Claricianas I
Lucilene
Machado
Às vezes me ocorre um pensamento mais rebuscado. É um sentir que não sei
escrever. Escrevo sobre amor e o amor é pesado de sonhos. Meus pensamentos são
esses fios invisíveis apertando o coração. São essas correntes primárias convergindo para um mesmo rumo. Todas as ruas
levam à dor. Ainda assim tenho esperança. Sou doente da esperança da paixão. Já
comi pétalas de rosa vermelha. Mas isso não conto. Também não sei se é
necessário. Enfim, o que posso dizer que seja necessário? Nem eu sou
necessária. Vivo no superlativo, mas só me é aproveitado o mínimo. Os homens se
contentam com o mínimo que pode ser encontrado no corpo. E o meu corpo se
parece com todos os outros. Eu seria igual, não fosse essa tristeza vertical escorrendo
por minhas veias e artérias. Uma dor sincera que passeia insone sobre minha
geografia. Eu amo as pessoas na medida em que elas vão me esquecendo. Meu amor
é um pedido silencioso de socorro para que voltem e retirem o espinho cravado
na carne. Mas as pessoas são medrosas. O mundo jaz no medo. Medo de amar. Fui
ao psiquiatra porque tinha fome de amor, ele me ofereceu tranquilizantes.
Continuo incurável.
Lucilene, tomo a liberdade de postar esse texto no chamado facebook, tornar mais público esse talento!
ResponderExcluirJoel