinta vermelha. No jogo das cores, fiquei com as letras em brasas vivas queimando as lembranças do passado. A palavra é a mesma, mas não oferece consolo. Amor latente. Adjetivo que não dá vida, mata. Nel mezzo del cammin di nostra vita. Beatriz e o fio cortado ao meio. Letra morta, morrida numa página branca. Morte é palavra dura escrita numa linha secreta. O que passará pela nossa cabeça além das citações bíblicas e das tentativas de esconder o desejo debaixo de alguma costela? O desejo é no corpo, talvez por isso a resistência. Não mereço morrer, acho linda a lua em todas as suas fases, e não suportaria a idéia de não vê-la mais improvisar um poente por detrás das árvores retorcidas, sobretudo não suportaria a idéia de não inventar homens-deuses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-1700488886732938959?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/1700488886732938959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/10/claricianas-iv.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/1700488886732938959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/1700488886732938959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/10/claricianas-iv.html' title='Claricianas IV'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-8919361318922995214</id><published>2009-09-24T11:30:00.006-04:00</published><updated>2009-09-24T12:23:13.053-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Claricianas'/><title type='text'>Claricianas II</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Srubon-i9XI/AAAAAAAAAC4/XkSKs5D5Mpg/s1600-h/16.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385068901679953266" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 211px; CURSOR: hand; HEIGHT: 245px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Srubon-i9XI/AAAAAAAAAC4/XkSKs5D5Mpg/s320/16.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SrubLGzG_ZI/AAAAAAAAACw/2rSGqfLMYpQ/s1600-h/jardim7.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000099;"&gt;CLARICIANAS&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000099;"&gt;João planta flores em vasos de trinta centímetros. Com ele aprendi o significado do verbo envasar e a suportar a idéia da beleza espremida em tão pouco espaço. De vez em quando nos falamos. Ele me diz que as begônias floresceram, que o jasmim está perfumando a rua e me convida para um almoço debaixo do caramanchão coberto por uma trepadeira verde musgo. Se eu fico envergonhada, ele sorri com a boca molhada e me oferece vinho. É tão fácil gostar dele, é como gostar das flores. Mas ele não sabe que as pétalas de rosas alargaram meu coração. Que vez por outra vomito sangue em frases escritas na primeira pessoa e que me controlo para não encher a vida dele de palavras. Amar com palavras é muito perigoso. O amor está no silêncio, onde as palavras não se atrevem. Cada palavra é um atentado. E depois, rachaduras nos vasos, crostas de terra, estranhos sulcos, estranhas flores e formas. E depois, um tempo destruído.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000099;"&gt;Do livro &lt;em&gt;Claricianas (2007)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-8919361318922995214?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/8919361318922995214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/09/claricianas-ii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/8919361318922995214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/8919361318922995214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/09/claricianas-ii.html' title='Claricianas II'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Srubon-i9XI/AAAAAAAAAC4/XkSKs5D5Mpg/s72-c/16.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-7192780190679457373</id><published>2009-09-22T09:40:00.001-04:00</published><updated>2009-09-22T09:42:58.352-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comentários'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Lucilene,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Para mim, literatura é a arte em palavras.E diante da força do teu imaginário, da sutileza de tua criação, da engenharia de tua linguagem e do poder que "dás" às palavras, criando fortes sentimentos ao sabor da estética, eu, simplesmente, fico a admirar-te, sem palavras. (frazão)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;P.S.: tentei postar no blog, mas o google me impediu. Então segue, aqui, o meu aplauso.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-7192780190679457373?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/7192780190679457373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/09/lucilene-para-mim-literatura-e-arte-em.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/7192780190679457373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/7192780190679457373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/09/lucilene-para-mim-literatura-e-arte-em.html' title=''/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-6589363064638948203</id><published>2009-09-21T20:26:00.000-04:00</published><updated>2009-09-21T20:50:38.988-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>VERTICAL</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SrgfOcRMqHI/AAAAAAAAACo/IKWRu7j9oHs/s1600-h/violencia-domestica-280508.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384087687488383090" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 294px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SrgfOcRMqHI/AAAAAAAAACo/IKWRu7j9oHs/s320/violencia-domestica-280508.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Para as mulheres que sofrem, ou sofreram algum tipo de violência doméstica.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Há certo prazer em ouvir o ruído da noite instalando-se aqui dentro. Na parede, as marcas das tardes que vêm morrer na janela. Escondo o corpo na verticalização das tábuas, mas se olhassem pelas fendas laterais, veriam meu possível destino esticado entre as matajuntas. Fendas que eu mesma abri com golpes de mão direita nos dias de grandes batalhas. Homens viviam aqui. “Vá cozinhar farinha de trigo com ovos que amanhã eu vou pescar”. O verbo ir era a parte mais sutil do discurso. A possibilidade de encaixar a palavra liberdade à frase fazia retumbar a minha alma. Não uma liberdade adjetivada e magra, e sim uma liberdade desde todo o existir. Mas não consegui a exata arquitetura dos vocábulos. As construções foram ambíguas e a estética, desajeitada. Prossegui a preparar iscas para os peixes. A medida em que a massa ganhava consistência, via-se o fundo da panela reluzindo. Dava uma vontade de limpar o mundo do horror das gentes ásperas. Achava a vida bonita, mas cheia de gente dura. Gente de ferro que falava alto e dava murros na mesa. Gente que me fazia mastigar, mastigar com a língua e engolir aquela farinácea gosmenta que me estufava as vísceras. Só de pensar, dá uma dor de lado. Estômago e intestinos manchados. Neurônios cristalizados. Conceitos esvaziados. Fui meu próprio inferno. Mas há qualquer coisa de admirável em tudo o que fui. Fui corpo palavra. Modelo intemporal contorcionando frases inarticuláveis. Não eram frases gramaticais, eram pedidos de socorro. Um dia me sacudi das sensações inventadas e das advertências autoritárias. Disse que não tinha medo de viver ou morrer. Mas se vivesse haveria de ser eu com toda a intensidade. Eu menti, porque tinha medo sim. Um medo que horóscopo não resolve. Psicologia não minimiza. Medicina não cura. Um medo caseiro, medo destelhado preso às colunas da casa. Comecei a ler romances. Eles têm muito a recomendar aos que estão em conflitos, aos que vivem entre trapos e trapaças. Sade, Shakespeare, Schopenhauer, Montaigne, Maquiavel, Borges... Queria ser dona de mim. O juiz entendeu, mas não economizou nas perguntas. Eu não falava nada para que minha falta de coragem não transbordasse. Meus batimentos doíam diante de um par de olhos coléricos a observar-me. O pensamento era repetitivo e letal: amanhã morrerei. Sinais queimarão em segredo. Não ficarão pistas. O sangue umedecia o pensamento como uma esponja. Faltava saliva na boca, tinha sede. Não aprendi a técnica de doer menos. Doía até a última célula. Dor sem apoio, sem mureta pra encostar. Dor nos ossos. Cruel como uma confissão antes da morte. Quanto tempo da minha história estaria perdendo naquele tribunal? Quanto tempo vivi com os olhos fechados? Pelo menos a metade da vida. Depois de assinar os papéis saí só pelas ruas da cidade enluarada de insetos. Nunca mais peixes na travessa. Mas o medo continua colado no meu corpo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-6589363064638948203?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/6589363064638948203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/09/vertical.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/6589363064638948203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/6589363064638948203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/09/vertical.html' title='VERTICAL'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SrgfOcRMqHI/AAAAAAAAACo/IKWRu7j9oHs/s72-c/violencia-domestica-280508.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-2162687640019828502</id><published>2009-09-20T12:57:00.000-04:00</published><updated>2009-09-20T13:00:24.079-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comentários'/><title type='text'>Comentários de amigos</title><content type='html'>Desculpem a falta de modéstia, mas vou postar aqui o comentário do meu amigo João Ferreira. Um beijo, querido e obrigada pelas palavras de carinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;De momento, escrevo como amigo, mas também como leitor. Escrevo especialmente para lhe dizer que "a minina está demais"!... Sua escrita está madura, extraordinariamente madura. Olhe. Li as duas últimas criações de seu blogspot "El ciclo de un vocativo" e "Coreografia insisível". Me chamou a atenção a sua sempre habilidosa arte de esrever. Como  leitor aplicado e seu fã resolvi escrever-lhe esta cartinha de parabéns e de saudação. Ao lê-la, vejo  sua mão suave, cheia de ternura e de amor. Vejo nesses dois textos a maneira habilidosa como mede os horizontes da ternura humana, do amor e também da carência. É notável o nível que dá à ficção e ao movimento da palavra. Tanto em "El ciclo de un vocativo" quanto em "Coreagrafia invisível", o mérito é o mesmo. Habilidade. Maturidade. Pintura psicológica das pessoas incrustadas nos personagens. Fantásticos os embalos em torno de Juan, os sonhos, as insinuações, os desejos, a fantasia, os vôos dos pássaros. Vejo a curvatura da montanha ficar perto da planície. Vejo tua literatura seduzindo. Como arte plástica. Bem torneada. Com tintas bem espalhadas, insinuantes, formais e informais, sedutoras sempre. Psiclógicas, frontais, ora alongadas, ora breves e  sintéticas. São tintas, instrumentos literários que dão a soberania da posse. Tua ficção ornou-se maravilhosa. As palavras mostram-se ajustadas ao movimento, ao destino e ao jeito da imaginação da tecedeira. Há um tear visível no movimento das palavras e dos símbolos. O texto nasce como ente mítico com seus momentos reais, visíveis e palpáveis. O  tear é a máquina que mistura as linhas e as fixa em linguagem . As palavras criam história. Na intimidade da história movimentam-se personagens. E bem na intimidade dos personagens, há pessoas, sentimentos, emoçlões, falas, sonhos, rituais, movimentos de vida. Todo este cenário, bem pensado e bem executado, seduz.Parabéns, minina esperta. Um beijo grande. João Ferreira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-2162687640019828502?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/2162687640019828502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/09/comentarios-de-amigos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/2162687640019828502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/2162687640019828502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/09/comentarios-de-amigos.html' title='Comentários de amigos'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-1068022729244826044</id><published>2009-09-13T12:19:00.000-04:00</published><updated>2009-09-13T12:34:19.287-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>COREOGRAFIA INVISÍVEL</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Sq0emYOdVlI/AAAAAAAAACg/M0q3cDMoPxI/s1600-h/passaros.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5380990774464566866" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Sq0emYOdVlI/AAAAAAAAACg/M0q3cDMoPxI/s320/passaros.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não sei o que pensam os pássaros quando, nas tardes de sábado, dormem sobre os fios de alta tensão. Os pássaros têm sábados frustrados. Todas as coisas que podiam ter sido, não foram. Também não sei o que pensam os homens enquanto dormem os pássaros pelos sábados adentro. Sei que os homens têm insônia e fecham janelas. Instituem a escuridão, apagam as palavras e desintegram-se em longos silêncios. As coisas que poderiam ter sido? Não têm importância. Em qualquer tempo há fios de alta tensão e pernas de mulheres com sangue fervendo. Tantas que chegam a ser ignoradas. Despojos do amor? A desproporção criou homens-deuses vulgares e divinizados. Criou profissionais especialistas em argumentação. Braços em torno do pescoço, bocas de estátuas coladas e música para preencher os vazios. Mas o objeto deste texto é o amor. O sujeito também. Amor em construção. Quatro paredes lentas e penosas do lado de cá do horizonte onde pretendo improvisar ninhos e desprender pássaros do sonho.&lt;br /&gt;O tempo urge, razão pela qual me deito, mesmo, à terra. Todas as coisas se revelam e se negam continuamente. Finjo não perceber. Repouso minha cabeça sobre o seio da ignorância. A metafísica rodeia os meus limites. Há coisas se encontrando também fora de nós. A ficção quer escrever minha história. Que imagem faria? Oh! vida, esse tempo desperdiçado dentro do olhar. Minha única tristeza não é triste. Incongruência? Limpe os olhos que este texto tem a loucura da forma. Plasticidade e linguagem. Os literatos, os eruditos e eu, e nada de concreto. Que sabemos sobre os pássaros frustrados sobre o fio de alta tensão? Somos carentes de amor, sexo e sonhos. Somos carentes de sabedoria. Um dia Deus apareceu homem entre os homens e o crucificaram. Daí meu medo de existir. Daí esse silêncio áspero de Sábado. Meus conflitos me apequenam. Gritos surdos por dentro. Somente as palavras são capazes de secar as lágrimas. Palavras e dedos. Dedos escalavrados pelo tempo percorrendo traços e linhas do meu rosto. Doce ternura para quem partiu todos os espelhos e já não mais se reconhece. Eu que tenho em mim o movimento dos outros, o conhecimento dos outros, o idioma dos outros, a reação dos outros... eu sulcada pelos outros e estrangulada pelas minhas próprias mãos. Só o amor me salva. Só o amor produz essa lentidão sagrada de observar pássaros cheio de vôos. O amor sabe de cor os vôos e os movimentos. Conhece o lugar, o istmo onde os homens choram. Os homens são belos, sobretudo, quando choram. Homem-mar numa ilha de chuva. Uma imagem onde me completo. Não totalmente. Uma mulher satisfeita traz em si um ponto final. Eu tenho vocação para reticências e excessos. Amanheço e todas as bocas se abrem. Famigerada fome de idealismo. Não nos basta a vida?&lt;br /&gt;O pássaro olha com todos os olhos, mas nada avista. Tem os sentidos esquecidos. Esqueceu-se de quem era, de como era... só sabe cantar, cantar. Se respirasse uma idéia, tornar-se-ia gente com todo niilismo inerente. Gente que nega qualquer coisa a qualquer hora. Que nega a palavra, a raça, as idéias.. gente que nega a cruz, a história, a colonização... gente que ignora as tardes de sábado quando discretamente um pássaro voa estabelecendo ligações entre as coisas visíveis e invisíveis.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;(Do livro &lt;em&gt;A terceira mulher , &lt;/em&gt;2008&lt;em&gt;)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-1068022729244826044?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/1068022729244826044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/09/coreografia-invisivel.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/1068022729244826044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/1068022729244826044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/09/coreografia-invisivel.html' title='COREOGRAFIA INVISÍVEL'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Sq0emYOdVlI/AAAAAAAAACg/M0q3cDMoPxI/s72-c/passaros.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-8603957099455566054</id><published>2009-09-05T11:55:00.000-04:00</published><updated>2009-09-05T12:14:16.867-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cuento'/><title type='text'>El ciclo de un vocativo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SqKOO6BFW5I/AAAAAAAAACY/SXvlOMcHCGA/s1600-h/1OLHANDO_MAR.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5378017291776908178" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SqKOO6BFW5I/AAAAAAAAACY/SXvlOMcHCGA/s320/1OLHANDO_MAR.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;He creado a Juan en prosa y en verso. Vocativo de mi soledad. Rima de mi pasión y superlativo de mi deseo. La escritura, la historia, el dibujo. Comencé por el dibujo. Yo quería que mi ficción tuviese una imagen que yo pudiera memorizar y repensar siempre en las mañanas. La primera idea que de Juan tuve fue la de una sombra cruzando una senda. Las piernas largas, cadencia firme al caminar y mucha coherencia. El sería coherente de pie a cabeza, desde el amanecer hasta el crepúsculo. Pero tendría una carencia de afecto no muy común en los hombres. Debería llorar por amor y tener deseos sencillos como levantarse en mitad de la noche para compartir una pizza con una mujer. ¡Qué digo! con una mujer no...Conmigo!!! Porque Juan era mío, todo mío. La idea de inventarlo surgió de mí. Le di la vida y por ello, nada más justo que ser exclusiva en la suya.&lt;br /&gt;A Juan le gustarían las flores, todas las flores. Y él sería romántico para que yo no me sintiera ridícula. Tendría rasgos masculinos, simétricos, para compensar el desorden de mi inspiración. Múltiples facetas convivirían en él, la manera desparpajada de un poeta y la audacia de un intelectual, la inseguridad de un niño y la firmeza de un anciano, la dulce sonrisa y la misteriosa mirada, el discurso seguro y la libertad de decir, ocasionalmente, cosas sin sentido. Le gustaría leer y en las largas tardes de domingos abriría el libro rojo en la página marcada con una rosa seca para leerme poemas de Fernando Pessoa: "Ven a sentarte conmigo, Lydia, en la orilla del río..." y yo, Lidya de todas las horas, me dormiría con las últimas palabras del poema de Ricardo Reis: "Yo nada tendré que sufrir al acordarme de ti. Me serás suave a la memoria recordándote así -a la orilla del río- pagana, triste y con flores en su regazo."&lt;br /&gt;Más allá de su vocación por la poesía, Juan habría de ser amable y caballero. Tendría ideas propias que discordaran conmigo alguna vez y debería ser capaz de decir "no" cuando fuese necesario. Hombre decidido que sabría lo que quiere, hasta dónde ha llegado y hacia dónde va. Un hombre que me sorprendiese con cenas a la luz de las velas y con paseos románticos. Compañero en una noche oscura y consuelo en mis frustraciones. Que no me dejase tan suelta, ni tampoco tan presa. Que de vez en cuando arrojase maíz a las palomas, pan a los peces y que le gustasen los animales.&lt;br /&gt;En mi afán de tenerlo pasé días y noches enteras sin dormir, como una diosa que arrastra sus largas trenzas, con los ojos siempre puestos en la llanura, en el cielo, en el mar y en todas las páginas que me pudiesen ayudar a construir mi hombre ideal. Busqué el corazón de Juan en las olas del mar... y su alma en un ligero pájaro que sólo conoce lo transparente del mundo. Quise un Juan puro, libre y suelto, corriendo por un parque o por el sendero de una estrella. Le di la geografía del mundo entero, pero que me saludase siempre con banderas rodeadas de distancias. Su mejor cualidad? El amor. El debía amarme a pesar del viento que sopla las palabras en otras direcciones; a pesar de las mareas que llevan los buques a otros continentes, y a pesar del tiempo que insiste en enterrar siempre las palabras.&lt;br /&gt;Cuando me fijé en Juan, con flores rojas en sus manos, no tuve dudas en correr y aceptar aquel cuerpo todavía lleno de espacios vacíos. Yo era un barco de verano anclando en un mar azul, trayendo el disfrute y creando situaciones. El mar estaba tranquilo, pacífico y lento como nosotros, pero cantaba en la distancia una lluvia fina que fascinaba nuestras miradas. Nos fuimos descubriendo poco a poco, como se descubre un país visto antes en un mapa. Líneas conocidas en el diseño abrían un horizonte mágico. Aprendimos los caminos de las manos y de las puntas de los dedos. Apuntamos en el mapa las referencias de nuestra identificación, medimos nuestras distancias con la lengua y rompimos todos los silencios con el sonido de nuestras respiraciones. Además, desafiamos todo concepto estético con nuestras coreografías nocturnas y dormimos el sueño de los bienaventurados. Teníamos entonces, el diseño y la historia.&lt;br /&gt;Después de la cumbre de nuestra relación, Juan me saludaba cada vez menos. A menudo, perdí el sueño pensando que él podría estar aterrizando en lunas de otros planetas. Aprendí pronto que no tenía dominio sobre mi creación. Más que eso, perdí la sintonía con mi obra poética. Intenté modificarla, reinventarla, aceptarla ya con otras influencias, contenerla con poderes telepáticos... pero nada. Las noticias me llegaban lentamente, algunas veces ya vencidas. Juan vivía otras pasiones, pasiones silenciosas, contenidas, circunscritas.&lt;br /&gt;En una tarde, enferma, mientras yo trataba de descubrir mi error, mi primer error, sentí los pasos sordos de Juan acercándose. Se movía con inconsistencia. Estaba lejos de ser el mismo. Amor desgobernado por los vientos de las maravillas. Distancias invertidas, direcciones opuestas, ojos que confabulaban palabras cortantes. Yo lo ataqué con la fuerza de una desequilibrada bestia herida, y caí con el cuerpo sangrante. No sé si fue por defensa, compasión o desprecio, sólo sé que Juan me mató, y me dejó flores para decorar mi muerte. Terminé como Lydia "triste, pagana y con flores en su regazo." Se hizo el dibujo, la historia y la escritura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-8603957099455566054?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/8603957099455566054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/09/el-ciclo-de-un-vocativo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/8603957099455566054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/8603957099455566054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/09/el-ciclo-de-un-vocativo.html' title='El ciclo de un vocativo'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SqKOO6BFW5I/AAAAAAAAACY/SXvlOMcHCGA/s72-c/1OLHANDO_MAR.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-8789111571063285991</id><published>2009-09-02T23:26:00.000-04:00</published><updated>2009-09-02T23:36:26.760-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Soñando</title><content type='html'>Este poema foi escrito por um amigo Venezuelano, Fredy Covas, após leitura do meu texto "Do coração de uma mulher".&lt;br /&gt;Muchas gracias, Fredy. Es un honor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;He escuchado de tus manosl&lt;br /&gt;o que un día escribiste sin saber de mí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eramos tú y yo nada más.&lt;br /&gt;Arena, aire y cielo,&lt;br /&gt;pero solos tú y yo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No levantabas tu mirada,&lt;br /&gt;ni yo podía quitarte la mía.&lt;br /&gt;Desnuda escribías mientras yo leía tu pensamiento&lt;br /&gt;y desnuda te veía con maravilloso asombro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La gasa vaporosa que te envolvíame&lt;br /&gt; dejaba ver,&lt;br /&gt;a pesar de que tu pelo tapaba tu rostro,&lt;br /&gt;tus manos, tus pies,&lt;br /&gt;tu ombligo, tu espalda,&lt;br /&gt;tus piernas, todo tu ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al terminar tu escrito,&lt;br /&gt;te descubrí, aunque ya estabas desnuda.&lt;br /&gt;Y mi mano te ofrecí.&lt;br /&gt;¿Quieres que caminemos desnudos?&lt;br /&gt;¡Claro! dijiste...&lt;br /&gt;Y así anduvimos, silenciosos y riéndonos a trechos.&lt;br /&gt;Te tomé entre mis brazos para hacerme tuyo&lt;br /&gt;sin que otra cosa pudiésemos hacer.&lt;br /&gt;Y fuímos el uno del otro,&lt;br /&gt;como si nos amáramos por culpa de la oscuridad, por haberte leído el pensamiento...&lt;br /&gt;y por ser quien eres...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-8789111571063285991?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/8789111571063285991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/09/sonando.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/8789111571063285991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/8789111571063285991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/09/sonando.html' title='Soñando'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-8996729722899270368</id><published>2009-08-27T16:10:00.000-04:00</published><updated>2009-08-27T16:17:05.265-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>LAS HORAS</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Spbo6Rp8yQI/AAAAAAAAACQ/mIisk2mCy-k/s1600-h/P7102324_reloj_no_marques_las_horas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374739293182675202" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 249px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Spbo6Rp8yQI/AAAAAAAAACQ/mIisk2mCy-k/s320/P7102324_reloj_no_marques_las_horas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;El llega siempre a las diez y quince, con el mismo silbido tramposo. A las diez y catorce, salgo a la ventana y bajo las escaleras cuando él toca la guitarra en el piso y me hace un movimiento de reverencia. Reímos por la calle como dos perros sin dueño que se contentan con cualquiera sobra. Entonces me dice que pronto el mundo se dará una sacudida, grabará un CD, tendrá amigos influyentes, y así sucesivamente. Yo arqueo las cejas moviendo los ojos, siempre disimulando porque conozco su pesadilla obsesiva de convertirse en celebridad y no quiero causarle un dolor que pudiera despertarle del su sueño. Seguimos nuestro camino con pasos calculados, creamos pretextos para que a las once, en punto, él comience el espectáculo. Él sabe, aunque lo niega, que su destino será tocar en bares, mezclado con el humo de los cigarrillos y con la esperanza tosca que le oprime la garganta como un nudo de amargura. A veces, disimulando la inseguridad, me pregunta si creo en su talento, sabiendo que siempre gritaré a los cuatro rincones del alma, que sí, que sí, que sí. También dice que la vida vale la pena por el hecho de que existo y promete no olvidarme el día en que el mundo reconozca su arte. Independientemente de eso, yo lo aplaudo y le hago mi reverencia. La calle es nuestro escenario. Él sube al tope de una tierra amontonada y ensaya un grito de victoria. Yo contesto como el auditorio imaginado, con un ¡Viva! ¡Bravo! ¡Magnífico! ensayando lo qué pudiese ser peor como muestra de mal gusto. Luego, él toma con su mano la mía y la lleva hacia su pecho, inclinándose para besarla tiernamente. A las diez y cincuenta, me dice que si quiero besarlo, debo aprovechar el momento antes de que le llegue la fama. Y yo lo beso con locura, deslizando mis manos bajo su camisa, escudriñando en su cabello y sintiendo su olor a hierba mojada. Mi lengua empleada en la medida de nuestra distancia es la misma que intenta pronunciar la frase "este peón me encanta… me encanta… me encanta". A las once, llego a casa a escuchar los primeros sonidos de su voz que me despiertan inusuales deseos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-8996729722899270368?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/8996729722899270368/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/08/las-horas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/8996729722899270368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/8996729722899270368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/08/las-horas.html' title='LAS HORAS'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/Spbo6Rp8yQI/AAAAAAAAACQ/mIisk2mCy-k/s72-c/P7102324_reloj_no_marques_las_horas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-8175400672980860728</id><published>2009-08-25T12:05:00.000-04:00</published><updated>2009-08-25T12:27:01.058-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>Amigoterapia (Para o Fabrício)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SpQMWtgb3hI/AAAAAAAAACI/kPEtb94ZOq8/s1600-h/Semana+de+letras.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373933839672139282" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SpQMWtgb3hI/AAAAAAAAACI/kPEtb94ZOq8/s320/Semana+de+letras.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SpQMWtgb3hI/AAAAAAAAACI/kPEtb94ZOq8/s1600-h/Semana+de+letras.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SpQMWtgb3hI/AAAAAAAAACI/kPEtb94ZOq8/s1600-h/Semana+de+letras.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Lora, Fabrício, eu e Maísa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um amigo alertou-me de que temos um excesso de emoções entranhadas nos músculos. A princípio pensei se tratar de uma metáfora, dessas que a gente diz com a vaga certeza de justificar a vida. Mas meu amigo não é poeta, tampouco filósofo. Acende um cigarro e olha pra cima, a cabeça povoada de perguntas sem respostas. Diz que vai para Hungria e depois me desenha em palavras aquilo que escapa ao pensamento. Na verdade ele tem uma emoção que brota de dentro e quase o consome. Eu só não sabia que podiam estar amalgamadas aos músculos... Custa-me imaginar os músculos como lugar eleito para se guardar emoções. Guardar não, incrustar, porque acabam ressequidas, transformadas em fósseis de si mesmas. Daí, a dificuldade para se livrar delas. Bem, vou morrer com essa incompreensão, mas pelo menos suponho saber porque dói meu corpo quando chega o inverno. Uma abstração se materializa na carne e com o frio, dói. Há muita coisa no mundo que me escapa. A natureza tem tantos enigmas. Nem mesmo uma dissecação do corpo poderia revelar os fenômenos da complexidade humana. Na verdade, nem sei se este “eu” que aqui escreve existe de fato ou é apenas um conceito estético e falso que criei para me entregar aos sonhos sem a obrigação de torná-los nítidos e deixar-me seguir pelas cadências das sensações. Mas e se for o contrário? É possível que a única coisa concreta em mim seja esse “eu” que escreve. As frases literárias têm uma individualidade absolutamente humana, ganham alma, força e visibilidade. Daí que me habituei a sentir o falso como verdadeiro, o descrito como o algo que vi, e assim por diante. Perde-se a distinção humana do real e do irreal. Mas essas estratégias não são comuns apenas a quem escreve. Quem pinta, canta, poda árvores... todos aprendem desde cedo a negar a realidade e tomar por real as coisas que não são. As meninas, por exemplo, sabem que a boneca não é real, mas a trata como real, baseadas numa visão verdade das coisas. Bendita intuição infantil que permite à criança gerenciar o pequeno universo que criou sem levar em conta as convenções criadas pelos adultos. É na infância que aprendemos a manipular os dados reais e os não-reais até confundirmos o que somos com o que não somos. Depois disso, nossa postura será o reflexo da nossa interpretação da vida. Apesar das peculiaridades, somos todos muito parecidos. Cheios de sonhos, cheios de truques. Amamos a fantasia. Idealizamos o outro, fazemos dele o ornamento da nossa emoção e a colocamos onde queremos. Quero dizer, na ânsia de viver, na sede de gozar, acabamos vítimas de nossas próprias circunstâncias. É mesmo assim? Eu teria de fazer algumas aulas sobre psicanálise para escrever esta crônica. E o inverno anda ameaçando as noites longas. Sabemos que irá doer. Eu e o meu amigo. As emoções irão salientar a geografia do corpo por baixo da pele e chegará ao umbigo da nossa orfandade. Ouviremos que a angústia é um constructo do homem, que a solidão é um constructo do homem, desse homem artefato submetido a um sujeito também artefato cheio de angústias e rancores entranhados nos músculos. Temos culpa de termos nascido num tempo apocalíptico e visceral? Um tempo que desconstrói nosso longo parênteses de ilusão e nos coloca sobre uma linha sísmica onde vida e morte se confundem, exterior e interior se irmanam gerando essa insegurança e essa intensidade emocional de que tudo está por um fio. E não há nada a fazer, a não ser lembrarmos de que somos apenas fiapos visitados por esses mistérios que vez por outra iluminam nossas idéias despedaçadas. E, enquanto meu amigo fuma para afugentar os pensamentos, escrevo pra não ver dilaceradas as minhas vísceras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-8175400672980860728?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/8175400672980860728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/08/amigoterapia.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/8175400672980860728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/8175400672980860728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/08/amigoterapia.html' title='Amigoterapia (Para o Fabrício)'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SpQMWtgb3hI/AAAAAAAAACI/kPEtb94ZOq8/s72-c/Semana+de+letras.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-3815349184500403893</id><published>2009-08-11T13:32:00.000-04:00</published><updated>2009-08-11T13:34:44.547-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>BIOGRAFIA DE AMORES - texto II</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nos encontramos num bar em Paris. Chovia fino nos telhados vermelhos dos prédios antigos, que deviam estar há muitos metros da nossa cabeça. O silêncio dessa distância devorava as palavras antes que elas fossem ditas. Ele lia um jornal. Eu lia as palavras que foram escritas nas paredes, muitos anos antes d’eu nascer. Palavras voláteis, alheias, despencando no tempo de uma saudade. O bar ficara grande, como se houvesse apenas nós dois. Sem violinos, sem cítaras, sem um cantor a debulhar palavras amenas. No ar, somente sílabas soltas em língua que eu não conheço. Tive vontade de me aproximar.  Entabular uma prosa de aromas e paladares, falar das pequenas cidades de nomes desconhecidos e descobrir qualquer coisa em comum entre os nossos mundos. Talvez ele fosse um artista. Talvez soubesse desenhar e fizesse alguns desenhos em papel de embrulho e me presenteasse dizendo algo inteligente, excessivamente inesperado, como sonham as mulheres que ousaram explorar Paris, sozinhas. Possivelmente eu também ousaria inventar uma caligrafia redonda e escreveria algo romântico como espera um homem que lê jornal num bar parisiense.&lt;br /&gt;            Mas ele seguia indiferente a tudo, inclusive a meus pensamentos furtivos. Sequer percebeu que os homens que lêem despertam a minha cobiça. Mais que isso, despertam pensamentos corrosivos e persistentes. Olhei firmemente, ele abaixou o jornal e seguiu como se estivesse lendo, mas a posição em que se colocou resvalava em uma dúvida. O corpo sempre fala mais alto. O corpo grita. Seus cabelos fartos e cachecol jogado aos ombros revelavam um homem inteligente. Homens inteligentes têm uma elegância despojada. Algo quase natural, quase inato. E essa distância entre o ser e o não-ser é que os tornam irresistíveis. Daí que não desgrudei os olhos dele e passei a estudar uma estratégia de aproximação. Mas não tenho proficiência nisso. É uma linguagem que manipulo muito mal.&lt;br /&gt;            Aproximei-me a passos lentos para que ele tivesse tempo hábil de se preparar. Correr, se quisesse, virar de costas, abaixar as vistas. Mas ele manteve o olhar fixo em qualquer ponto detrás de mim. O que lhe proporcionava uma visão ampla, que ia se afunilando em meu rosto, à medida que eu me acercava. O silêncio me constrangeu, mas não havia tempo para desistir. Como uma mulher tímida, feito eu, se arrisca em investidas tão ousadas? Risquei o muro do constrangimento  com um “conhece um café onde se pode ouvir músicas francesas?” Ele me estendeu um olhar discretamente desconfiado e perguntou: “veio da Ucrânia?”&lt;br /&gt;             Minha língua poderia até ser confundida com o espanhol, minhas atitudes cheias de gestos poderiam  lembrar o italiano, mas o russo? Decepcionada, só consegui negar com a cabeça e engolir meu sotaque brasileiro, ressuscitado  num passado verde entre campos e vacarias fortemente vincados em minha memória.&lt;br /&gt;             Não habituada a ser tratada com indiferença, espreitei meu olhar para fora do bar, e marchei em seguida. Mas não houve tempo para que eu me decidisse entrar em qualquer outro local, nem mesmo para me esconder da chuva fria, pois senti uma mão masculina me tocar. Aturdida, encenei também meu gesto de indiferença. Segui muda por uma alameda que eu já conhecia de filmes e cartões postais, mas a paisagem não mais importava. Importava que ele seguia ao meu lado. Espreitávamos para fora como quem olha para dentro. Eu tinha medo de pronunciar qualquer palavra e ele não entender. Medo de alterar a cena, de afastar aquela sintonia surda que estava nos encaminhando para uma catarse parisiense.&lt;br /&gt;            Entramos em uma barca que descia o rio Sena. Parecia armação de filme francês. Uma música, um lugar, duas pessoas e nenhum diálogo. Sentamos em um canto discreto. O lustre antigo movimentava-se sobre a mesa. Não sabia o que dizer, o que sentir. Minha cabeça era uma fábrica de idéias inconclusas. Mas no exato momento em que eu ia pronunciar a primeira palavra, ele precipitou a mão  vagarosamente sobre a mesa como se estivesse procurando um lugar no mapa do meu corpo e já soubesse que a fronteira  era a ponta dos dedos. Ficamos os dois olhando para o que ele ia fazendo. Meus dedos foram abrindo-se ao toque dos dele e vagarosamente se cruzando,  amalgamando-se como  velhos conhecidos. Nossas mãos brancas incorporavam nossa nudez antecipada. Nossas respirações se aceleravam, inspirações longas que chegavam a embaraçar. Parece que ele sabia do meu pesadelo obsessivo por mãos de homem. Principalmente as bem feitas, marcadas por veias nervosas e azuis. Percebi que as pessoas presentes nos observavam. Perfazíamos uma imagem que chamava a atenção. Uma imagem  tão bonita que merecia ser eternizada nas antigas porcelanas francesas.&lt;br /&gt;            Depois de todos os beijos, ele perguntou meu nome, minha nacionalidade, meus sonhos...e segue perguntando se não quero conhecer a Ucrânia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Lucilene Machado&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-3815349184500403893?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/3815349184500403893/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/08/biografia-de-amores-texto-ii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/3815349184500403893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/3815349184500403893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/08/biografia-de-amores-texto-ii.html' title='BIOGRAFIA DE AMORES - texto II'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-1088822280673706029</id><published>2009-08-08T22:57:00.000-04:00</published><updated>2009-08-08T23:00:27.292-04:00</updated><title type='text'>Dia dos pais</title><content type='html'>Para todos os pais, especialmente ao meu, essa crônica de Arthur da Távola, me enviada hoje pela amiga Fernanda Guimarães.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um Filho Rapagão a Dormir&lt;br /&gt;Artur da Távola&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de repente de um instante no passado: um de meus filhos, então rapaz, a dormir no sofá da sala, o livro caído a seu lado. Em um filho jovem, mesmo um latagão, a dormir, aflora a criança desvalida e fraca. Some a expressão dos olhos, os significados da voz de machinho, descansam os músculos faciais que definem os traços representativos dos disfarces e defesas que inventamos para sobreviver. Um rosto de jovem, deitado e de olhos fechados, faz cessar por instantes as intensidades e discordâncias daquele novo ser pulsátil, cheio de idéias, atitudes, pontos de vista, competições, raiva, até, da dependência de tantos anos aos pais. Há um breve retorno à desproteção da infância, que renova no pai uma forma poética e emocionada de apego aos filhos. Raras vezes nos é permitido reter a infância dos filhos, esvaída na ânsia de descobertas e justas independências, quando eles "ajovecem". Ao contemplá-los assim, fortes mas vulneráveis, dentro de nós latejam misteriosas intensidades. Somos pedaços de complexidade ganindo ânsias de harmonia e integração. Dentro de nós lavra um afã constante, preparação do vir-a-ser. É a evolução, inevitável. Somos um esforço sem trégua para alcançar um "adiante" que engendrará novas disposições de avanço na direção do não se sabe. Somos pedaços de cansaço feliz por buscar o que, alcançado, transforma-se em plataforma de novos embarques. Somos um lindo e conturbado espetáculo de luta e jardim. Somos a natureza no esforço de existir e propagar a espécie. Somos a expressão dolorosa da ânsia de existir. Assim somos. A/penas. E vemo-nos como tal no filho rapagão a dormir. Por isso, quando de olhos abertos, falando, pregando, querendo, clamando, postulando ou dizendo, somos um cansaço em andamento; somos o nosso doloroso miolo, busca constante de transcendência, transparência e harmonia, ideais da divindade que mora em nós, incompleta, sempre em andamento, em busca da transformação, como o universo. Mas ver o filho a dormir ali, jovem, descuidado, grandalhão, é encontrar a criança que nele mora. E é ser pai de novo. Por certo quem me lê já viveu essa emocionada alegria antecipatória de saudades que se aproximam.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-1088822280673706029?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/1088822280673706029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/08/dia-dos-pais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/1088822280673706029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/1088822280673706029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/08/dia-dos-pais.html' title='Dia dos pais'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-6415547080860943974</id><published>2009-08-07T11:43:00.000-04:00</published><updated>2009-08-07T11:45:21.253-04:00</updated><title type='text'>Para mis amigos de habla española</title><content type='html'>Olá pessoal,  hoje tem texto meu no Marenostrum. Está em espanhol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.marenostrum.tv/index.php?option=com_content&amp;amp;view=article&amp;amp;id=766:el-amor-platonico&amp;amp;catid=56:racconti&amp;amp;Itemid=76"&gt;http://www.marenostrum.tv/index.php?option=com_content&amp;amp;view=article&amp;amp;id=766:el-amor-platonico&amp;amp;catid=56:racconti&amp;amp;Itemid=76&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-6415547080860943974?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/6415547080860943974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/08/para-mis-amigos-de-habla-espanola.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/6415547080860943974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/6415547080860943974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/08/para-mis-amigos-de-habla-espanola.html' title='Para mis amigos de habla española'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-7895495803493750036</id><published>2009-08-05T21:35:00.000-04:00</published><updated>2009-08-05T21:37:29.203-04:00</updated><title type='text'>Vídeo</title><content type='html'>Gente,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;segue o link de um vídeo que meu amigo Ubirajara fez com um texto meu.&lt;br /&gt;Prestigiem.&lt;br /&gt;Thanks.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="mhtml:%7BCFCDC2F8-A74E-489E-B8B4-94BC00CB9E0A%7Dmid://00000026/!x-usc:http://www.youtube.com/watch?v=2r6GTzXeATI"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=2r6GTzXeATI&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-7895495803493750036?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/7895495803493750036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/08/video.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/7895495803493750036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/7895495803493750036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/08/video.html' title='Vídeo'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-8300317002637271973</id><published>2009-07-31T23:05:00.000-04:00</published><updated>2009-07-31T23:06:51.375-04:00</updated><title type='text'>BARCO DE PAPEL</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;            Alguma coisa cresce dentro de mim. Selvagem. As horas passam lenta neste mundo que não tem mais cara de jardim. A cor do concreto fere os meus olhos. Entro. Tranco a porta. O mundo também fica trancado lá fora. Um mundo com jeito de pombal. Cada um preso em seu próprio vazio. Vazio de um beijo que foi o último. Vazio deixado pelo suave olhar de um amigo numa manhã de domingo que jamais se repetirá. Por mais que se recupere o amigo, não se recupera o tempo, essa coisa degradável, com cheiro de mofo.&lt;br /&gt;            Mas, ontem choveu e, talvez por isso, algumas gotas de lucidez umedeçam meus pensamentos antes que a aridez de espírito   vire-me de ponta-cabeça e me faça ver o mundo no reflexo de uma poça d´água amanhecida. Fiz isso quando criança. Penso que todos já fizeram. E depois, soltava barcos de papéis na enxurrada. Minha paixão? Era um navio no mar. Ainda hoje o é. Mas tenho medo de não ter em que me agarrar quando as ondas azuis de algum olhar cobrirem o meu corpo. Não sei nadar o suficiente para sobreviver a esse maremoto. Então fico na praia jogando pedrinhas, molhando os pés na espuma branca e dizendo: boa viagem!&lt;br /&gt;            Talvez seja essa uma maneira de não ter de enfrentar o gigante que mora no fundo do mar. Gigante Adamastor que representa o sentido profundo da vida. Mas de que vale isso se a água me povoa por dentro? Lido diuturnamente com essa coisa líquida borbulhando no meu cérebro. Alguém acreditaria se eu dissesse que faço chover? Chovo em qualquer estação, e depois,  esse cheiro de terra molhada, essa umidade que faz brotar algas e sargaço, essa semente  inchada, essa coisa perigosa germinando...  e como diria Leminski  “Cresce a vida/ cresce o tempo/ cresce tudo e vira sempre esse momento.” Sempre esse instante que parece já vivido, essas duas palavras pousadas no parapeito da minha sacada, essas árvores que recitam, esse eco do vento entrando pelas frestas das janelas trancadas, essa vontade de sair correndo e mostrar escandalosamente o rosto, de atravessar as estações num trem, de me infiltrar nas multidões, entrar nos ônibus, fazer discursos e ver o olhar assustado das pessoas me olhando. Pessoas que pertencem ao mesmo gênero humano, porém divididas em suas milhares de idiossincrasias. Seria possível ver uma mãe proteger seu filho, um marido posicionar-se à frente da mulher e outros gestos que conduziriam ao ponto omega: o medo que o ser humano tem de seu semelhante. Talvez por isso, todos temos um jeito especial de esconder o rosto; uma filosofia na qual nos escorarmos; observações nas quais  adequamos  nossos propósitos, e assim segue a vida, porque a paixão, como já escreveu alguém, leva à utopia e a desgraça. Mesmo discordando, também me protejo em minha tristeza justa e procuro evitar esses pensamentos.&lt;br /&gt;            Pensamentos incomodam, tanto quanto o pisar na poça d´água acumulada no desnível da calçada. Descobri que   meu cérebro é uma folha de papel em branco. Por isso esta necessidade de estar organizando idéias, de estar pintando com tintas imaginárias as letras da minha paixão. Mas agora, peço licença para fazer dessa folha um barco de papel, sem fins, nem razões, porque o mar salgado escorre  pelas minhas veias atlânticas, pela minha vida pacífica, pelo meu riso ártico...  eu preciso desaguar em algum lugar.&lt;br /&gt;                                                           Lucilene Machado&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-8300317002637271973?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/8300317002637271973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/07/barco-de-papel.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/8300317002637271973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/8300317002637271973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/07/barco-de-papel.html' title='BARCO DE PAPEL'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-6551901730068376560</id><published>2009-07-30T16:46:00.000-04:00</published><updated>2009-07-30T16:48:52.451-04:00</updated><title type='text'>A perda do idioma italiano em Mato Grosso do Sul</title><content type='html'>Pouco se tem falado sobre a imigração italiana em Mato Grosso do Sul. Os anais do país registram poucas informações, às vezes nenhuma, a respeito do assunto. Os estudos mais fundamentados foram desenvolvidos por universidades de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul de modo que o jornalismo do estado ficou sem respaldo científico para elaborar matérias com dados mais organizados e precisos.&lt;br /&gt;            Mato Grosso do Sul é um estado com dois milhões e trezentos mil habitantes. Destes, quatrocentos mil são ítalo-descendentes e italianos. Aproximadamente 5% da população. Somente em Campo Grande, capital, vivem duzentos mil, a começar pelo governador do estado que é italiano e o prefeito do município que é ítalo-descendente. Depois temos reitores de Universidades, diretores de hospitais,  diretores de Museus, representantes eclesiásticos, empresários do setor frigorífico, do comércio, turismo, gastronomia e demais segmentos da sociedade, que são italianos ou ítalo-descendentes. Embora se tenha congregado, nesta região, um número relevante de italianos que tentam preservar um legado cultural, por meio de associações, grupos de danças, um Centro Cultural (que promove cursos de culinária, cursos de língua, câmbios de produtos e serviços, feiras multicoloridas entre outras coisas) os falantes do idioma italiano limitam-se a um contingente de, no máximo, duas mil pessoas.&lt;br /&gt;            A consciência da importância de um idioma para se alcançar a compreensão de uma cultura é quase nula. Os que se iniciaram  na linguagem fizeram-no por interesses divergentes. A maioria para conseguir cidadania italiana, já que há uma exigência por parte da embaixada. Poucos se dão conta  de que a língua e a cultura são inseparáveis e, o idioma não é apenas um instrumento de comunicação. Cultura, pensamento e  linguagem se inter-relacionam de tal forma que um interfere no outro sendo fatores igualmente determinantes para a aproximação ou afastamento da nação de origem. O que suscita uma pergunta, por que a perda do idioma foi mais acentuada nesta região do Brasil? Uma questão que intriga, mas não é difícil de ser respondida.&lt;br /&gt;            Os italianos chegaram aqui no final do século XIX e início do século XX, influenciados pelas terras doadas pelo governo com o intuito de povoar o extenso estado de Mato Grosso que, no final da década de 70, foi dividido em dois, ficando Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Parte desses imigrantes já habitava o sul e sudeste do Brasil e migraram para o sul de Mato Grosso em busca de melhores condições econômicas. Outra parte veio da Itália com destino ao Uruguai e Argentina, mas, por conta da navegação nos rios Paraná, Paraguai e Cuiabá, acabaram fixando-se no estado. Não foram raros os casos em que  famílias acabavam se dividindo, ficando alguns membros nos países do Prata e outros no Mato Grosso. Desembarcavam em Corumbá, Aquidauana, Coxim, Cáceres, Miranda, Cuiabá, entre outras localidades, que ofereciam amplo campo de trabalho para todos. O contingente de imigrantes italianos para esta região foi tão significativo que em 1892 foi fundada a “Sociedade Italiana de Beneficentes” (Societá Italiana di Instrutione-Beneficiência-Fratellanza), uma entidade que se fortaleceu e chegou a construir na Praça da República, em Corumbá, um suntuoso prédio para sua sede própria e que, posteriormente, foi ocupado pelo Governo Federal durante a II Guerra Mundial (1939/1945). Também, em 1914, instalou-se em Corumbá o Consulado da Itália para dar suporte a toda essa gente.&lt;br /&gt;            Ligados a terra, como camponeses que  antes foram,  os italianos tiveram que se adaptar a um outro tipo de cultivo: a atividade pecuária. Considerando que as propriedades para a criação de gado exigiram maior espaço, e, considerando também a extensão de um estado ainda por povoar, as famílias de imigrantes foram se isolando.   A falta de estradas, pontes, o transporte precário e outros fatores que envolviam a comunidade da época, contribuíram para que os italianos se integrassem à cultura brasileira, deixando de exercitar com regularidade a língua de partida. Muitos prosperaram rapidamente, deixando, em segundo plano, a idéia de voltar  à pátria. Outros passaram por dificuldades financeiras, mas mantiveram-se fortes e persistentes. Eram religiosos e desenvolviam explicações plausíveis para justificar a presença italiana no cerrado de superfície plana recoberta por árvores retorcidas. Era a vontade de Deus. Debaixo de um  céu  claro e cintilante, o calor incomodava não apenas durante o dia, mas também à noite, quando uma chama, dentro de um bojo de lampião, iluminava os troncos das árvores e as faces esculpidas de esperança de que dias melhores viriam.&lt;br /&gt;            Irene Bizotto, empresária do ramo de turismo, conta que tanto a família do pai (Bizotto) como a da mãe que é Lolatto, vieram do norte da Itália, da região de Vicenza e se estabeleceram aqui com o propósito de “juntar algum dinheiro” e mais adiante voltar, mas nunca algum deles voltou. Conta ela que eram todos muito batalhadores e dinâmicos. As avós tinham um traço matriarcal muito latente e conduziam a família com mãos de ferro. Eram fortes, não admitiam a melancolia provocada pela lembrança de uma possível felicidade perdida. Qualquer tendência à autocomplacência era podada rente à raiz.  Dizia a avó paterna que o céu era o mesmo em qualquer parte. Na verdade, os imigrantes precisavam ser resistentes e para isso, buscavam conforto em qualquer verdade pronta. Irene declara que compreende a língua italiana, mas não fala. Diz que  o plurilinguismo foi um dos principais fatores para o esquecimento da língua. Em seu caso, as duas famílias falavam dialetos diferentes e não conseguiam estabelecer uma comunicação eficaz entre si, de modo que o idioma português foi logo tomando todos os espaços. Conta também que amigos que, esporadicamente, visitavam sua casa, foram abolindo, gradativamente, o idioma de suas conversas. De um modo geral, os imigrantes que se fixaram aqui eram pessoas simples, com baixo nível de escolaridade, vivendo as condições sócio-econômicas prevalentes no norte da Itália e, consequentemente, só falavam a língua restrita ao lugar de onde vieram.&lt;br /&gt;            Já o ex-senador da república, José Fragelli in Os italianos em Mato Grosso (PÓVOAS, Lenine C., 1989) diz que a avó, nascida em Livorno, cidade adiantada, com indústria naval e outras fábricas, não só sabia ler e escrever como seguiu lendo com regularidade  e foi freqüentadora da Ópera na Itália. Cantava longos trechos de variadas óperas enquanto trabalhava. Seu avô, Giuseppe Fragelli  passou antes pelo Uruguai e depois fixou-se em Mato Grosso do Sul. Foi o maior proprietário de casas e prédios em Corumbá, além de sua descendência fazer parte do mais notável círculo político do Brasil. A língua italiana, como na maioria das famílias, foi sendo esquecida pelos mais velhos por falta de um ambiente para a sua manutenção. O que, consequentemente, implicou na identidade cultural. Os filhos dos imigrantes, imersos na cultura popular brasileira, foram influenciados pelos programas de rádio, literaturas, escolas, de forma que eram pressionados a falar o português e, com o tempo, já não conseguiam falar a língua de origem.&lt;br /&gt;            O aprendizado e a manutenção de determinada língua fazem parte do fortalecimento dos laços. Segundo o teórico Bakthin, “As linguagens são inseparáveis das visões de mundo e dos seus portadores vivos”, o que significa que, ao se adotar uma nova língua, adota-se também uma nova forma de ver o mundo. Uma língua faz o pensamento dos falantes manter-se voltado para o lugar cultural de origem, de forma que as palavras vão ganhando vida pelo espírito com que é falada, pela veia que pulsa o pensamento.&lt;br /&gt;            Quando se perde uma língua, perdem-se também as idéias que vinham sendo retransmitidas ao longo dos séculos, perdem-se as intuições poéticas dos mais antigos, perde-se também o desejo de nomear coisas, de invocar nomes, de dizer verdades e ouvir as verdades que nos dizem. Deixa-se de costurar, naquela língua, os retalhos do conhecimento que vestiu uma cultura. A perda de um idioma leva consigo intermináveis combinações, méritos, modos, mímicas, mágicas e toda uma musicalidade advinda de sua origem. Despertar a memória dessa linguagem esquecida, do êxtase que repousa, como que hibernado nos corações adormecidos é tarefa para os mais jovens, dos que vêem no idioma um âmbito que não se pode medir ou quantificar, um “lugar” onde se podem encontrar os seus semelhantes, como é o caso do Sr. Maurizio Vito Papa, presidente do Centro Cultural Italiano – CCI, e da Câmera de Comércio Ítalo-Brasileira do estado e que, há cinco anos no Brasil, desenvolve um trabalho de resgate, como nunca feito antes, em prol da cultura italiana. Talvez, daqui a algum tempo, o quadro apresente alguma mudança. No momento, o que se pode afirmar é que  a cultura italiana influenciou muito o estado de Mato Grosso do Sul com toda sua tradição, no entanto, sobre o idioma, o que podemos dizer é que viveu aqui, respirou os ares sul-mato-grossenses, moveu-se com orgulho e dignidade, nadou em nossas águas, inscreveu-se em nosso tempo e, com ele, fundiu-se, dissolveu-se, desaparecendo deste território, silenciosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucilene Machado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Lucilene Machado&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9092199996105965820-6551901730068376560?l=lucilenemachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/feeds/6551901730068376560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/07/perda-do-idioma-italiano-em-mato-grosso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/6551901730068376560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9092199996105965820/posts/default/6551901730068376560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucilenemachado.blogspot.com/2009/07/perda-do-idioma-italiano-em-mato-grosso.html' title='A perda do idioma italiano em Mato Grosso do Sul'/><author><name>Lucilene Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08818087900933731010</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_j2ymiME-3Oo/SmuooGJhUwI/AAAAAAAAABI/F5J-wSvKeQE/S220/mae1.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9092199996105965820.post-3907423029642437124</id><published>2009-07-28T00:11:00.000-04:00</published><updated>2009-07-28T00:13:25.958-04:00</updated><title type='text'>BIOGRAFIA DE AMORES - texto I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           &lt;span style="font-size:130%;"&gt; Eu o encontrei sem esperar, quando olhei pelo buraco da fechadura de uma capela em São Paulo. A capela estava fechada e acesa. Tive de decidir se entrava ou não. Dois minutos de espera para  atravessar o caminho dele como uma flecha. Eu vestia saia preta com fendas atrás e blusa colada no corpo. Salto alto, olhar altivo e a falsa ilusão de que sou dona do meu destino. Perdoem-me a falta de modéstia, não sei mentir em outro tom. Desde que a porta da capela se abriu, ficou no ar o risco de amor sem limites. Aquele misterioso respirar de fogo que acontece poucas vezes na vida. O véu que cobria meus cabelos colou em minha garganta enquanto a tarde baixava sobre os chuviscos eloqüentes da cidade. Farejei o clima romântico no ar. Um milagre  iria acontecer. Pude contemplar os olhos dele a se incendiarem enquanto lia o meu silêncio. Lia e relia. O que vou relatar são imagens, a contundência é por vossa conta. Não consegui ajoelhar-me quando o sorriso dele floresceu sobre o nada. Não tinha muita certeza das coisas, não sabia se podia confiar naquele homem alto com ângulos fortes no rosto. Penso que nunca temos certezas, o que também não faz grande diferença. Certo é que não lutei contra o ritmo natural das coisas. Aliás, nunca crio resistência quando a vida sai de seu lugar comum. E quando a mentira se aproxima da verdade,  não ouso classificá-las. Estou longe de ser essencialista.&lt;br /&gt;             As sílabas se reproduziram em centenas antes de nos olharmos face a face. Vi as palavras viajando para se organizarem em enormes poemas. Metáforas de sonhos assinalando versos. Dava para escutar o tempo como um relógio à distância. No vitral, cores desenhadas em corações aflitos. Quem são essas almas que acenam clandestinamente para a minha felicidade? Felicidade tem nome e cor. Meu nome eu esqueci. Uma cruz, um sino, uma flor. As nuvens no teto seguindo a mão de Deus. Um arcanjo voando no balanço das lâmpadas. Ajoelhamos ao mesmo tempo numa leve coreografia. Abraçamo-nos enquanto a chuva caía, o céu caía e um novo amor brotava das profundezas divinas. Vestem-se os séculos de cetim que  nosso poema nasce no palco de Deus. Abri as cortinas de meus aposentos mais íntimos para ele entrar. Por que não? O amor será sempre um acaso, será sempre um engano que se escolhe e do qual, nada se sabe. O amor romântico que salvou a humanidade também a oprime. E eu me sinto humanidade debaixo dessa pele fina quase envelhecida.&lt;br /&gt;             Preciso confessar meus pecados. Damas que montam a cavalo perdem cedo a virgindade. Fui amazonas. Cruzei o mundo sobre uma cela. Mulher estrangeira e per
